Gestão Moderna
O semanário Expansão comemorou o primeiro aniversário organizando o seminário Ceo Experience, no Hotel Trópico,
em Luanda. O debate foi animado por grandes personalidades da vida económica nacional, a começar pelo ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel José Nunes Júnior.
Os discursos inicias foram interrompidos por três vezes, devido à falta de luz.
A audiência, que enchia por completo a sala
de conferências, brincava, ao dizer que era a altura de se apagar
as velas. Nem de propósito, um dos oradores principais, Marcelo Gil de Souza, responsável global pela área de corporate strategy da Accenture, co-organizadora do evento, elegeu
a capacidade de adaptação como a grande virtude
para os líderes empresariais do século xxi.
“A estratégia,
tal como a conhecíamos, está morta. Temos de ser flexíveis
e saber lidar com a incerteza dos mercados.” Em entrevista
à EXAME, o especialista ilustra a ideia com o seguinte exemplo: “No passado as empresas associavam a estratégia a um navio transatlântico. Bastava ao timoneiro traçar a rota e ir fazendo ajustamentos. Hoje, a imagem certa é a do rafting em águas turbulentas onde é necessário saber-se desviar das pedras. Temos de estar bem preparados, assumir riscos e reagir rapidamente aos acontecimentos inesperados”.
José Luís Massano, presidente do conselho de administração (PCA) do BAI, salientou, a este propósito, que “os bancos mostraram uma grande capacidade de adaptação no ano passado”, um período de turbulência no cenário macroeconómico. Porém, o banqueiro interroga-se “como gerir o risco quando as empresas angolanas
têm uma estrutura desequilibrada e revelam deficiências profundas
a nível da gestão e dos recursos humanos?”
O responsável considerou que o principal problema dos gestores angolanos
não é a estratégia. “Há muitas ideias brilhantes. Falta a capacidade
de execução.” Outro banqueiro, António Sobrinho, PCA do BESA, protagonizou as declarações mais animadas da sessão. Perguntou, por exemplo, se valeria a pena falar em desenvolvimento sustentável quando ainda somos auto-sustentáveis. Mostrou-se ainda mais indignado com as questões sobre a internacionalização. “Somos
um país que importa quase tudo.

Aguinaldo Jaime, presidente da ANIP, não poderia estar mais de acordo. “A diversificação é um objectivo estratégico do Governo. O investimento privado está a crescer, sobretudo, na área alimentar, da metalomecânica e dos materiais de construção. Mas é preciso estudar por que a aposta na agricultura não avança mais rápido. Há dinheiro para investir. Precisamos de mais projectos”, adverte.
O ministro de Estado Manuel José Nunes Júnior também considera uma prioridade o aumento da produção agrícola, a criação de pólos de desenvolvimento económico e a criação de emprego. Recorda que é necessário reduzir a dependência do petróleo, o principal activo do país, que é um sector pouco intensivo em mão-de-obra.
O “guru”brasileiro Marcelo Gil de Souza terminou a intervenção com o seguinte conselho aos CEO (chief executive office): “Procurem as oportunidades de crescimento onde quer que elas estejam no mundo.” As boas notícias é que, no caso dos gestores angolanos, não é preciso ir muito longe. “Angola está repleta de oportunidades. Afinal ainda somos uma start up”, conclui Aguinaldo Jaime.
Marcelo Gil de Souza é licenciado em Engenharia Mecânica,
pela Universidade Federal do Paraná (Brasil), e tem um MBA
em Estratégia e Finanças, pela Universidade de Rochester,
em Nova Iorque (Estados Unidos). Hoje, é líder mundial
de corporate strategy da Accenture. Anteriormente, tinha exercido iguais funções para a América Latina.
Ele crê que o processo de desenvolvimento do Brasil no passado recente pode fornecer ilações importantes para Angola, pais que, no seu entender, “respira empreendedorismo”. Na sua intervenção, Marcelo salientou que o crescimento dos países emergentes, como Angola, é o facto que vai marcar a gestão no século xxi.
Alerta que 80% do consumo mundial já provêm dos países
em desenvolvimento. E que, em 1991, apenas 21 empresas
dos países emergentes faziam parte das 500 maiores do mundo. Hoje, são 90. Acredito que, em breve, sejam mais de metade.
Salientou cinco grandes tendências globais: 1) Há 1 bilião de novos consumidores no mercado; 2) Os recursos naturais são cada vez mais importantes; 3) Os países emergentes estão a investir fora das suas fronteiras; 4) As inovações estão a chegar mais rapidamente ao mercado global; 5) Hoje, a competição pelos melhores talentos é mundial.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.