Edição nº 18
 

Economia

Nota de Angola continua a subir

Publicado a 09-08-2011 14:27:00
A agência de rating (notação financeira) americana Standard & Poor’s (S&P) aumentou em um nível a classificação da dívida de longo prazo de Angola, de B+ para BB– (veja quadro “Rating africano”). A melhoria, tornada pública a 12 de Julho, foi justificada por a S&P considerar que a situação orçamental e comercial do país “registou um rápido fortalecimento, que foi sustentado não só pelos elevados preços do petróleo, mas também pelas reformas estruturais realizadas no âmbito do acordo de Stand-By Arrangement celebrado com o FMI”.


Carlos Alberto lopes: Melhor rating, significa juros de dívida pública mais baixos. Uma boa notícia para o ministro das Finanças

Para o futuro, as projecções também são optimistas. A S&P acredita que “se os preços do petróleo mantiverem a tendência ascendente e se a produção de crude aumentar, a economia angolana deve prosseguir uma trajectória de crescimento nos próximos três anos”. Além disso, os especialistas da S&P consideram que Angola realizou “um progresso substancial na clarificação dos atrasos nos pagamentos aos seus fornecedores acumulados em 2008 e 2009”.

Como parte dos esforços realizados para fortalecer a gestão das finanças públicas, a S&P refere ainda que “o Governo também implementou alterações significativas nos procedimentos orçamentais, com o propósito de prevenir a acumulação futura de dívidas ao exterior”.

O relatório faz um elogio claro às medidas do Executivo. Todavia, a equipa de especialistas da S&P não deixa de


As outras agências — Fitch e Moody’s – também já haviam subido um nível a notação de Angola
referir que “o nível de prosperidade (medido pelo PIB per capita) de Angola excede em larga medida o rating de BB– conferido a outras economias como o Bangladesh, Mongólia e Vietname. O problema, no caso de Angola, “é o de ainda subsistir uma larga disparidade de rendimentos”.

Pela positiva, a S&P refere que é de esperar um crescimento assinalável dos sectores não petrolíferos (que partem de uma base modesta) assim como uma subida das receitas fiscais e uma descida dos níveis de endividamento público. Pela negativa, assinala a forte dependência do país face ao petróleo, que gera uma situação de maior vulnerabilidade aos choques externos.

Por todas estas razões, a S&P classificou a dívida soberana de longo prazo de Angola, quer em moeda estrangeira quer em moeda local, com um rating de BB– e conferiu um outlook (estimativa de evolução) “estável” para o país. Recorde-se que as duas outras agências de rating também já tinham revisto em alta a nota de Angola. A Fitch, em 24 Maio deste ano, subiu o rating para BB– (a mesma classificação atribuída agora pela S&P) ao passo que a Moody’s (que segue uma tipologia de classificação diferente) também já havia aumentado, em Junho, o rating em um nível (de B1 para Ba3).

Na tabela actual da S&P, Angola apresenta uma classificação superior à da Nigéria, ficando atrás da África do Sul e do Botsua- na (o melhor do continente) no que diz respeito à região da África Subsariana.


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Por: Manuel Cruz
 

Comentários

  1. Norberto Benjamim
    2011-09-30 15:10:41
    As agências de rating sendo instituições especializadas em avaliar e classificar a capacidade das empresas ou países em liquidar o crédito que é concedido (valores e juros) de acordo com o horizonte temporal estipulado através de notas de risco. Esta capacidade dos países no reembolso das liabilities(dívidas) depende em primeira instância da disponibilidade de recursos para fazer face a tal. Sendo Angola um país produtor e exportador de petróleo e com a generosidade do mercado está em condiçoes para tal. Portanto nada de outro mundo.
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