Edição nº 10
 

Liderança

Carlos Cunha, o rei do Showbiz

Publicado a 07-12-2010 10:15:00


Carlos 
Cunha, 
54 anos , 
casado 
e pai de 
dois filhos


A Casa 70 é a maior sala de espectáculos de Angola. Passados 12 anos da sua fundação, os mais de 500 shows já realizados naquela casa mítica, situada no número 70 da Avenida da Liberdade, em Luanda, enchem de orgulho aquele que um dia  ousou transformar a antiga Casa do Alentejo num dos melhores locais do país para se assistir a um bom espectáculo de música.  

Contrariamente ao que se podia esperar, a entrada de Carlos Cunha no mundo dos negócios não começou com a Casa 70. Herdeiro dos genes empresariais vindos do seu avó e do seu pai, a construção do grupo que hoje se intitula Valoeste começou em 1990, com a criação de um trading, com o mesmo nome, que assume a “paternidade” (holding) das áreas de negócios em que está envolvido (veja caixa à direita).

Nessa altura, a necessidade de importar bens do exterior, a maioria dos quais vindos de Portugal, era evidente. O sucesso nesta fase inicial do grupo foi tão grande (a título de exemplo foi quem mais vinhosvendeu, em 1992, em

A Casa 70 não dá lucro. Perdemos com os shows o que ganhamos com os banquetes 

Angola) que a mera importação já não cabia nas ambições deste empresário. Daí até à aposta em novos negócios, tais como a criação dos supermercados Valoeste, foi apenas um pequeno passo. “Achamos que apenas importar não era sustentável, portanto evoluímos para os supermercados. O primeiro nasceu no Golf, depois criámos uma boutique alimentar no Miramar e mais um supermercado no Cazenga”, diz Carlos Cunha.

Tal como sucedeu durante a fase da importação, também o negócio dos supermercados Valoeste correu bem. Embora confinada a Luanda, Carlos Cunha diz ter a rede de supermercados que mais vende na capital, com uma facturação de cerca de 2500 dólares por metro quadrado (valor obtido pelo rácio entre a facturação mensal e o número de metros quadrados do espaço). O empresário gosta de fazer a distinção entre o supermercado e a boutique alimentar, um conceito personalizado, virado para o público das classes média e alta, que vende, em média, 1 milhão de dólares por ano (por comparação, o supermercado Nzamba 1, no Cazenga, fica-se pelos 800 mil dólares por ano).

Fiel à alcunha de “homem dos sete ofícios”, Carlos Cunha associou-se à construtora portuguesa Teixeira Duarte para a criação da Maxi Cash Carry, para a área grossista, com uma participação de 40%. Era o seu maior negócio de sempre.

A chegada da paz em Angola serviu de pretexto para pôr em marcha uma das suas maiores ambições: regressar à terra natal, Kwanza-Sul, e reencontrar-se com a terra, criando um projecto agro-pecuário. Para realizar esse sonho teve de arriscar tudo e vender a participação na Maxi Cash Carry aos outros sócios. “Passados 35 anos, sentia uma grande ansiedade em voltar ao local onde nasci. Mal surgiu a paz, em 2002, propus à Teixeira Duarte a compra do meu maior negócio. Depois de um ano de árduas negociações vendi  a minha quota e investi todo o dinheiro na província do Kwanza-Sul”, explica.

Ciente dos riscos do negócio, o empresário partiu para a realização de mais um sonho, por sinal o mais apetecido, num período de incertezas que nem a paz conseguiu apagar. O caminho foi repleto de inquietações. “Na altura, para chegar à terra prometida, levava-se quase um dia para percorrer cerca de 300 quilómetros. Não havia quase nada, cheguei a dormir um ano numa caravana”, recorda.

Três fazendas no Kwanza-sul

A aposta na agro-pecuária começou com a aquisição de duas fazendas, a que veio juntar-se uma outra, que já era pertença da família, todas na província do Kwanza--Sul. Foram baptizadas com nomes em kimbundu, a sua língua nativa. Duas delas — a Mulundo (nome de um morro) e a Kanduma (na confluência entre dois rios) — tiveram como referência a localização. A terceira, Mbuenzo, recebeu o nome da sua avó. O empresário espera que o projecto esteja consolidado daqui a três anos.

Entretanto, o trabalho já vai bem avançado. Além da pecuária, existem 100 mil cabeças de gado bovino e 500 de gado caprino. Os terrenos agrícolas são servidos por uma tecnologia de rega norte-americana tida como mais avançadas nos campos de regadio. Daqui a seis meses, segundo estima o empresário, as fazendas do grupo Valoeste produzirão 2 mil toneladas de milho, 800 toneladas de feijão e 2 mil toneladas de batatas.

Ao mesmo tempo que foi desenvolvendo o negócio agro-pecuário, Carlos Cunha também foi criando pequenas estruturas de apoio como um restaurante, uma padaria e até uma pequena residencial. Elas servem não só os 300 trabalhadores que operam no campo, mas também as populações locais. A este propósito, Carlos Cunha diz, com orgulho, que tem tido um papel activo na comunidade onde já construiu 130 casas sociais, instalou 1000 famílias em 400 hectares de terra, construiu um chafariz e, com o apoio do governo local, construiu dez jangos sociais, um posto médico e prevê a construção de uma escola. “É essa a nossa obrigação como empresários. Em África as diferenças sociais não são importantes. Temos de saber dividir. O patrocínio tem de fazer parte da vida de qualquer empresário”, justifica. Com um brilho nos olhos, Carlos Cunha assume que, enquanto homem de negócios, aquilo que lhe dá mais gozo é a agro-pecuária, onde já investiu mais de 12 milhões de dólares entre capitais próprios e financiamentos.

O próximo desafio é a construção de uma fábrica de sumos, com marca própria (provavelmente terá o nome de Mbuenzo, em homenagem à sua avó). Carlos Cunha está igualmente atento às oportunidades de negócio noutras províncias. Tenciona construir um matadouro no Kwanza-Norte e montar um laboratório de análises clínicas e veterinária em Catete, na província do Bengo. Entretanto, vai piscando o olho ao ramo da construção civil, onde já possui três cerâmicas, uma em Catete, outra em Porto Amboim e a terceira no Waku-
-Kungo. Está já em marcha o plano de construção de uma quarta fábrica em Catete, com capacidade de produção diária de 70 mil tijolos, um investimento de 15 milhões de dólares para uma fábrica moderna que pretende ser uma das maiores do país. “A cerâmica consiste em converter barro em dinheiro”, diz divertido. “Julgamos que se trata de um bom negócio, onde conseguimos actuar com qualidade”, justifica.

Em consequência, o grupo, que emprega 850 trabalhadores, investiu durante os anos 2009 e 2010 mais de 30 milhões de dólares. “Foi um investimento um pouco a contraciclo do mercado”, sublinha. Carlos Cunha crê que os próximos dois anos  serão os de maior aposta na agro-indústria. “Os anos seguintes já exigirão certamente um menor investimento inicial, até porque o grupo não é rico e será necessário consolidar os negócios existentes”, justifica.

Um palco para as grandes estrelas

A Casa 70 tem um lugar à parte no coração do empresário. Os primeiros passos para a fundação da mítica sala de espectáculos foram dados nos anos 1983 e 1984, embora a inauguração oficial só tivesse ocorrido em 1998. As brasileiras Alcione e Simone, a cabo-verdiana Cesária Évora e os angolanos Bonga e Paulo Flores são apenas exemplos da enorme galeria de cantores que passaram pela Casa 70.

O segredo, segundo Carlos Cunha, está na relação de confiança que se criou entre os artistas e o dono do espaço. “Nós pagamos menos do que os outras salas de espectáculos. Nalguns casos chegamos a pagar menos de metade. Isso é um sintoma de qualidade. Os artistas sentem-se valorizados quando actuam connosco. Eles sabem que estar na Casa 70 é estar no top. Também os jovens artistas já sabem que, para se afirmarem como músicos, têm de passar pela nossa Casa. Isso aconteceu com Paulo Flores, Yuri da Cunha, Matias Damásio e tantos outros. Não é uma arrogância dizer isso, é a pura realidade”, conclui.

Regresso às origens: Carlos Cunha construiu 130 casas sociais, um chafariz e um posto médico. Só falta uma escola

Carlos Cunha esclarece, porém, que, ao contrário do que sucede nas outras empresas do grupo, a Casa 70 não ganha dinheiro. “A sala de espectáculos é apenas uma montra da nossa qualidade profissional.” Uma das razões para a ausência de rentabilidade é a falta de patrocinadores. As excepções, segundo o empresário, são os bancos e as operadoras de telemóveis que têm apoiado a realização de alguns espectáculos. Para fazer face a essa limitação, a Casa 70 teve de apostar noutras fontes de receitas, tais como a realização de cerimónias de casamento. “Conseguimos ganhar dinheiro cada vez que fazemos um banquete. Mas depois, assim que fazemos um show, perdemos tudo o que ganhámos antes”, explica. A Casa 70 também organizou, durante nove anos, o maior espectáculo de música ao ar livre do país, o Festisumbe, que ocorre na cidade do Sumbe, Kwanza-Sul. O ciclo apenas foi interrompido este ano por vontade dos promotores do festival.  

Agora são os filhos que gerem a Casa

Outro ciclo que se interrompeu foi a da própria liderança de Carlos Cunha à frente da Casa 70. Hoje, essa responsabilidade foi passada aos progenitores, Marcos e Vladimir Cunha. O fundador não esquece os inúmeros espectáculos que marcaram a Casa. Tenciona, em breve, publicar um livro onde partilhará essas experiências.  Confidenciou à EXAME que os três espectáculos que mais o marcaram foram os da Maria Bethânia, Luís Calaf e Percy Sledge. “A Bethânia realizou o show mais empolgante de sempre. Nunca vi uma pessoa cantar 42 músicas e recitar oito poemas em apenas 1 hora e 20 minutos. Também foi fantástico reviver o passado com o Luís Calaf, um merengue único. Também Percy Sledge, um músico que marcou a juventude estudantil do anos 70, foi uma grande referência para mim. Vou escrever as minhas memórias, onde contarei essas experiências”, diz. Nos próximos tempos estará certamente demasiado ocupado, tendo em conta os negócios em curso na sua amada terra natal: o Kwanza-Sul.

Grupo Valoeste
 

- Início
 

1990

- Fundador 

Carlos Cunha

- Trabalhadores 

850

- Áreas de negócio

Uma casa 
de espectáculos (Luanda), 
dois supermercados (Miramar 
e Cazenga); três fábricas 
de cerâmica (Catete, Porto Amboim e Waku-Kungo) e três fazendas 
para a agro-pecuária (Kwanza-Sul).

- Investimento em 2009 e 2010

Mais de 30 milhões de dólares 
(dos quais cerca de metade são relativos à nova fábrica de cerâmica).

- Projectos futuros

Nova fábrica de cerâmica (Catete), matadouro (Kwanza-Norte) e laboratório de análises clínicas e veterinária (Catete).

1998  Casa 70
a maior sala de espectáculos do país






2004  Agro-pecuária





2008  Cerâmicas









Por: Faustino Diogo
 

Comentários


  1. 2011-03-26 13:48:02
    Gostaria muito que esse comentario fosse mostrado ao msm e filhos pois quero que ele saiba que adoraria estar presente frente a frente com ele pois vc é covarde sou a esposa daquele moço que vc carlos cunha humilhou,pois saiba que vc vai pgr td o mau que fez ao meu esposo e ainda manda aquele outro flr ao meu marido que vc faliu,dois palhaços quem acredita em papai noel nem meu filho mas ñ é dinheiro que eu quero seu lixo é ver vc humilhado e tenha certeza verei

  2. 2011-03-26 13:47:46
    Gostaria muito que esse comentario fosse mostrado ao msm e filhos pois quero que ele saiba que adoraria estar presente frente a frente com ele pois vc é covarde sou a esposa daquele moço que vc carlos cunha humilhou,pois saiba que vc vai pgr td o mau que fez ao meu esposo e ainda manda aquele outro flr ao meu marido que vc faliu,dois palhoços quem acredita em papai noel nem meu filho mas ñ é dinheiro que eu quero seu lixo é ver vc humilhado e tenha certeza verei
  3. ANA
    2011-03-26 13:38:31
    MANDA O CARLOS CUNHA ANUNCIAR TAMBEM O QUANTO ELE É COVARDE COM OS FUNCIONARIOS DELE,AGRIDE,PEGA PELOS COLARINHOS,DOS FUNCIONARIOS MANDA EMBORA SEM PAGAR O QUE DEVE
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