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Na publicidade, dizer que “uma imagem vale mais que mil palavras” já é uma frase banal. Bebés fofinhos, bichinhos de estimação com um olhar terno, praias paradisíacas, mulheres (homens) bonita(o)s. Já tudo foi exaustivamente testado e usado pelos publicitários para atrair os consumidores.
Agora, empresas de sectores tão diversos como o vestuário e o automóvel estão a descobrir uma nova máxima para a arte da publicidade: a de que “um aroma pode valer mais que mil imagens”. Cerca de 20 empresas especializadas no chamado marketing olfactivo já movimentam quase 100 milhões de dólares por ano em todo o mundo. As suas fragrâncias estão a ser disputadas por marcas como a coreana Samsung, a inglesa Rolls-Royce ou a brasileira O Boticário. “Nos últimos meses, o sector está a crescer mais de 70% ao ano. Ao que tudo indica a tendência veio para ficar”, diz Roberto Álvarez del Blanco, professor de Marketing da IE Business School em Madrid. “Muitas empresas desejam ter uma espécie de assinatura olfactiva.”
Desde há dois anos, que a rede de vestuário americana Abercrombie & Fitch começou a perfumar os corredores das suas lojas com uma fragrância à base de rosas e laranja. A iniciativa teve tanto sucesso que a empresa decidiu engarrafar a essência e vendê-la aos clientes. Hoje, ela funciona como uma extensão de linha do perfume Fierce, que já rendeu mais de 250 milhões de dólares à empresa.
A rede O Boticário foi uma das primeiras marcas brasileiras a embarcar nessa onda. Em Agosto de 2009, lançou o primeiro cartão de crédito perfumado do mundo, em parceria com o Banco Bradesco. Ao passar o cartão pela máquina ou ao esfregá-lo com as mãos, o atrito liberta um odor com notas de rosas e jasmim — algo que, para a maioria das mulheres, só vem aumentar a sensação de bem-estar após as compras.
A iniciativa foi de tal modo bem-sucedida que, no primeiro semestre deste ano, as vendas do cartão aromatizado cresceram 20% — face à média de 12% do mercado. “Ninguém pode ‘desligar’ o olfacto”, diz Harald Vogt, presidente da consultora americana Scent Marketing Institute. “O aroma fica na mente do consumidor.”
A recente febre em torno do marketing olfactivo tem uma explicação biológica. Um estudo realizado pelo IFF, em parceria com o Hospital francês Raymond Poincaré, revela quão poderosa é a ligação entre o olfacto e o sistema límbico do cérebro, responsável por controlar as emoções e a memória. Depois de passar 12 meses em coma, um dos pacientes do hospital voltou a conseguir falar após ter sido exposto ao cheiro de uma marca de pães que ele costumava comer durante a infância.
Foi com base nesse raciocínio que a aristocrática Rolls-Royce conseguiu resolver o que parecia um enigma indecifrável. Ao longo dos últimos dez anos, os seus clientes queixaram-se de que os carros da marca não conseguiam manter o mesmo glamour de antigamente. Após uma série de estudos, os executivos chegaram à conclusão que a principal diferença entre os automóveis de hoje e os que foram produzidos há meio século — para além das funcionalidades tecnológicas e de segurança — era o cheiro. O interior dos “Rollers” da década de 60 era produzido com madeira, couro e lã. Hoje, essas matérias-primas foram substituídas por espuma e plástico. A solução foi reproduzir no laboratório o aroma do clássico Silver Cloud 1965. O “perfume” foi desenvolvido com base em 800 elementos encontrados nos automóveis originais — até o cheiro do combustível da época foi levado em conta. Assim, nenhum Rolls-Royce sai da fábrica sem receber uma injecção do líquido sob os bancos. Uma pesquisa feita pela empresa mostrou que, para os clientes, o problema tinha sido resolvido e a aura de sofisticação dos Rolls-Royce estava de volta.
Nessa busca por cheiros mágicos (e lucrativos), algumas empresas não tiveram a mesma sorte. Um dos fiascos mais recentes foi o da rede americana de retalho Bloom. Para promover uma nova linha de cortes de carne, a empresa instalou um imenso outdoor numa das auto--estradas mais movimentadas do estado da Carolina do Norte. Duas vezes por dia, o cartaz emitia um cheiro de churrasco na tentativa de abrir o apetite de quem passava pela área. A ideia parecia genial, mas, devido aos ventos, poucos automobilistas conseguiram, de facto, sentir o aroma. A acção foi suspensa um mês mais tarde.
Em 2006, o governo da Califórnia criou a campanha Got Milk?, para incentivar o consumo de leite. A acção consistia em aromatizar os locais de espera de autocarros com o cheiro de biscoitos (os americanos adoram comer cookies embebidos em leite). Despertou, porém, a ira de consumidores de São Francisco por não levar em conta a angústia das pessoas intolerantes à lactose e dos mendigos, sem acesso ao leite, nem ao biscoito. Embora o cheiro fosse uma delícia, no dia seguinte a campanha teve de ser cancelada.
Como algumas marcas procuram aumentar as suas vendas com a criação de perfumes. Uma arma inovadora cada vez mais popular
O que fez Lançou um cartão de crédito perfumado em parceria com o Banco Bradesco
Resultado As vendas do cartão cresceram mais de 20% ao ano desde Agosto de 2009 (enquanto a média do mercado foi de apenas 12%).

O que fez Desenvolveu uma nova fragrância à base de melão para perfumar as suas lojas-modelo espalhadas pelo mundo
Resultado Depois que os pontos de venda ganharam o novo aroma, os consumidores passaram até 30% mais tempo a interagir com os produtos expostos
O que fez Criou uma fragrância que imita o cheiro do clássico modelo
Silver Cloud, de 1965, para aromatizar os seus carros actuais
Resultado Os automóveis da Rolls-Royce voltaram a figurar entre os mais luxuosos do mundo, depois de quase três anos de ausência nessa lista

O que fez Gastou 3 milhões de dólares para aromatizar 350 lojas nos Estados Unidos
Resultado A pedido dos clientes, o perfume também passou a ser vendido nas lojas e já rendeu mais de 250 milhões de dólares.
O que fez Instalou um outdoor que borrifa aromas semelhantes às de um churrasco numa movimentada auto-estrada americana
Resultado Embora a empresa tenha conseguido bastante exposição nos media, poucos consumidores efectivamente sentiram o aroma.
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Eka, N’Gola, 33 Export e da nova Skol.