Serviços
Correr atrás dos clientes, acompanhá-los para onde quer que eles vão é uma das regras de ouro da globalização. Em particular quando estamos a falar da prestação de serviços às empresas.
A regra é seguida à risca pela Mazars, uma rede internacional de firmas de auditoria, contabilidade, consultorias fiscal e de gestão que acaba instalar-se de armas e bagagens em Angola através da abertura de um escritório em Talatona, Luanda-Sul.
“A dinâmica estrutural da nossa organização obriga-nos a apoiar a internacionalização dos clientes. A opção por um escritório permanente em Angola foi uma resposta natural às necessidades das empresas a que prestamos serviços”, confirmou Patrick de Cambourg, presidente/CEO do grupo Mazars num encontro com jornalistas angolanos nos escritórios da rede em Paris, no qual a Exame esteve presente.
Cambourg está à frente da Mazars desde 1983, ano em que sucedeu Robert Mazars, o contabilista que, em 1940, numa localidade perto de Rouen, França, fundou um pequeno gabinete de contabilidade que deu origem à actual Mazars: uma rede mundial de firmas de auditoria e consultoria com uma facturação superior a 1000 milhões de dólares e mais de 12 mil colaboradores em 56 países.
Mas a capacidade de oferta da Mazars não se esgota em recursos próprios. A rede é membro da Praxity, uma aliança internacional de 79 firmas independentes de prestação de serviços a empresas que actua em 84 países com uma equipa de 36 mil pessoas que geraram uma facturação global de 2,3 mil milhões de euros em 2009, incluindo a Mazars. De acordo com a Accoutancy Age, publicação especializada no sector, em 2007-2008, a Praxity posicionava-se como o nona maior player mundial de auditoria e consultoria com receitas de 3,2 mil milhões de dólares, num ranking liderado pela PricewaterhouseCoopers com 28,2 mil milhões.
“A relação da Mazars com Angola teve início em 1995 sob a forma de missões pontuais para clientes internacionais com operações em Angola, principalmente no sector da construção civil”, recorda Jacques dos Santos, partner da Mazars Portugal, a firma que apadrinhou a entrada da rede em Angola. A partir de 2000, a Mazars reforçou a presença com a fidelização de clientes noutras áreas nomea- damente dos seguros, mas os trabalhos continuaram a ser executados por equipas não permanentes.
O volume de trabalho angariado ao longo dos últimos anos e a sua regularidade criaram condições para o passo seguinte: a instalação de armas e bagagens em Angola, através abertura de um escritório detido pela Mazars Angola, sociedade de direito angolano, e gerido por uma equipa de gestão própria onde pontifica o angolano Carlos Freitas, partner responsável pela área de contabilidade.
“A instalação em Angola tornou-se vital para acompanhar os clientes em permanência. Caso contrário, o crescimento das nossas actividades no país seria limitado”, justifica Jacques dos Santos, que também preside à Mazars Angola.
Se é verdade que foi o acompanhamento de clientes internacionais que esteve na origem da descoberta de Angola, não é menos certo que o crescimento da Mazars Angola passa por clientes locais. Neste aspecto, a futura Bolsa de Valores e Derivados de Angola, que aumentará as exigências de reporting para as empresas nacionais, constitui uma oportunidade a explorar, em especial nas áreas de contabilidade e auditoria.
Além disso, os responsáveis da Mazars acreditam que “o país pode funcionar como hub regional, aproveitando o potencial de Angola como exportador nos sectores agro-alimentar e os seus vastos recursos naturais. Graças à sua localização geográfica, Angola pode assumir-se como um dos principais centros de negócios da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral”.
A Mazars pretende, através da sua vasta gama de serviços, contribuir para o desenvolvimento da região, nomeadamente em sectores como a energia e recursos hídricos, telecomunicações e redes intermodais de transportes que facilitem a circulação de pessoas e bens.
A Mazars Portugal está a prestar todo o apoio na implementação do escritório de Luanda e na formação das equipas angolanas, uma tarefa facilitada pelo facto de as duas Mazars partilharem a mesma língua. “O programa de recrutamento de auditores, contabilistas e consultores, em fase de conclusão, criará as condições para que a médio prazo a Mazars Angola atinja a velocidade de cruzeiro com os seus próprios recursos, actuando de maneira independente”, garante o gestor.
“Pretendemos participar activamente da dinamização dos projectos empresariais no mercado angolano”, afirma Jacques dos Santos. Como? “Através da oferta de serviços às empresas angolanas ou estrangeiras a operar no país que inclui três produtos-chave: auditoria; serviços de contabilidade e outsourcing; e consultoria”, responde o presidente.
Na área da consultoria, a Mazars Angolana propõe-se apoiar a implantação ou reestruturação de empresas em todas as vertentes, desde o project finance, com eventual pesquisa de parceiros de negócio e financiamento, até à definição da actividade nos planos comerciais, logística e engenharia de concepção e produção, passando pela análise e optimização de uma organização.
A oferta nesta área inclui ainda a avaliação de empresas ou negócios e o apoio à internacionalização, serviços que serão prestados com recurso ao know-how acumulado pela Mazars em mais de 70 anos de actividade.
A transferência das competências Mazars para os diferentes membros da rede não é um fato pronto a vestir. “Os nossos modelos são construídos respeitando a diversidade cultural e individual dos países em que actuamos, o que os torna mais ricos”, explica Patrick de Cambourg.
A visão e valores comuns, são também uma arma a utilizar pela Mazars Angola nos serviços de contabilidade e outsourcing, área que está sob responsabilidade do partner angolano Carlos Freitas.
A oferta inclui a organização e implementação de métodos e processos contabilísticos, a recuperação de contabilidades atrasadas e compliance fiscal, entre outros serviços. Na área da auditoria, a Mazars Angola emite opinião sobre contas individuais e consolidadas de empresas, verifica a aplicação de normas internacionais, implementa sistemas de organização e controlo interno, incluindo a elaboração de ma- nuais de procedimentos, e faz due diligences para aquisições de empresas.
Para a Mazars o exame às contas não é um exercício só para terceiros. “Como uma companhia que trabalha para garantir a transparência e a qualidade da informação financeira, a Mazars decidiu submeter-se a este exercício de transparência e desde 2004-2005 que publica as suas contas nas mesmas condições dos seus clientes”, orgulha-se o CEO do grupo.
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