Urbanismo
Especial Cidades
Enquanto em Angola as autoridades ainda se debatem com desafios como tentar diminuir as horas que são perdidas no trânsito ou como evitar as tragédias causadas pelas chuvas, outras cidades no mundo alcançaram um patamar bem mais elevado de discussão. São novas metrópoles que estão a ser erguidas do zero ou centros urbanos que implantaram soluções urbanísticas que são uma referência para o futuro.Por exemplo, em Songdo, na Coreia do Sul, será possível consultar um médico ou ir à escola sem sair de casa. Em KingAbdullah, na Arábia Saudita, todos os serviços públicos funcionarão 24 horas por dia e qualquer processo não levará mais do que 60 minutos para ser resolvido.
A cidade-estado de Singapura tem uma das maiores densidades demográficas do mundo. Mas evoluiu tanto nas soluções para os seus problemas básicos – como eliminar os congestionamentos de trânsito ou se tornar autosuficiente em água potável – que hoje o seu governo tornou-se consultor de outras cidades no mundo que querem ser mais inteligentes.
E o que são afinal as cidades inteligentes? Para o especialista são comunidades que usam as soluções tecnológicas e arquitectónicos mais modernas para melhorar a qualidade de vida das populações. A ideia é criar ambientes sustentáveis, eficientes, com um elevado grau de conectividade, assim como áreas de lazer e entretenimento.
Nos últimos anos o conceito de cidades inteligentes extrapolou o meio académico (e o plano da utopia) e tornou-se uma nova e lucrativa indústria. O sector alimenta desde os sofisticados escritórios de design, arquitectura e urbanismo até às multinacionais da tecnologia e dos serviços, tais como a Siemens, a IBM, a GE e a Cisco.
Estima-se que o mercado de soluções inteligentes para cidades já ascende a 1,2 biliões de dólares. Segundo um estudo recente da consultora Booz&Co, as cidades mundiais deverão investir 37 biliões de dólares nos próximos 25 anos para modernizar e expandir as suas infraestruturas.
Não faltam investidores e governos dispostos a aplicar dinheiro no sector. Na Coreia do Sul, já está parcialmente pronta a sua cidade mais inteligente, Songdo. O projecto, avaliado em 35 mil milhões de dólares, tem conclusão prevista para 2014. A construtora americana Gale comprometeu-se a construir a cidade em troca dos direitos de exploração dos imóveis. Coube à Cisco, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, desenvolver as soluções inteligentes que facilitarão a vida dos futuros moradores de Songdo. As redes de telefonia e internet são de última geração e permitirão conexões a velocidades inimagináveis para os padrões actuais.
O grande destaque será o inovador sistema de teleconferência - disponível em todos os apartamentos e salas comerciais - que permite que os moradores façam consultas médicas, assistam a aulas ou participem em reuniões de trabalho sem sair de casa e, portanto, sem pressionar o trânsito ou os sistemas de transporte.
Outra das características das cidades inteligentes é a sustentabilidade. A referência é a ambiciosa cidade e Masdar, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. A nova metrópole deve ser a primeira 100% livre de emissões de dióxido de carbono. Com uma área de 6 quilómetros quadrados e a população prevista de 40 mil habitantes, Masdar quer ser um laboratório para a investigação sobre o uso racional da energia.
Desde o início do ano que vários líderes políticos internacionais visitaram a cidade para obter inspiração. José Luiz Zapatero, primeiro-ministro espanhol, foi um dos mais activos. Na sequência da visita, os governos dos Emirados Árabes e da Espanha firmaram acordos de cooperação no sector da energia. “Masdar é um dos principais centros mundiais de investigação em energias renováveis”, disse Zapatero.
Mas nem todas as cidades inteligentes se assemelham a filmes de ficção científica. Uma tendência em alta entre os académicos é considerar as aglomerações urbanas como organismos vivos que desenvolvem novas necessidades constantemente.
Nesta perspectiva o mais importante é assegurar que os recursos são reutilizados, tal como sucede na Natureza. Isso implica um melhor aproveitamento das energias renováveis - como a água e o sol – e a reciclagem dos resíduos urbanos. Em suma, o verdadeiro – e mais importante – desafio é transformar as metrópoles tradicionais em ambientes mais inteligentes. Claro que é sempre mais fácil começar do zero – como fizeram Songdo ou Masdar – do que aplicar tais soluções em cidades que ainda têm problemas básicos como Luanda. Mas é sempre importante estar atento ao que de mais inovador se faz no mundo. Afinal, mais dia, menos dia, lá virá o tempo em que todas as cidades serão assim.
Cidade ecológica Masdar, Emirados Árabes
Zero será o índice de emissões de gás carbónico da cidade de Masdar, em Abu Dhabi,nos Emirados Árabes. Com uma inauguração prevista para 2014, Masdar não se destaca pela arquitectura dos edifícios, mas sim pelos seus avançados sistemas de energia renovável. Por exemplo, quando um morador entra no prédio, o sistema liga automaticamente a refrigeração, que usa energia fotovoltaica
Cidade integrada Corpus Christi, Estados Unidos
1 único computador central controla a maioria das operações municipais, como o sistema de abastecimento de água, o monitoramento das estradas, o tráfego no aeroporto e a iluminação pública na cidade de Corpus Christi, no Texas, nos Estados Unidos. A integração dos sistemas possibilita maior eficiência na operação e na redução nos gastos públicos.
Cidade tecnológica Songdo, Coreia do Sul
35 000 mihões de dólares é o investimento estimado para requalificar Songdo, na Coreia do Sul. O objectivo é tornar a cidade uma das tecnologicamente mais avançadas do mundo. Entre as inovações destaca-se o sistema de teleconferência que permite fazer consultas médicas, assistir às aulas ou participar em reuniões de trabalho sem sair de casa cidade eficiente

King Abdullah Economic City, Arábia Saudita
24-7-60 será o lema da cidade de King Abdullah Economic City, já conhecida como o “Vale do Silício árabe”. A promessa dos seus mentores é que as repartições públicas funcionem 24 horas por dia, sete dias por semana, e os processos sejam resolvidos em apenas 60 minutos. A meta é criar 1 milhão de empregos
Por: Luciene Antunes e Nicholas VitalConheça melhor a Cuca, com 80% do mercado, dona da Nocal,
Eka, N’Gola, 33 Export e da nova Skol.