Arquitectura
Robert Stern, de 71 anos, é o que os americanos chamam starchitect, um arquitecto que assina alguns dos projectos mais disputados pelos ricos e famosos. O apartamento mais caro da história de Nova Iorque tem a sua assinatura.
Em 2008, antes da fase mais aguda da crise no mercado imobiliário americano, uma pent-house localizada no n.º 15 da rua Central Park West (sim, em frente ao Central Park e a 2 minutos a pé do Lincoln Center) foi vendida por 80 milhões de dólares. O comprador, um investidor britânico que quis manter o seu nome no anonimato, tem vizinhos famosos. No mesmo prédio moram o cantor britânico Sting e o actor americano Denzel Washington, além de Lloyd Blankfein, presidente do banco Goldman Sachs.
Noutro prédio de Stern em Nova Iorque, o Superior Ink, moram o estilista Marc Jacobs, director criativo da Louis Vuitton, e a actriz Hilary Swank.
Stern também é conhecido pelas casas que projecta, como a de Robert De Niro, e por ter sido o responsável pelos projectos arquitectónicos da Disney de 1992 a 2003. “Todos os estados americanos têm pelo menos um prédio de Stern”, diz Andre Kikoski, arquitecto americano que trabalhou com ele no seu projecto mais recente, o 1280 Fifth Avenue, em Nova Iorque.
Robert Stern fez a licenciatura na Universidade de Columbia, onde foi treinado para ser um modernista. Os seus prédios comerciais são repletos de vidros e de linhas rectas. Mas nos edifícios residenciais, que o tornaram famoso, Stern foi contra a corrente. Apostou numa arquitectura tradicional, com tijolo e madeira, bem diferente do design clean então em voga.
Por isso, ele ganhou a antipatia da grande maioria dos arquitectos americanos. Chamaram-lhe “neoclássico” e “retrógrado” (um dos adjectivos mais humilhantes usados no seu meio). Em sua defesa, Stern argumenta que prefere dar primazia à função de um edifício, ou casa, em detrimento da sua forma. Diz também que satisfazer as necessidades dos clientes está à frente do anseio de fazer um prédio que chame a atenção.
Ele está, portanto, no extremo oposto de Frank Gehry, o reputado canadiano que fez o Museu Guggenheim de Bilbau, em Espanha, e se tornou um ícone da arquitectura destinada a encantar os olhos.
Em breve, a arquitectura “retógrada” de Stern poderá ser conhecida por afortunados de outros países. “Nova Iorque foi a capital do mundo do século xx, mas o futuro já não está aqui”, diz ele. “Está em Xangai, Nova Deli e Bombaim, onde eu já fiz vários projectos, ou em São Paulo, onde nunca trabalhei.” Já existe um prédio de Stern no Brasil — mais precisamente, no Rio de Janeiro. É a Torre Almirante, um edifício comercial de 36 andares localizado no centro da cidade. “O que ele fez aqui é muito diferente do que costuma fazer em Nova Iorque ou noutras partes dos Estados Unidos ou da Índia. Ele gosta de se adaptar ao meio envolvente”, diz Ronald Ansbach, vice-presidente da Hines, que convidou Stern para fazer a fachada e as áreas comuns da Torre Almirante.
A razão porque Stern tenciona apostar nos países emergentes é fácil de explicar. São países cuja economia está em expansão, assim como o número de milionários, aqueles que podem suportar o investimento de 1 milhão a 5 milhões de dólares só para ter uma casa desenhada pelo seu escritório. Mesmo com todo o seu prestígio mundial, todas as suas conexões com as celebridades e toda a notoriedade alcançada com os seus prédios luxuosos, Stern também sentiu as turbulências geradas pela crise no sector imobiliário americano. O número de funcionários do seu escritório em Nova Iorque caiu de 300 para 200. Na economia, tal como na arquitectura, o futuro está nos países emergentes.


Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.