Imobiliário
O projecto de construção de 1 milhão de casas até 2012 sofreu um forte abalo com a crise financeira de 2009. Agora que a economia angolana recomeçou a crescer, o projecto, entretanto baptizado Meu Sonho, Minha Casa, sofreu um novo impulso. A iniciativa tem várias componentes. Em 2009, o Ministério do Urbanismo e Habitação estipulou que uma parte dos fogos serão erguidos pelo Estado (115 mil); uma segunda parcela (120 mil) pelo sector privado e uma terceira (685 mil) através da autoconstrução dirigida.No que concerne ao esforço do Estado, há a distinguir entre as casas sociais associadas ao realojamento de populações (tal como sucedeu no Zango, Sapu e Panguila e está em curso no Sambizanga e Cazenga, por exemplo) das chamadas “novas centralidades”, cujas habitações serão vendidas no mercado, a preços acessíveis (o Presidente estipulou o preço máximo em 60 mil dólares). O exemplo mais emblemático é a nova cidade erguida em Kilamba Kiaxi, junto ao novo estádio de futebol, cuja construção teve início em Setembro de 2008. O ambicioso projecto inclui 24 creches, 8 escolas, 1 hospital, 4 clínicas, 12 centros de saúde e 3 bancos. No início deste ano a gestão transitou do GNR (Gabinete de Reconstrução Nacional) para a Sonip (Sonangol Imobiliária). Esta última herdou também a zona económica especial de Luanda-Bengo, os projectos do Zango e Cacuaco, em Luanda, assim como as novas centralidades projectadas para Cabinda, Cuando Cubango e Dundo.

Autoridades tradicionais também não faltaram à chamada.
Porém, o montante não é acessível a todas as bolsas. “Estão a ser estudadas várias alternativas para o crédito hipotecário. No estudo preliminar que fizemos para um cenário de empréstimo a 12 anos, a uma taxa de juro de 12%, isso equivaleria a uma prestação mensal de 800 dólares”, diz. Já existe uma casa-modelo no local e, em breve, haverá um stand de vendas pelo que os interessados poderão desde já avançar para a compra. “Tanto as moradias como os apartamentos têm o mesmo preço. Nós não temos margem para fazer descontos. Os primeiros a chegar poderão reservar as melhores. As habitações estarão prontas em 30 meses”, garante.
Oferendas das autoridades provinciais vão dar boa sorte.
O conceito, segundo o director-geral da Kora, “valoriza a inclusão social e o viver comunitário. Os bairros serão dotados de infra-estruturas básicas como redes de água potável, electricidade, iluminação pública, esgotos, estradas asfaltadas, jardins, praças e outras áreas de convívio. E cada bairro terá ainda clínicas, escolas e creches, com o apoio do Executivo angolano”.
O autor do plano director dos projectos é o referido Jaime Lerner. Com 73 anos, de origens judaicas, ele foi durante vários anos o governador de Curitiba (a sua cidade natal) onde aplicou soluções urbanísticas elogiadas internacionalmente tal como o speedy bus (eléctrico rápido) ou o conceito de “comunidades urbanas integradas”. Além de arquitecto e urbanista, ele é professor da Universidade do Paraná e de Berkeley, nos Estados Unidos. “Jaime Kleber veio várias vezes a Luanda. O Governo recrutou-o para fazer o plano director do Kilambi Kiaxi”, diz Jorge Marques.
A fábrica de cimento requer o investimento de 120 milhões de dólares e irá gerar 5 mil empregos

Hoje, Angola tornou-se o mercado mais importante do grupo LR em África (representa cerca de dois terços do volume de negócios e dá emprego a 2 mil funcionários). Além da construção civil (onde se insere a participada Kora) o grupo tem uma promotora e uma gestora de participações imobiliárias, associadas aos projectos Solar de Alvalade e Vista Club, em Luanda e em Benguela. Uma segunda área forte é a educação. Em parceria com o Ministério da Educação, o grupo está a participar activamente na reforma do ensino técnico-profissional estando envolvido em 51 institutos (em breve serão mais 16).

Já existe uma casa-modelo que albergará o stand de vendas.
Outra área forte são as telecomunicações. O grupo esteve envolvido na criação da operadora de telemóveis Movicel (saiu logo após a privatização em 2008) e é o fundador da Net One, criada em 2009, em sociedade com a MS Telecom, um investimento de 25 milhões de dólares. Esta operadora, detentora da marca Net Kuya (que utiliza a tecnologia WiMax através das ondas de rádio), oferece serviços de internet de alta velocidade e voz fixa. Além de actuar como fornecedor de tecnologia de vários fabricantes, o grupo foi o mentor (hoje ainda é consultor) da InfraSat, que ambiciona ser o maior operador de comunicações via satélite de África e detém a marca UAU (televisão por assinatura).
A quinta área forte é a segurança tecnológica. Entre outras iniciativas o grupo LR está a apoiar no Governo nos projectos de guarda fronteiriça da Lunda-Norte e de Cabinda assim como no fornecimento de equipamentos e de tecnologia para o Laboratório de Investigação Criminal.
No final da entrevista, ficámos com a clara sensação de que ainda haveria mais projectos para apresentar. Mas o grupo LR prima pela descrição. Tanto o site como as brochuras institucionais, são apelativas graficamente, mas nada dizem sobre as actividades concretas em que o grupo está inserido. “Só no ano passado é que contratámos, pela primeira vez, uma directora de comunicação. Gostamos mais de falar sobre as marcas e os projectos do que sobre o grupo.” Kora é a marca mais recente de uma operação que, pelo menos desde o início do mês passado, já deixou de ser secreta.

Carlos Feijó ladeado do governador e vice-governador do Bié.
O grupo LR criou, em 2006, a Fundação LR Arte e Cultura que visa
apoiar projectos sociais nas áreas da cultura, educação e saúde. Para
cumprir esse objectivo, o grupo possui quatro casas da cultura em Luanda
(Ingombotas, Bairro Azul, Viana e Cacuaco). As casas estão equipadas
com bibliotecas, computadores e diversos programas de actividades
lúdicas que podem ser frequentadas pelas crianças da comunidade. “As
portas da Fundação LR Arte e Cultura e das suas Casas de Cultura estão
abertas de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas, com um limite de
capacidade de até 70 crianças por turno”, esclarece Michal Goren,
presidente da Fundação. As casas também oferecem cursos e oficinas
práticas de ensino-profissional e de educação artística nas áreas da
dança, teatro, música e literatura. No ano passado, a Fundação apoiou
diversas iniciativas culturais tais como a 7.ª edição da Coopearte e a
Amostra da Arte Mulher, da Galeria Celamar; a primeira edição do Atelier
Monumental e o Natal dos Sorrisos que reuniu 1000 crianças
desfavorecidas de diversas instituições de acolhimento.
O projecto mais mediático da Fundação denomina-se Salve o Coração de
Uma Criança. Consiste em oferecer tratamento cirúrgico especializado em
Israel a crianças angolanas vítimas de problemas cardíacos graves. “Até
ao final do ano passado, conseguimos angariar 52 crianças que foram
transportadas de avião para Telavive, acompanhadas pelos pais ou por um
familiar, e submetidas a uma intervenção cirúrgica no Hospital Wolfson.
Elas regressaram, 45 dias depois, sãs e salvas”, afirma. De referir que
este projecto beneficia crianças com menos de 10 anos de idade e é
realizado em parceria com a ONG israelita Save The Child’s Heart e o
Hospital Pediátrico David Bernardino de Luanda.
O célebre projecto sediado no Waku Kungo “renasceu” em Outubro de 2012 e já é o maior produtor de ovos