África
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Mohamed Ibrahim é um empresário nascido no Sudão que viveu grande parte do tempo em Inglaterra e fez fortuna no sector das telecomunicações. “Mo”, como é popularmente conhecido, tirou um mestrado em Engenharia Eléctrica na Universidade de Bradforth e fez um doutoramento em Telecomunicações Móveis na Universidade de Birmighan. O seu primeiro emprego foi na British Telecom. Em 1988, fundou a Celtel, uma operadora de telemóveis que hoje está presente em 15 países, a maioria dos quais em África. Em 2005, Mo vendeu a participação na empresa por 3,4 mil milhões de dólares tornando-
-se um dos africanos mais ricos da actualidade (está no 462.º lugar na listagem dos milionários mundiais da Forbes).
Desde então, Ibrahim dedica-se aos investimentos em África e à filantropia. Em 2007, já reformado, criou a Fundação Mo Ibrahim que, entre outras actividades, atribui anualmente um prémio a um antigo chefe de Estado africano que se tenha distinguido pela qualidade da sua liderança e governação. O júri é encabeçado por outra grande personalidade mundial hoje na reforma — Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU. Este ano, o colectivo decidiu não atribuir o prémio, tal como aliás já tinha feito em 2009. No ano anterior, o galardão tinha sido atribuído a Festus Gontebanye, Presidente do Botswana entre 1998 e 2008, ao passo que, em 2007 foi distinguido o antigo presidente de Moçambique, Joaquim Chissano. Nesse mesmo ano, o carismático Nelson Mandela venceu o prémio emérito. A Fundação também publica, desde 2002, o Ibrahim Index of African Governance, que monitoriza a qualidade da governação de 53 nações africanas (até 2007 o índice cobria apenas a África Subsariana).
O índice foi construído com o apoio inicial da prestigiada Universidade de Harvard. Inclui uma bateria de 88 indicadores, agrupados em quatro grandes áreas: leis e segurança; direitos humanos e participação; oportunidades económicas sustentáveis; e desenvolvimento humano. A pontuação obtida por cada país é baseada em dados estatísticos recolhidos junto de fontes internacionais reconhecidamente credíveis tais como o Banco Mundial, a The Economist Intelligence Unit, a Fundação Bertelsmann, o Banco Africano para o Desenvolvimento ou o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento.
Segundo a Fundação Mo Ibrahim, o índice tem dois grandes propósitos. Em primeiro lugar, visa mostrar às instituições internacionais que nem todos os países africanos são instáveis ou mal governados. Esses são infelizmente a excepção e não a regra. Em segundo, procura disponibilizar elementos estatísticos credíveis para que os cidadãos avaliem a acção dos governos, nomeadamente no que diz respeito às políticas sociais.
O índice de 2010 (relativo aos período de 2008 a 2009) demonstra que 27 países (ou seja, mais de metade) melhoraram a sua pontuação face ao ano anterior; 24 pioraram e 2 mantiveram--se estáveis. Angola obteve a maior variação positiva do ranking (mais 2,3 pontos percentuais), subindo um lugar e registando a sua melhor posição de sempre. A má notícia é que está apenas na 42.ª posição, entre 53 países, e continua abaixo da média.
Angola subiu em todas as categorias. Na de “direitos humanos e participação”, onde obteve a melhor posição (27.º), o país subiu três lugares (variação de um ponto). Igual subida de três posições foi verificada no critério “oportunidades económicas sustentáveis” (41.º), onde o acréscimo foi de 2,9 pontos. Na “legislação e segurança”, melhorou apenas uma posição (42.ª) e teve uma variação de 1,2. O calcanhar de Aquiles de Angola é o critério “desenvolvimento humano”, onde manteve o modesto 49.º lugar. Sobra a consolação de ter melhorado a “nota geral” em 4 pontos.
Se detalharmos mais a análise e observarmos os subcritérios verificamos que, por exemplo, na categoria de “segurança”, Angola é o terceiro melhor do continente no tráfico humano e na estabilidade social, e o 35.º na segurança pessoal.
Na “legislação” é o melhor do continente na aplicação de sanções e um dos piores nos direitos de propriedade (45.º). Na corrupção fica-se pelo 49.º lugar, ao passo que na segurança nacional obtém o 33.º lugar. Nos “direitos dos trabalhadores” obteve um brilhante 1º lugar entre os 53 países analisados. Nos “direitos humanos” ficou em 25.º, enquanto na “liberdade de imprensa” se ficou pela 33.ª posição. No que diz respeito ao “género” os melhores desempenhos são relativos aos itens “mulheres no parlamento”(3.º) e “legislação para a violência contra as mulheres” (11.º).
Na economia, o desempenho da “gestão do sector público “ficou em 45.º lugar e a do “sector privado” em 38.º Angola esteve particularmente mal na “percentagem do défice público face ao PIB” (46º) e na “qualidade das estatísticas” (48.º). O grande salto (subida de 12 posições) deu-se nas “infra-
-estruturas físicas” (22.º). O pior (descida de dois lugares) foi a “água e terrenos para a agricultura” (48º). Os problemas mais sérios residem no desenvolvimento humano. Angola é o pior país do ranking da “mortalidade infantil” (53.º) e o terceiro pior na” educação” (51.º). Conclusão óbvia: o país tem de continuar a fazer os trabalhos de casa se quiser melhorar a sua nota.
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