Edição nº 16
 

GPS

Onde está a frota?

Publicado a 16-06-2011 11:41:00

Um dos problemas de quem tem uma frota automóvel é não saber onde param os seus veículos. Por vezes há avarias na estrada, há imprevistos como inspecções policiais mais demoradas ou atrasos na entrega de mercadorias, os motoristas podem ter prolongado em demasia as pausas ou, pior do que tudo, pode ter ocorrido um furto ou um acidente de viação. Por todas estas razões, investir num sistema de rastreio de viaturas pode ser um bom negócio.

Em 2007, a Era Óptima, que presta serviços de informação geográfica, decidiu investir na tecnologia de rastreio de viaturas, um produto até então pouco explorado em Angola. Foram necessários três anos e um investimento de 3 milhões de dólares para que a marca Mototrax ganhasse espaço no mercado. “Tivemos de fazer algum trabalho de casa prévio. Os nossos programadores demoraram cerca de três anos para desenvolver um sistema que se adequasse às necessidades do mercado angolano”, recorda o director de operações e marketing, Gustavo Wierzba.

No ano passado, a Era Óptima julgou ser altura de lançar o Mototrax, um equipamento de rastreamento de veículos que funciona por meio da emissão de sinais de uma antena embutida para um receptor (antena de telemóvel ou satélite) que, por sua vez, retransmite este sinal para um servidor de Web, ao qual o cliente pode ter acesso directo na página do serviço. O sistema pode realizar a transmissão tanto por satélite como através das operadoras que usam o sistema CDMA ou GSM. O preço é acessível. Enquanto o GPS da viatura pode custar 950 dólares, o valor mensal a pagar pelo serviço ronda os 150.

Com este sistema, explica Gustavo Wierzba, a Era Óptima consegue monitorar toda a frota de veículos dos seus clientes através da localização por GPS. “O cliente consegue criar os seu próprios filtros de informação e ser avisado em caso de qualquer ocorrência imprevista. O sistema permite, que o gestor seja avisado imediatamente, por e-mail, em caso de um acidente envolvendo o veículo ou de ultrapassagem de limite de velocidade”, esclarece. O responsável acrescenta que o serviço Mototrax já localizou algumas viaturas roubadas. “Os proprietários podem ver, em tempo real, onde o veículo está a circular e, caso detecte uma anomalia, acciona a polícia que saberá o local certo da viatura”, informa.

Além de garantir a segurança da viatura contra possíveis roubos, o Mototrax previne a ocorrência de possíveis fraudes (como um eventual funcionário menos sério que diz estar numa determinada zona quando afinal está noutra). “O sistema traz outras vantagens como, por exemplo, o aumento da produtividade, a redução do consumo do combustível e não utilização do veículo fora do turno”, sintetiza.

Hoje, o serviço Mototrax está disponível em todo país. “Podemos cobrir a maior parte do território desde que a zona tenha um sinal de telefone móvel”, diz Gustavo Wierzba. A Era Óptima não é obviamente a única empresa a oferecer este serviço. Logo, segundo o responsável, as armas de diferenciação são o facto de estar sediada em Angola (muitas concorrentes vendem simplesmente o produto através do país de origem) e o serviço de atendimento ao cliente. “Na Mototrax, o cliente não se envolve nos aspectos operacionais do serviço, tais como a compra do chip ou o pagamento da manutenção da linha às operadoras (Unitel e Movicel) e pode usufruir de apoio técnico e manutenção”, garante.

Localizar zonas urbanas e pessoas

No que diz respeito aos clientes, a Era Óptima já tem 600 utilizadores do Mototrax em vários negócios caso das empresas de transporte de valores (dinheiro, diamantes, petróleo) e as ligadas à distribuição de alimentos, material de construção de civil, jornais e revistas. Para este ano, a Era Óptima tem como meta atingir 1000 clientes activos e criar pontos de venda e de assistência. A médio prazo, pretende-se que o serviço Mototrax chegue a outros países do continente (o Congo Brazzavile é o que está mais avançado) e ao Brasil.

Segundo Gustavo Wierzba, “o próximo lançamento da empresa será o serviço de localização de zonas via GPS. Para isso será desejável que as zonas do país estejam todas numeradas e que as ruas e becos tenham nomes. Noutros países africanos já estamos a realizar esta actividade, mas em Angola ainda falta disciplina urbana nalgumas cidades”, frisou. A Era Óptima tem ainda um desafio mais ambicioso: pretende passar a localizar pessoas através de um relógio. Isso seria algo óptimo.

Por: Adão Gil
 
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