Media
O australiano é filho de um jornalista que criou vários jornais e os deixou ao seu filho. O herdeiro, Rupert Murdoch, revelou-se ainda mais ambicioso. Hoje, ele é dono de um dos maiores impérios mundial de media, a News Corp., que detém, entre outros, os jonais Wall Street Journal, Times, The Sunday Times, The New York Post, a cadeia de televisão Fox e a rede social My Space. O britânico, por seu lado, é filho de um juiz e não herdou empresa nenhuma. Mas Richard Branson também começou na imprensa com uma revista estudantil lançada na adolescência. Hoje, o seu grupo Virgin é um conglomerado global que inclui operadoras de telemóveis, emissoras de rádio, fábricas de bebidas, uma empresa de aviação e uma outra que pretende levar pessoas para o espaço. Murdoch e Branson, cada um à sua maneira, devem tudo à palavra impressa. Mas a julgar pelos anúncios recentes, ambos vêem um futuro sem tinta ou papel.
Murdoch lançou, no dia 2 de Fevereiro, o The Daily, um jornal diário puramente digital. Isso, em si, não é uma novidade. A curta história da internet já viu o nascimento e a morte de incontáveis sites cuja intenção era ser uma fonte de notícias e de conteúdos originais. A diferença é que o novo jornal do bilionário australiano só poderá ser lido por quem tem um iPad, o computador em forma de tábua lançado no ano passado pela Apple. Murdoch criou uma equipa de luxo com 100 jornalistas proveniente de publicações de prestígio.
A sua expectativa é que, nesse novo tipo de aparelho, o negócio dos media possa resolver uma equação que até agora não teve solução: como ganhar dinheiro no mundo digital? Os analistas acreditam que o momento chegou finalmente com o iPad. O tablet proporciona uma leitura mais apelativa e confortável. Num certo sentido melhor até do que um jornal convencional. As notícias podem ser lidas no modo horizontal ou vertical, as imagens podem ser ampliadas ou diminuídas, os conteúdos são mais interactivos combinando texto, som e imagem. Do ponto de vista do negócio, também os conteúdos publicitário pode ser enriquecido som múltiplas fotos, vídeo e música, aumentando a sua atractividade para o leitor.
Não há dúvida de que o iPad proporciona um duplo benefício: para o consumidor e para a indústria dos media. O preço é outra boa surpresa. O produto pode ser vendido a um custo mais baixo, dado que é entregue on-line. Por outro lado, no mundo do iPad, os utilizadores estão acostumados a pagar pelos conteúdos, dado que a maior parte dos aplicativos são comprados on-line no iTunes, a loja da Apple. Murdoch, ao que se diz, investiu 30 milhões de dólares no The Daily. Se considerarmos que uma assinatura custa 99 cêntimos de dólar por semana e que, segundo as estimativas, este ano haverão mais de 30 milhões de iPad no mercado, o risco não é assim tão grande para a News Corp., um conglomerado que hoje factura 33 mil milhões de dólares.
“Ainda não faz sentido fazer notícias só para iPad”, diz Sarah Chubb, responsável pela área digital da Condé Nast, uma das mais prestigiadas editoras americanas, detentora de títulos como a Vogue ou a GQ. Segundo ela, a experiência de ler as notícias num ambiente fechado como o de um aplicativo de iPad impede as interacções sociais em sites como o Facebook, que hoje são importante fonte de descoberta de informações. Não obstante o grupo criou aplicativos iPad para as suas revistas mais vanguardistas New Yorker e Wired (para muitos esta é a revista do mundo com a versão para o iPad mais bonita e empolgante).
“Não tenho a menor ideia”, disse Richard Branson, às gargalhadas, quando questionado sobre porque lançou a revista Project para o iPad e não como um website. Muitas revistas criam versões digitais. Mas a Project (nascida em Novembro do ano passado ao custo de 2,99 dólares) não existe no papel. A primeira edição (cujo tema de capa é Jeff Bridges e o filme Tron) é fantástica, mas não tem nada de especialmente diferente face às versões para iPad de revistas similares. Um jornalista perguntou a Branson se ele concorda que, no final, o mais importante são os conteúdos, independentemente da plataforma tecnológica em que forem publicados. “Você tem de ter o melhor conteúdo e a melhor forma. Hoje, as pessoas têm muitas escolhas. É preciso criar burburinho. As pessoas têm de dizer umas às outras: ‘Você precisa de ler a Project’. Sem isso, a nossa morte será rápida. Mas, se criarmos um boca a boca, vamos durar muitos e muitos anos”, respondeu Branson. “Além disso tínhamos de bater o Murdoch, não acha?”, disse sorrindo.
RUPERT Murdoch, dono da News corp.:
Depois da compra da rede social My Space, acaba de lançar o primeiro jornal para iPad
Leia as manchetes do The Daily,
o jornal electrónico lançado no
mês passado por Rupert Murdoch
• O The Daily tem uma circulação diária.
• É vendido por assinatura semanal. Cada exemplar custa 99 cêntimos de dólar. A quantia será cobrada automaticamente pelo iTunes.
• A equipa tem cerca de 100 jornalistas vindos de outras publicações de prestígio da Europa e dos Estados Unidos.
• Estima-se que o investimento total no projecto foi de 30 milhões de dólares.
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