Combustíveis
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"Lembram-se dos tempos em que havia filas intermináveis para abastecer combustível?” Para alguns consumidores de Luanda a frase acima já é realidade. A entrada da Pumangol no mercado, com a abertura de cinco postos modernos, foi uma boa surpresa para os consumidores habituados ao martírio das filas de espera. Mas a ambição da Pumangol, a primeira empresa privada do sector a operar em Angola, vai mais longe. Quer ser líder do mercado de retalho de combustíveis, hoje dominado pela Sonangol. A aposta na imagem e nos serviços diferenciados são os dois grandes trunfos da marca para cumprir tal objectivo.
Dois anos passaram desde a criação da Pumangol,resultante da parceria entre a Puma Energy International, a Trafigura e alguns accionistas angolanos. A prometida — e ainda não concretizada —, liberalização da venda de combustíveis não foi suficiente para refrear os objectivos dos accionistas da Pumangol que fizeram questão de partir à frente e assumir o desafio de se tornar líder de mercado.
Além dos postos de combustível a marca oferece serviços como a lubrificação, a lavagem e a loja
“Além de abastecer combustível o cliente também pode ajustar a pressão dos pneus, proceder à lavagem do seu automóvel, comprar produtos de primeira necessidade, ou tomar um simples café, na loja de conve-niência ou aceder à área de lubrificantes. O objectivo é fazer dos nossos postos, locais agradáveis onde os clientes se possam sentir bem”, diz o director-geral Paul Edwards.
A marca Pumangol também já é visível noutras localidades do país como a Catumbela e Porto Amboim. O plano de expansão da marca é ambicioso. “Até Dezembro, vamos fazer um investimento global de 80 milhões de dólares. O nosso maior investimento até agora foi de 9 milhões de dólares nas bombas do Nova Vida. Aplicámos 5,5 milhões de dólares nas bombas do Lobito e 4,5 milhões na de Porto Amboim. O objectivo para este ano é termos aberto em todo o país 18 postos e, num período de cinco anos, chegarmos aos 200 postos de abastecimento com uma facturação de cerca de 430 milhões de dólares”, afirma Paul Edwards.
Segundo o gestor, este processo de crescimento “vai contar com o recrutamento de mão-de-obra angolana, jovens com muita vontade de sucesso e de aprender. Muitos vindos da diáspora para dar o seu melhor”. Hoje, 200 trabalhadores assumem a responsabilidade diária dos postos de combustível enquanto outros 50 assumem o funcionamento dos escritórios. Em paralelo ao crescimento do número de postos, a Pumangol espera atingir os 5 mil trabalhadores nos próximos cinco anos.
“A liberalização do mercado de combustíveis é positiva para o país”, defende o director-geral Paul Edwards
Com 23 anos de experiência e passagens por vários países como o Reino Unido e Portugal, Paul Edwards não duvida do sucesso da marca em mercados em desenvolvimento como o nosso. “Só o posto de Viana vende mais do que os cinco postos que temos no Congo. A bomba do Nova Vida está entre as dez maiores do grupo. Tem cinco tanques cada qual capacidade para 50 mil litros”, esclarece.
Não obstante, o director-geral estima que o retorno do investimento apenas vá suceder a médio prazo. “Falar de retorno nos primeiros quatro meses é difícil. Os postos estão a vender bem e estamos a recuperar os custos básicos das infra-estruturas. Vamos bem encaminhados para cobrir os custos operativos. Mas o retorno do investimento vai levar algum tempo”, afirma.
Confiante no crescimento do sector, a possibilidade de apostar noutros produtos não é posta de lado. Os lubrificantes Puma são um bom exemplo dessa estratégia de diversificação. Paul Edwards considera que a prioridade está em fazer com que o povo angolano sinta a marca Pumangol como sua. Para isso, a empresa vai implementar uma linha directa de apoio ao cliente e criar, a nível interno, o “dia do cliente”.
O que não está a correr de acordo com os planos da empresa é a anunciada, mas não implementada, liberalização do sector. Embora o Conselho de Ministros tenha aprovado no ano passado a liberalização do armazenamento, refinação, distribuição e transporte de combustíveis — assim como a criação de um regime de preços mais transparente —, a verdade é que a entrada em cena desta medida ainda não surgiu.
“Fomos os primeiros privados. Quem vier depois encontrará um mercado mais preparado e regulado”
Recorde-se que o erário público perde todos os anos milhões de dólares devido à política de subsidiação do combustível. O possível aumento no preço do combustível não preocupa o líder da Pumangol porque “o importante é termos um mercado atractivo para que possam vir mais companhias interessadas, aumentando assim as opções dos clientes.”, justifica.
É na diferenciação, que a Pumangol está a colocar o acento tónico. Segundo o gestor, a empresa aposta na oferta de um leque alargado de serviços e produtos a um preço justo aos clientes. O facto de ter sido a primeira privada a entrar no mercado foi um ponto positivo para a marca. “Ser o primeiro tem algumas vantagens, mas também gera alguns problemas. Quem vir depois já vai encontrar um mercado mais preparado e regulado”, esclarece.
As particularidades actuais do país fizeram com que a Pumangol estabelecesse uma “boa relação” com a petrolífera angolana Sonangol, que também é a fornecedora do combustível que é vendido nos postos de abastecimentos reconhecíveis pelas cores verde, branco e vermelho. Por isso, a entrada em cena no negócio do JET A1 (combustível para aviões), não é posta de lado pelo responsável da Pumangol. “Não temos nenhum projecto de momento, mas no futuro quem sabe. Se tivermos a oportunidade vamos considerá-la”, remata.
O célebre projecto sediado no Waku Kungo “renasceu” em Outubro de 2012 e já é o maior produtor de ovos