Edição nº 13
 

Imobiliário

O nome de código é Kora

Publicado a 16-03-2011 17:28:00
O projecto de construção de 1 milhão de casas até 2012 sofreu um forte abalo com a crise financeira de 2009. Agora que a economia angolana recomeçou a crescer, o projecto, entretanto baptizado Meu Sonho, Minha Casa, sofreu um novo impulso. A iniciativa tem várias componentes. Em 2009, o Ministério do Urbanismo e Habitação estipulou que uma parte dos fogos serão erguidos pelo Estado (115 mil); uma segunda parcela (120 mil) pelo sector privado e uma terceira (685 mil) através da autoconstrução dirigida.


PROVÍNCIAS AGRADECEM:
 400 mil casas sociais, em 
cinco províncias. 
O arranque 
foi no Bié, com o Ministro de Estado

No que concerne ao esforço do Estado, há a distinguir entre as casas sociais associadas ao realojamento de populações (tal como sucedeu no Zango, Sapu e Panguila e está em curso no Sambizanga e Cazenga, por exemplo) das chamadas “novas centralidades”, cujas habitações serão vendidas no mercado, a preços acessíveis (o Presidente estipulou o preço máximo em 60 mil dólares). O exemplo mais emblemático é a nova cidade erguida em Kilamba Kiaxi, junto ao novo estádio de futebol, cuja construção teve início em Setembro de 2008. O ambicioso projecto inclui 24 creches, 8 escolas, 1 hospital, 4 clínicas, 12 centros de saúde e 3 bancos. No início deste ano a gestão transitou do GNR (Gabinete de Reconstrução Nacional) para a Sonip (Sonangol Imobiliária). Esta última herdou também a zona económica especial de Luanda-Bengo, os projectos do Zango e Cacuaco, em Luanda, assim como as novas centralidades projectadas para Cabinda, Cuando Cubango e Dundo.

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Autoridades tradicionais também não faltaram à chamada.

No mês passado, deu-se início a mais uma vertente deste projecto de “sonho”: o das casas dirigidas à classe média. É neste contexto que surgiu em cena a Kora, uma nova empresa detida em 51% pela Sonip (Sonangol Imobiliária) e em 49% pelo grupo israelita LR. A Kora tenciona construir 40 mil casas, até 2013, em cinco províncias: Luanda (6 mil), Bié (7 mil), Huambo (12 mil), Moxico (3 mil), Uíge (7 mil) e Kwanza-Sul (5 mil). A escolha daquelas cinco províncias para a implantação desta primeira fase do projecto baseou-se em critérios socioeconómicos. “A intervenção visa melhorar a qualidade de vida das populações locais através da construção de casas condignas e das respectivas infra-estruturas urbanas”, afirmou Shimon Misrachi, director-geral da Kora Angola. Ao que a EXAME apurou, haverá projectos similares nas restantes províncias do país pela Sonip, em parceria com os chineses da CITIC, e que vão representar mais 70 mil casas. Somando os dois projectos estamos a falar de 110 mil casas, uma excelente contribuição para a concretização do “sonho”.

Habitações estão prontas em 30 meses

Os apartamentos 
e as moradias 
serão vendidas 
ao mesmo preço: 
55 600 dólares
Durante a cerimónia de lançamento da “primeira pedra” ocorrida no Bié (a que se seguiu igual iniciativa no Huambo), Jorge Marques, director-geral do grupo LR, esclareceu que o projecto Kora contempla residências isoladas, geminadas e prédios de três andares (todos com duas casas de banho e uma área média de 100 metros quadrados) que serão vendidas ao preço de 55 600 dólares. “Um valor óptimo tendo em conta a qualidade dos empreendimentos”, justificou à EXAME.

Porém, o montante não é acessível a todas as bolsas. “Estão a ser estudadas várias alternativas para o crédito hipotecário. No estudo preliminar que fizemos para um cenário de empréstimo a 12 anos, a uma taxa de juro de 12%, isso equivaleria a uma prestação mensal de 800 dólares”, diz. Já existe uma casa-modelo no local e, em breve, haverá um stand de vendas pelo que os interessados poderão desde já avançar para a compra. “Tanto as moradias como os apartamentos têm o mesmo preço. Nós não temos margem para fazer descontos. Os primeiros a chegar poderão reservar as melhores. As habitações estarão prontas em 30 meses”, garante.

Clique para ampliar a imagemOferendas das autoridades provinciais vão dar boa sorte.
Uma das inovações deste projecto é o conceito de comunidade urbana, da autoria do arquitecto brasileiro Jaime Lerner. Trata-se de uma filosofia de habitação que combina as zonas de prédios de três andares (no formato de “quadras”, com pátios internos comuns, de forma a favorecer as relações de vizinhança), com zonas separadas de moradias (junto às ruas) e outras áreas de comércio e serviços, lazer e zonas verdes. O objectivo final é o de aproximar as funções de habitação, trabalho e lazer.

O conceito, segundo o director-geral da Kora, “valoriza a inclusão social e o viver comunitário. Os bairros serão dotados de infra-estruturas básicas como redes de água potável, electricidade, iluminação pública, esgotos, estradas asfaltadas, jardins, praças e outras áreas de convívio. E cada bairro terá ainda clínicas, escolas e creches, com o apoio do Executivo angolano”.

O autor do plano director dos projectos é o referido Jaime Lerner. Com 73 anos, de origens judaicas, ele foi durante vários anos o governador de Curitiba (a sua cidade natal) onde aplicou soluções urbanísticas elogiadas internacionalmente tal como o speedy bus (eléctrico rápido) ou o conceito de “comunidades urbanas integradas”. Além de arquitecto e urbanista, ele é professor da Universidade do Paraná e de Berkeley, nos Estados Unidos. “Jaime Kleber veio várias vezes a Luanda. O Governo recrutou-o para fazer o plano director do Kilambi Kiaxi”, diz Jorge Marques.

A fábrica de cimento requer o investimento de 120 milhões de dólares e irá gerar 
5 mil empregos

Outra das inovações é o uso de um novo material, designado por cimento celular autoclavado (CCA), uma tecnologia alemã que, segundo a Kora, assegura maior qualidade e durabilidade produzida a custos mais baratos do que as soluções tradicionais. “Numa primeira fase vamos precisar de importar esse material. Mas daqui a 18 meses já estará pronta a nossa nova fábrica, que representa um investimento de 120 milhões de dólares e terá uma capacidade de produção de blocos para 22 mil casas”, diz Jorge Marques. A unidade industrial será erguida na zona industrial de Viana, devido à proximidade das duas matérias-primas básicas: o cimento e a sílica. “O projecto terá o apoio inicial do maior fabricante alemão de CCA e gerará mais de 5 mil novos postos de trabalho.”

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Jorge Marques, o director-geral do grupo israelita LR.
Este é, sem dúvida, o projecto com maior impacto social do grupo israelita LR, fundado em 1985, fortemente implantado em África e que possui mais de 180 empresas e 3 mil colaboradores. O grupo LR está em Angola desde 1991. Começou por operar na área do comércio e, a partir de 1998, na agricultura, defesa e telecomunicações. O grande salto deu-se após o fim da guerra, em 2003, com a criação da linha de crédito com Israel no valor de 220 milhões de dólares (três anos depois passou para 750 milhões e no ano passado foi alargada para 1,5 mil milhões).

Hoje, Angola tornou-se o mercado mais importante do grupo LR em África (representa cerca de dois terços do volume de negócios e dá emprego a 2 mil funcionários). Além da construção civil (onde se insere a participada Kora) o grupo tem uma promotora e uma gestora de participações imobiliárias, associadas aos projectos Solar de Alvalade e Vista Club, em Luanda e em Benguela. Uma segunda área forte é a educação. Em parceria com o Ministério da Educação, o grupo está a participar activamente na reforma do ensino técnico-profissional estando envolvido em 51 institutos (em breve serão mais 16).

Da agricultura às telecomunicações

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Já existe uma casa-modelo que albergará o stand de vendas.

O grupo LR também está na agricultura, sendo o projecto Aldeia Nova, no Waku Kungo, o mais emblemático (foi fundador, mas hoje apenas presta consultoria e assistência técnica). São igualmente conhecidos os projectos Terra Verde (produção de alimentos com o tomate, o pepino, a alface a beringela ou o repolho) e Avinova (produtos avícolas), ambos localizados no município do Cacuaco, fruto de uma parceria entre a angolana Copinol e a israelita Pusan. Há ainda mais dois projectos agro-pecuários na Lunda-Norte e em Malanje.

Outra área forte são as telecomunicações. O grupo esteve envolvido na criação da operadora de telemóveis Movicel (saiu logo após a privatização em 2008) e é o fundador da Net One, criada em 2009, em sociedade com a MS Telecom, um investimento de 25 milhões de dólares. Esta operadora, detentora da marca Net Kuya (que utiliza a tecnologia WiMax através das ondas de rádio), oferece serviços de internet de alta velocidade e voz fixa. Além de actuar como fornecedor de tecnologia de vários fabricantes, o grupo foi o mentor (hoje ainda é consultor) da InfraSat, que ambiciona ser o maior operador de comunicações via satélite de África e detém a marca UAU (televisão por assinatura).

A quinta área forte é a segurança tecnológica. Entre outras iniciativas o grupo LR está a apoiar no Governo nos projectos de guarda fronteiriça da Lunda-Norte e de Cabinda assim como no fornecimento de equipamentos e de tecnologia para o Laboratório de Investigação Criminal.

No final da entrevista, ficámos com a clara sensação de que ainda haveria mais projectos para apresentar. Mas o grupo LR prima pela descrição. Tanto o site como as brochuras institucionais, são apelativas graficamente, mas nada dizem sobre as actividades concretas em que o grupo está inserido. “Só no ano passado é que contratámos, pela primeira vez, uma directora de comunicação. Gostamos mais de falar sobre as marcas e os projectos do que sobre o grupo.” Kora é a marca mais recente de uma operação que, pelo menos desde o início do mês passado, já deixou de ser secreta.

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Carlos Feijó ladeado do governador e vice-governador do Bié.







 









Operação salvar corações
 

O grupo LR criou, em 2006, a Fundação LR Arte e Cultura que visa apoiar projectos sociais nas áreas da cultura, educação e saúde. Para cumprir esse objectivo, o grupo possui quatro casas da cultura em Luanda (Ingombotas, Bairro Azul, Viana e Cacuaco). As casas estão equipadas com bibliotecas, computadores e diversos programas de actividades lúdicas que podem ser frequentadas pelas crianças da comunidade. “As portas da Fundação LR Arte e Cultura e das suas Casas de Cultura estão abertas de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas, com um limite de capacidade de até 70 crianças por turno”, esclarece Michal Goren, presidente da Fundação. As casas também oferecem cursos e oficinas práticas de ensino-profissional e de educação artística nas áreas da dança, teatro, música e literatura. No ano passado, a Fundação apoiou diversas iniciativas culturais tais como a 7.ª edição da Coopearte e a Amostra da Arte Mulher, da Galeria Celamar; a primeira edição do Atelier Monumental e o Natal dos Sorrisos que reuniu 1000 crianças desfavorecidas de diversas instituições de acolhimento.

O projecto mais mediático da Fundação denomina-se Salve o Coração de Uma Criança. Consiste em oferecer tratamento cirúrgico especializado em Israel a crianças angolanas vítimas de problemas cardíacos graves. “Até ao final do ano passado, conseguimos angariar 52 crianças que foram transportadas de avião para Telavive, acompanhadas pelos pais ou por um familiar, e submetidas a uma intervenção cirúrgica no Hospital Wolfson. Elas regressaram, 45 dias depois, sãs e salvas”, afirma. De referir que este projecto beneficia crianças com menos de 10 anos de idade e é realizado em parceria com a ONG israelita Save The Child’s Heart e o Hospital Pediátrico David Bernardino de Luanda. 


Por: Jaime Fidalgo
 

Comentários

  1. Carlos Cuta
    2013-01-03 09:49:59
    Agradecia que me enviassem o vosso e-mail para posteruior contacto. Atentamente Carlos
  2. adriano Oliveira
    2012-11-26 19:27:30
    Gostaria que me enviasse o vosso mail, para poder entrar em contacto. Melhores Cumprimentos ~ adrianio oliveira|Eng.º
  3. adriano.oliveira.eng@gmail.com
    2012-11-26 19:26:50
    Gostaria que me enviasse o vosso mail, para poder entrar em contacto. Melhores Cumprimentos ~ adrianio oliveira|Eng.º
  4. josefa Quintão da Silva Mota
    2011-07-29 14:44:48
    É bom ajudar a causas solidarias
  5. João Viegas
    2011-04-10 00:49:30
    Exmºs. Senhores Tendo eu uma longa prática nos mais variados sectores de Construção Civil e Obras Públicas,inclusive na construção de Fábricas de Cimento e de Pré-Fabricados de Betão e em África,domínio de Inglês,Francês e Espanhol,pró-actividade, polivalência,motivação e disponibilidade total,solicito um Vosso contacto para o meu Email ou Tlm.00351962334949. Melhores cumprimentos. João Viegas
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Exame 38

Nova vida na aldeia nova

O célebre projecto sediado no Waku Kungo “renasceu” em Outubro de 2012 e já é o maior produtor de ovos








 

 


 

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