Consumo
Audácia, raciocínio rápido e espírito de vitória são atributos que têm sido usados para descrever o alemão Sebastian Vettel. O actual campeão de Fórmula 1, o mais jovem da história, está na pole position para renovar o título (na altura que fechámos esta edição faltava-lhe apenas um ponto). Não deixa de ser curioso que o austríaco Dietrich Mateschitz, um senhor de 67 anos que está por detrás do fenómeno Vettel, seja merecedor dos mesmos adjectivos. Mateschitz, o homem mais rico da Áustria, é o fundador da Red Bull, marca que lançou uma nova categoria de bebidas, a das energéticas, e criou as equipas de Fórmula 1, Red Bull Racing Team (de Vettel) e Toro Rosso.Nos anos 80, o estudo de mercado encomendado à NDP antes da bebida começar a ser vendida na Áustria, foi enfático: “Nunca um produto esteve tão fadado ao fracasso quanto este.” Os testes haviam revelado uma bebida de gosto desagradável e de propriedades semelhantes às de uma dose grande de café, consideradas irrelevantes diante do preço proposto, oito vezes mais caro do que uma lata de Coca-Cola.
Em resumo, o estudo dizia que era um disparate esperar que o sucesso das bebidas energéticas na Ásia, onde Mateschitz foi buscar a inspiração, seria repetível na Europa. O vaticínio pessimista não foi suficiente para abater a ousadia de Mateschitz. O ex-funcionário da área de vendas da Blendax, empresa alemã de produtos de higiene, avançou em 1987 com o plano de lançar a Red Bull e apostou todas as suas energias na estratégia de associar o seu produto aos desportos radicais e aos jovens. “Desde o seu início, chamar a atenção do seu público-alvo, patrocinando equipas e atletas, tem sido a marca registada da Red Bull”, diz David Reibstein, professor de Marketing da escola de negócios de Wharton, da Universidade da Pensilvânia.
A Red Bull foi uma das pioneiras na exploração do chamado “marketing experiencial” (experential marketing), que consiste em fazer com que o seu público-alvo viva experiências relacionadas com a marca, tais como eventos culturais e desportivos, viagens ou degustações. Na visão de Mateschitz, para vender o produto não basta ter uma rede de distribuição que garanta a presença da bebida nos locais certos. A Red Bull cria eventos originais, ligados à cultura urbana, tais como concursos de dança e de dj e inventa modalidades como a corrida de aviões Red Bull
Na estratégia inovadora de Mateschitz, nada se compara à Fórmula 1, modalidade na qual se estima que tenha investido 670 milhões de dólares desde 2004. Com as vitórias consecutivas nas recentes temporadas, a marca dos dois touros que se enfrentam diante de um sol amarelo tem sido a que beneficia de mais tempo de exposição. A empresa precisaria de ter pago quase 220 milhões de dólares em 2009 e cerca de 350 milhões em 2010 para comprar um espaço equivalente na televisão.

“A marca Red Bull é um exemplo do que há de mais moderno no marketing que consiste em levar o público até ao produto. É muito mais trabalhoso promover um evento único que comunique, de forma eficaz, o conceito da marca, do que criar uma campanha de 30 segundos para a televisão. Mas os resultados são também muito melhores”, defende Abaetê de Azevedo, presidente da agência de publicidade Rapp Collins, uma das maiores do mundo.
Em 2010, a Fórmula 1 registou 116 mil horas de transmissão para 187 países e conquistou 530 milhões de espectadores. A Red Bull é a marca com mais exposição no grande circo
Apesar de ser quase um septuagenário, Mateschitz diz que mantém uma rotina “acelerada”, o que inclui a ingestão diária de dez “latinhas” do elixir que o tornou um mito no mundo dos negócios. O austríaco, com uma licenciatura em Gestão, tem um porte atlético e diz não gostar de eventos sociais. Mas, quando comparece num deles, traz invariavelmente uma bela e jovem mulher ao seu lado, e nunca a mesma. O milionário austríaco monta a cavalo, pilota aviões e chegou a competir numa prova offroad de motocross em 2010. Quando o assunto é marketing, Mateschitz não para de dar asas à sua imaginação.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.