Casinos do Mundo
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Macau é um pequeno território com apenas 30 quilómetros quadrados de área e uma população de 550 mil pessoas. Tal como Hong-Kong, goza do estatuto de região administrativa especial (os chineses que vivem noutras províncias precisam de um visto de entrada) sendo a única região da China onde o jogo é autorizado. Recorde-se que Macau só passou a fazer parte do gigante asiático em 1999, após a saída dos portugueses.
Até 2001, o negócio dos casinos, que representa 70% das receitas da região, era um império de Stanley Ho. O milionário, a quem chamam “o rei do jogo” e que possui nacionalidade chinesa, britânica e portuguesa, fundou o histórico Casino Lisboa em 1979, e o Grand Lisboa, em 2007. Enquanto o primeiro é um casino pequeno, barulhento, repleto de fumo que oferece dois jogos muito populares entre os chineses: o baccarat (cartas) e o sic bo (dados); o segundo apostou nas slot machines, nas mesas de póquer e black jack e numa oferta variada de restaurantes.
Hoje, Stanley Ho tem 89 anos e está na reforma devido a um problema de saúde ocorrido em 2009. Apesar do seu estado, o empresário continua a estar nas bocas do mundo devido a um doloroso conflito judicial relativo à partilha da fortuna com os herdeiros: quatro mulheres — a primeira delas falecida — e 17 filhos.
É que Stanley Ho continua a ser um homem muito rico. Tem investimentos em diversos países (China, Portugal, Filipinas, Vietname, Coreia, Moçambique e Timor-Leste) e ainda é responsável por cerca de um terço das receitas do jogo em Macau.
Porém, foi o fim do seu monopólio e a entrada em jogo dos grandes tubarões mundiais, ocorrida em 2004, que marcou o grande ponto de viragem do negócio dos casinos em Macau. O primeiro grupo a chegar foi o Las Vegas Sands (actual líder mundial, detido pelo milionário norte-americano Sheldon Adelson) que, construiu o casino Sands, em Maio de 2004. Seguiu-se a Wynn Resort, que edificou o casino Wynn Macau, em 2006, também em plena península. No final desse ano, os novos competidores instalaram-se na faixa de Cotai (5 quilómetros de terra “roubada” ao mar que liga as ilhas de Coloane e Taipa). O grupo chinês Galaxi foi o primeiro a construir um resort nessa faixa (no final de 2006). Seguiu-se o Venetian (em Agosto de 2007) e o Pallazo (em Dezembro de 2007), ambos do grupo Sands.
O Venetian, um investimento avaliado em 2,4 mil milhões de dólares, é o maior casino do mundo. Tem uma área de 564 mil metros quadrados, 3 mil máquinas e 870 mesas, um centro de convenções, uma arena de entretenimento (por onde já passaram grupos como a rebelde Lady Gaga e os veteranos Police), 350 lojas e restaurantes de luxo e um teatro que exibe um espectáculo permanente do Cirque du Soleil. A decoração do casino é inspirada na cidade de Veneza (existe uma réplica da Praça de São Marcos). Pelo interior do casino pontificam os canais onde se misturam as gôndolas de Veneza e as pirogas chinesas.
Mas a passagem de Macau ao estatuto de capital mundial do jogo deu-se apenas em 2008, data em que ultrapassou Las Vegas em receitas. O crescimento vertiginoso só foi interrompido no início de 2009 devido à crise mundial e às restrições à emissão de vistos (hoje os chineses das outras províncias só podem visitar Macau de três em três meses). Em Junho de 2009, James Parker e Lawrence Ho construíram o City of Dreams, que hoje é o segundo maior casino do mundo. No segundo semestre, a recuperação foi avassaladora. O ano 2009 terminou com um crescimento de 9,7% e com os 33 casinos de Macau a ultrapassarem a barreira dos 15 mil milhões de dólares de facturação.

O futuro avizinha-se ainda mais risonho. Nos próximos quatro anos, segundo um estudo da PricewaterhouseCoopers (PWC), Macau manterá o crescimento a dois dígitos e chegará aos 45,2 mil milhões do dólares (ou seja, o triplo de Las Vegas).
Hoje, a maior ameaça para Macau já não vem de Las Vegas, mas, sim, da vizinha Singapura que, em 2010, teve uma entrada directa para o sexto lugar dos países que mais facturam com o jogo. A proeza deveu-se a construção de dois grandes complexos: o Resort World Sentosa e o Marina Bay Sands, que representaram um investimento de 10 mil milhões de dólares. A ilha está a conquistar turistas asiáticos que vão de férias em família. Enquanto em Macau os visitantes (mais dirigidos para o jogo) passam, em média, 1,5 noites, em Singapura ficam 3,8 noites. Um dado curioso é que o governo obriga os cidadãos de Singapura a pagar 72 dólares de taxa para jogar no casino (os turistas) estão isentos. Daqui a três anos, segundo o mesmo estudo da PWC, Singapura pode ascender à terceira posição mundial (logo a seguir a Macau e aos Estados Unidos).
No que diz respeito à Ásia, o terceiro país que mais factura com o jogo é a Coreia do Sul. Mas os que estão a crescer mais rápido são as Filipinas (cujo Manila Bay Resort, um investimento de 15 mil milhões de dólares, estará pronto em 2013) e o Vietname (onde a MGM abrirá um casino em 2013).
Em consequência do boom de Macau e da ascensão de novos países como Singapura, a Ásia teve um crescimento de receitas de 47,9% em 2010 (desde 2008 que passou a Europa como a segunda maior região do mundo). No mesmo período, os Estados Unidos caíram 1,3% e a Europa (analisada no estudo da PWC juntamente com a África e o Médio Oriente) caiu 6,2%.
Nos Estados Unidos, Las Vegas continua a ser a capital do jogo (facturou cerca de 10 mil milhões de dólares em 2010), seguida de Atlantic City (com apenas um terço desse valor). Porém, o trunfo do país (que lidera claramente o top mundial) está nos casinos regionais (juntos facturam 26 mil milhões de dólares) e nos tribais (desde 1988 que os índios nativos americanos podem abrir casinos no interior das suas reservas). As 200 tribos, que exploram casinos em 20 estados do país, representam um volume de negócios de 17 mil milhões de dólares. Aliás o maior casino dos Estados Unidos não está em Las Vegas, mas, sim, no estado do Connecticut, gerido pela tribo dos Mashantucket Pequot.

Stanley Ho com a terceira mulher Chan Un-chan e a filha Florinda: Angela, a filha mais velha do primeiro casamento, está em lítigio judicial com o pai
Hoje, o problema de Las Vegas já não está na sua imagem, mas, sim, na própria conjuntura económica dos Estados Unidos. O declíno da cidade dos néones começou em 2007 devido à crise imobiliária. Seguiram-se três anos de estagnação, até que, em 2010, surgiram os primeiros sinais positivos. Hoje, a capital do estado de Nevada parece estar a recuperar mais depressa do que a rival Atlantic City (mais sujeita à concorrência regional). No ano passado, Las Vegas ganhou dois novos casinos: o CityCenter, da MGM Resort, com 165 mil metros quadrados, e o Cosmopolitan, com 75 mil metros quadrados. Em consequência, o estudo da PWC prevê que Las Vegas cresça ao ritmo anual de 4,1% até 2014.
A Europa é que parece estar com má sorte ao jogo. O continente foi afectado nos últimos dois anos pela crise financeira (nomeadamente nos países do Sul) e pelo colapso do jogo na Rússia (onde muitos casinos foram encerrados pelo governo). A França é o maior mercado (terceiro maior do mundo) seguido da Alemanha (sétimo) e do Reino Unido (décimo). Mas as esperanças para o futuro residem na Espanha onde, em 2013, será inaugurado o novo casino Gran Scala, que promete ser o maior do continente.
Felizmente há outras regiões do mundo que estão em crescimento. A América Latina é o segundo mercado mais promissor depois da Ásia. A seguir à queda de 4,4% em 2009, a região cresceu 24,2% em 2010. Para os próximos três anos, segundo o relatório da PWC, vai continuar a subir à taxa anual de 12,8%. O grande responsável por esse crescimento será o Chile (onde no ano passado abriram três novos casinos) seguido da Argentina.
No que diz respeito ao continente africano, a África do Sul é o player dominante, com 47 casinos, cerca de 40 mil máquinas e uma longa tradição no sector (embora não seja o maior, o nome mais sonante é o mítico Sun City). Em relação ao número de casinos, segundo o ranking do World Directory of Casinos, seguem-se o Quénia (13), Botsuana e Zimbabué (10), Maurícias (9), Marrocos (7), Guiné Equatorial (6) Senegal e Tanzânia (5), Tunísia e Uganda (4), Namíbia, Nigéria, Seicheles e Angola (3).
Considerando que a Casinos de Angola tenciona abrir mais três unidades nos próximos três anos, todas elas com uma dimensão assinalável, poderá deduzir-se que Angola irá dar um salto significativo no mercado do jogo a nível do continente. Tal como sucedeu no CHAN de Futebol, Angola pode vir a ser o outsider do campeonato que chega à final. Basta continuar a apostar.
Entre os dez primeiros, metade está em Macau
Área 546 000 m2
Máquinas 3000
Mesas 870
Restaurantes e bares 24
Quartos de hotel 3000
Site venetianmacao.com
Controlado pelo grupo Sheldon Adelson’s Las Vegas Sands (LVS), foi o primeiro casino gigante a abrir na região do Cotai (uma faixa de terra roubada ao mar). A luxuosa decoração é inspirada na cidade de Veneza (possui canais dentro do casino) e entre as animações destaca-se o Cirque du Soleil’s Zaia Show.
Área 420 000 m2
Máquinas 1350
Mesas 520
Restaurantes e bares 14
Quartos de hotel 1400
Site cityofdreamsmacau.com
Aberto no ano passado o City of Dreams é um projecto avaliado em 2,1 mil milhões de dólares, uma parceria entre Lawrence Ho (da Melco Crown Entertainment) e o milionário australiano James Packer. Também está localizado na faixa do Cotai na rua em frente ao Venetian Macau.
Área 340 000 m2
Máquinas 7000
Mesas 400
Restaurantes e bares 29
Quartos de hotel 824
Site foxwoods.com
O maior casino da América não está em Las Vegas ou em Atlantic City, mas, sim, no estado do Connecticut (perto de Nova Iorque e Boston). Aberto em 1986, é gerido pela tribo de índios nativos Mashantucket Pequot. Trata-se de um complexo de seis casinos com 17 tipos diferentes de jogos, 100 mesas para póquer e uma das maiores salas do mundo para bingo.
Área 270 000 m2
Máquinas 320
Mesas 150
Restaurantes e bares 3
Quartos de hotel 423
Site ponte16.com.mo
Abriu em 2008 e pertence à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, controlada por Stanley Ho e família. O Ponte 16 é um casino integrado num resort (que inclui, entre outras, um hotel de cinco estrelas e uma galeria dedicada a Michael Jackson) construído na baía de Macau, no coração da parte velha.
Área 266 000 m2
Máquinas 257
Mesas 12
Restaurantes e bares 2
Quartos de hotel —
Site riocasino.co.za
O Tusk Rio, detido pelo grupo Peermont, é o maior casino do Hemisfério Sul. É inspirado na paixão do Carnaval do Rio de Janeiro. Está localizado a poucas horas de distância de Joanesburgo e rivaliza com o histórico Sun City e o GrandWest Casino and Entertainment Word, em Cape Town, ambos detidos por Sol Kerzner.
Área 222 000 m2
Máquinas 835
Mesas 410
Restaurantes e bares 12
Quartos de hotel 593
Site mgmgrandmacau.com
Abriu em 2007 fruto da parceria entre o colosso de Las Vegas MGM Mirage e Pansy Ho Chiu-King, uma das filhas de Stanley Ho. O resort, localizado junto aos outros casinos históricos de Macau, já anunciou um ambicioso plano de expansão que inclui um novo hotel denominado Mandarin Oriental.
Área 229 000 m2
Máquinas 750
Mesas 1000
Restaurantes e bares 7
Quartos de hotel 51
Site www.sands.com.mo
Antes de Sheldon Adelson, o fundador do grupo Sands, ter aberto o gigante The Venetian, o casino Sands Macao, inaugurado em 2004, era a principal bandeira do grupo. Inclui um luxuoso hotel, desenhado pelo reputado Paul Steelman Design Group e está localizado em plena península de Macau.
Área 170 000 m2
Máquinas 2300
Mesas 178
Restaurantes e bares 20
Quartos de hotel 5044
Site mgmgrand.com
O casino está integrado num hotel de luxo. Inuagurado em 1993 e inspirado nos filmes de Hollywood, ainda hoje é um dos maiores hotéis do mundo. Operado pela gigante MGM Mirage (MGM), anteriormente detida pelo mitico investidor Kirk Kerkorian, o hotel tem 30 pisos, cinco piscinas, rios e até uma queda de água.
Área 165 000 m2
Máquinas 1000
Mesas 26
Restaurantes e bares 7
Quartos de hotel 1000
Site casino-lisboa.pt
Localizado no Parque das Nações, o Casino Lisboa é o maior casino da Europa. Inaugurado em 2006, é detido pela Estoril-Sol, cujo maior accionista é Stanley Ho (Américo Amorim tem 33% do capital), o barão do jogo em Macau. A empresa também detém o histórico Casino do Estoril e o da Póvoa de Varzim.
Área 161 000 m2
Máquinas 4100
Mesas 285
Restaurantes e bares 17
Quartos de hotel 2002
Site theborgata.com
O maior resort de Atlantic City, a segunda capital do jogo dos Estados Unidos após Las Vegas, é um investimento de 1,1 mil milhões de dólares que inclui um hotel e um spa. Inaugurado em 2003, é detido pelo grupo Boyd Gaming (BYD), que tem vários casinos espalhados pelos Estados Unidos.
Por: Jaime Fidalgo
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