Edição nº 9
 

Cursos do IFAE: O mais difícil é escolher

Publicado a 26-10-2010 16:59:00

CLIQUE PARA AUMENTAR A IMAGEM

O ano 2005 marcou uma grande viragem na vida do recém-licenciado em Sociologia David Boio. Depois de terminar o curso na Universidade Católica Portuguesa, decidiu regressar ao seu país para partilhar os ensinamentos que adquiriu.  Quis o destino que a província de Benguela fosse o lugar escolhido para iniciar a sua carreira docente.

Na Universidade Lusíada do Lobito, David Boio começou por ministrar a cadeira da sua formação. O contacto com a vida académica fez o jovem tomar consciência das lacunas do mercado ao nível da formação para executivos. Foi nessa altura, em 2006, que teve a ideia de organizar um encontro de dois dias sobre Economia Política, que encheu uma sala com 500 pessoas. Fizeram parte do prestigiado painel de oradores o professor Vera Cruz Pinto, da Faculdade de Direito de Lisboa, e figuras angolanas de referência, como Aguinaldo Jaime, Alves da Rocha e Vicente Pinto de Andrade, e outros docentes do Brasil e de Cabo Verde. Seguiu-
-se, em 2007, a realização de um seminário sobre Mercado de Capitais, em Benguela, que teve boa receptividade do público.

O IFAE realizou um estudo sobre as PME angolanas, com o apoio da Universidade de Oxford e do BNA
Animado por estas duas experiências bem-sucedidas, David Boio decidiu criar o Instituto de Formação Avançada para Executivos. A apresentação oficial ocorreu em Novembro do ano passado através da realização de dois seminários (em Luanda e Benguela) que tiveram como orador principal o professor catedrático brasileiro Idalberto Chiavenato (veja artigo na EXAME n.º 1).

A escolha de tal “padrinho” não poderia ter sido mais feliz. Quem fez uma licenciatura nas áreas de Gestão ou Recursos Humanos decerto terá estudado pelos livros deste prestigiado docente, hoje com 73 anos. “O IFAE surgiu num contexto muito importante da vida política e económica de Angola. Fomos pioneiros na oferta de formação de qualidade dirigida a executivos”, afirmou à EXAME David Boio, director executivo do IFAE, que tem como parceiros directivos Mário Pinto de Andrade e Sebastião Manuel.

Um dos trunfos deste Instituto são as parcerias com instituições internacionais, tais como as portuguesas Universidade Católica, Universidade Técnica (ISCSP), Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG); a brasileira Fundação Getúlio Vargas e a britânica Universidade de Oxford. Destas ligações nasceu uma oferta de cursos diversificada que engloba áreas tão díspares como as pós- -graduações em Segurança Nacional (realizada em parceria com o Instituto de Segurança e Defesa), em Aspectos Legais do Transporte Marítimo de Mercadorias e em Administração Pública (ambas em parceria com o ISCSP). É também com o apoio desta instituição que o IFAE organiza um MBA (master business administration) em Gestão de Recursos Humanos, que tem a duração de 18 meses. Está igualmente prevista a oferta de um MBA sobre Petróleo e Gás, em associação com a Fundação Getúlio Vargas.

Nos cursos de curta duração, realizados em associação com o ISEG, a oferta é ainda mais ampla (veja caixa). Tipicamente, são seminários que decorrem durante dois a quatro dias, ligados a temas mais específicos, tais como planeamento estratégico, análise de projectos de investimento, cibersegurança, controlo de gestão, finanças públicas, gestão de carreira, relações internacionais ou gestão de stocks.

Aposta na investigação científica

David Boio: “Fomos pioneiros 
na oferta de formação de qualidade para os executivos”

O IFAE tenciona ainda organizar este ano uma conferência internacional para executivos (sobre tendências de gestão) e um workshop (sobre gestão de tempo). Outra fórmula interessante é a realização de jantares com conferências (o último foi em Agosto, sobre cibersegurança), que permitem a discussão dos temas num ambiente mais informal. Está também prevista a realização de um grande evento, por ocasião do Dia Mundial da Poupança (31 de Outubro), que incluirá uma exposição dirigida ao sector financeiro.

Depois das pós-graduações, dos cursos de curta duração e dos seminários, conferências e eventos, a quarta grande área de actuação do IFAE é a investigação científica. Além da produção regular de artigos académicos, a grande aposta para 2010 consistiu num estudo sobre as pequenas e médias empresas (PME) angolanas, que teve o apoio da Universidade de Oxford e contou com o financiamento do Banco Nacional de Angola (BNA). O trabalho de campo, que foi realizado nalgumas províncias do país (Huambo, Kwanza-Sul e Benguela), já está terminado e os seus resultados serão apresentados ainda este ano.

Apesar do dinamismo e do espírito empreendedor que são patentes em todas estas iniciativas, David Boio lamenta a escassez de apoios e a ausência de um organismo angolano que certifique as formações dadas no país (até agora são as instituições internacionais parceiras do IFAE que assumem este papel).  Ainda assim, David Boio acredita no crescimento da sua instituição e confessa ter um sonho: “Um dia o IFAE vai passar a universidade.”

Clique para ampliar a imagem

Por: Faustino Diogo
 
Nome

E-Mail

Comentário


Enviar Comentário


Edição Impressa
Exame 37

O maior World Trade Center do mundo

Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares 
e poderá gerar negócios 
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.








 

 
 






 

Assinaturas

Medianova

Assine as publicações da Medianova e receba comodamente as várias edições em formato PDF no seu email