Hotelaria
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Formar quadros capazes de responder aos desafios da hotelaria e turismo no país é o que se propõe a Escola de Hotelaria e Restauração (EHR). A iniciativa é uma parceria público-privada entre a empresa ENOTEL e o Ministério da Administração Pública Emprego e Segurança Social (MAPESS), no âmbito do projecto Formação, Trabalho e Desenvolvimento (FTD). Com pouco mais de um ano de actividade, a escola oferece cursos de formação em diferentes vertentes tais como o turismo (animação turística e a organização de eventos), alojamento (recepção, governanta, empregada de limpeza) e restauração (chefe de sala, empregado de mesa, auxiliar de cozinha e pastelaria).
OS CHEFES DA ESCOLA : A equipa é composta por 20 pessoas e reforçada com profissionais do sector que trabalham nos hotéis da capital
A escola, localizada na Rua do SIACA, em Talatona, apostou, numa primeira fase, em cursos técnicos (sete no total) com uma duração que varia entre os quatro e os seis meses. Os alunos pagam 20 dólares de inscrição e uma propina mensal que varia de acordo com a formação escolhida (veja caixa à direita). Os cursos têm um cariz essencialmente prático, baseado na experimentação, que obrigam os alunos a entrarem em contacto com aquilo que vão fazer quando estiverem inseridos no mercado de trabalho. “Os cursos capacitam as pessoas para trabalharem em hotelaria”, sintetiza Carlos Simonetti, director da EHR.
Para isso, a escola conta com salas devidamente equipadas — cozinha fria de preparação, cozinha pedagógica, pastelaria, restauração didáctica e laboratório de bar —, onde os formandos têm as aulas práticas. A formação ligada à recepção e à governação também tem o seu laboratório próprio na EHR. A escola conta ainda com um refeitório e esplanada que, numa primeira fase, começou por servir exclusivamente os integrantes deste projecto. O sucesso do espaço foi atraindo outros utilizadores pelo que hoje o restaurante é um espaço aberto ao público que tem a oportunidade de saborear aquilo que os alunos vão fazendo ao longo da sua formação.
Tratando-se de uma escola com a missão de formar técnicos, os cursos ministrados pela EHR não conferem nenhum grau académico independentemente de ser exigido aos formandos a 8.ª classe como formação mínima obrigatória. “Os nossos cursos não são de nível médio, nem superior. No entanto, exigimos um grau de escolaridade mínima, no caso, a 8.ª classe. No final da formação o aluno fica capacitado para exercer uma profissão específica, por exemplo, na cozinha ou como empregado de mesa e bar”, esclarece o responsável.
Para reforçar a componente prática da formação a EHR aposta nos estágios integrados, de 80 horas no mínimo, onde os alunos podem tomar contacto com a dinâmica laboral, através de parcerias estabelecidas com operadores do mercado. A “receita” parece ter funcionado. “Basta olhar para os pedidos que chegam à escola a solicitar estagiários. Muitos deles acabam por entrar no quadro das empresas no final do estágio tal como acontece com o Hotel de Convenções de Talatona onde grande parte dos seus trabalhadores nacionais é proveniente da EHR”, sublinha Carlos Simonetti.
A formação noutras cidades para além de Luanda também é uma prioridade para a EHR que já está a analisar as províncias por onde começar. “Nas províncias que visitámos denotámos uma grande carência ao nível de formação hoteleira”, diz o director convicto do sucesso do projecto de expansão da EHR. Outra aposta da escola é a crescente valorização dos formadores. Hoje, a equipa é composta 20 técnicos nacionais, muitos deles vindos de outros mercados e com comprovada experiência profissional, a par de profissionais estrangeiros que trabalham em hotéis da capital.
O trabalho de formação da EHR neste primeiro ano de vida já começou a dar os seus frutos. Muitos hotéis da capital olham para a escola como um “viveiro” que alimenta as suas carências de quadros. “Muitos hotéis quando precisam de pessoal, já vêm procurá-los aqui”, diz a responsável pela área comercial da instituição. Para reforçar a sua afirmação socorre-se das participação que a escola vai tendo nalguns eventos recentes, como a Feira Alimentícia, onde esteve presente com um stand que serviu comidas leves e bebidas. Outro exemplo foi a prova de vinhos organizada pela Atlanfina em que os alunos da EHR estiveram a realizar demonstrações.
Hoje, a escola orgulha-se de ter participado na formação de cerca de 200 alunos, número que, no entanto, espera ultrapassar a curto prazo, com o aumento da oferta de cursos. “Aumentar a quantidade, não significa perder qualidade”, asseguram os responsáveis. Quem trabalha em hotelaria e restauração está habituado a lidar com esta “receita”: servir muitas pessoas, sempre com a mesma qualidade.
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