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A Sistec (nome que resulta da combinação da palavra “sistemas” com “tecnologia”), resulta da divisão da Protécnica, nascida em 1981, sendo a primeira empresa privada criada após a independência. Na altura a “mãe” Protécnica tinha três sócios. Cada um deles, ficou com uma das suas divisões. Botelho de Sousa “herdou” a Angotécnica (dirigida ao comércio de automóveis). Vitorino Guedes com a Tecnoserve (dedicada às telecomunicações e fotocopiadoras) e Rui dos Santos com a Sistec (informática).
Rui DOS SANTOS:
“Somos pioneiros da tecnologia em Angola. Um dos nossos trunfos é a assistência técnica garantida”, defende
Esta última nasceu formalmente a 1 de Julho de 1991, com apenas 23 empregados. Hoje, 20 anos depois, tem 654 trabalhadores, cerca de 20 mil clientes e factura 65 milhões de dólares (estimativa do fundador para 2011). No sector da informática “deverá ter uma quota de mercado 20% e cerca de 380 milhões de dólares em máquinas instaladas”, informa o presidente Rui dos Santos. A área representa cerca de 30% da facturação da Sistec e inclui marcas famosas como a Cisco, IBM ou a chinesa Lenovo — que, em 2005, adquiriu a divisão de computadores da Big Blue. Hoje, a Sistec também vende outros equipamentos a clientes empresariais como impressoras, fotocopiadoras (caso das marcas KonicaMinolta e a Risograph), servidores, redes ou software. Outras áreas associadas são os sistemas de energia (UPS e estabilizadores de tensão, por exemplo) e de acesso à internet. Nas telecomunicações oferece diversas soluções, com e sem fios, e por satélite.
Data da fundação: 1991 (herdeira da Protécnica, nascida em 1981)-
Presidente: Rui M. Dos Santos
Colaboradores: 654 (em Agosto de 2011).
Facturação em 2010: 60 milhões de dólares
Facturação prevista para 2011: 65 milhões de dólares
Clientes: 85 mil registados (20 mil activos).
Valor patrimonial: 1,2 milhões de dólares (estimativa).
Áreas de produto: Sistemas, escritório, lar, sesporto, som e PA; energia, internet, comunicações, formação, hotelaria.
Rede de lojas: Cabinda, Uige, Luanda, Malange, Gabela, Sumbe, Benguela, Lobito, Huambo, Lubango, Namibe (representações no Soyo, Ondjiva, Kuito e Saurimo).
Participadas: Haritécnica (Portugal); Itelnet (comunicações); Sishotel (hotelaria), SuperStar (Heath Clubs).
Site: www.sistec.co.ao
Existe ainda a divisão electrónica onde se salientam os equipamentos profissionais de música e som (incluindo para DJ), sistemas de iluminação e sonorização de recintos desportivos.
Destaque ainda para os produtos dirigidos ao lar como as parabólicas, electrodomésticos (Whirpool), HI-FI e TV (JVC), bombas de água, geradores e quadros eléctricos. Um dos pontos de diferenciação da Sistec é a assistência técnica garantida. “Em Angola os equipamentos sofrem um enorme desgaste devido ao calor, às quebras de corrente, à humidade ou à poeira.
Daí a aposta forte na assistência, manutenção e fornecimento de peças”,esclarece. O mesmo se poderá dizer da formação. “A área existe desde a fundação da nossa empresa. Somos pioneiros, por exemplo, na formação em informática, incluindo programação. Também ministramos outras áreas mais específicas como a gestão de bases de dados ou até a música. E existem outras empresas, com os bancos por exemplo, que alugam as nossas salas para formação.”
O segundo e mais importante negócio é a área do desporto. Nas palavras de Rui dos Santos hoje a Sistec é líder clara em Angola na montagem de ginásios domésticos e profissionais (incluindo a sua gestão) e na venda de equipamentos (é a distribuidora exclusiva da reputada marca Technogym). O próximo “passo” será a abertura da rede de ginásios SuperStar, onde a Sistec é apenas uma das accionistas, e que abrirá um megaginásio, com uma área de 5 mil metros quadrados, no shopping Gika. O espaço representa um investimento de 5 milhões de dólares e servirá igualmente como sala de demonstração dos produtos da marca para o desporto. Igual montante será gasto na abertura de uma grande loja Sistec no coração do shopping. Rui dos Santos confessa que o atraso na inauguração do Gika está a causar alguns constrangimentos. “Há um custo de oportunidade importante. Trata-se de um grande investimento e esse dinheiro poderia estar a ser aplicado noutros projectos”, lamenta.
A prová-lo está o facto da Sistec ter um ambicioso projecto de expansão da sua sede em Luanda ao qual não deu prioridade. “O nosso projecto de um novo edifício de 15 andares, no espaço contíguo à actual sede, ainda está em fase de aprovação. Estamos a discutir quantos andares ficarão à superfície e quantos ficarão abaixo do solo. Mas trata-se de um investimento de 20 milhões de dólares que, numa segunda fase, vai incluir a demolição do actual edifício principal”, diz o fundador. Recorde-se que hoje a Sistec já ocupa um quarteirão no final da Rua Comandante Che Guevara (à direita de quem sobe). O espaço inclui uma loja no piso térreo, escritórios nos pisos superiores e um ginásio, havendo ainda outro espaço Sistec no outro lado da rua.As novidades não se ficam por aqui. A Sistec, em parceria com os Correios de Angola e o Instituto das Telecomunicações, vai criar um novo operador de telecomunicações fixas e por satélite denominado Itelnet, num investimento de 2 milhões de dólares. Além de apresentar várias inovações tecnológicas uma das vertentes será a aposta no e-learning (Rui dos Santos é um aficionado da banda desenhada e até já criou a figura do “Dr. Coruja” que será o rosto dos conteúdos pedagógicos). Outro projecto em curso é a expansão da rede de lojas Sistec, cujo objectivo é estar presente em todas as capitais de província. Este ano, a marca vai abrir no Uíge e Malanje e, no próximo ano, será a vez de Saurimo e Bazacongo (hoje já está presente em Luanda, Benguela, Cabinda, Lobito, Huambo, Lubango, Gabela e Sumbe — veja mapa).
Também no próximo ano a Sistec irá inaugurar a sua fundação que será focada no apoio às áreas do desporto, da banda desenhada e das artes e dará uma especial atenção aos mais idosos (incluindo os trabalhadores reformados da Sistec). Importa referir que a marca tem tido, ao longo dos seus 20 anos, uma postura activa na responsabilidade social. A título de exemplo, a empresa suportou o lançamento das revistas de banda desenhada A Parada dos Kandengues, sob a direcção do famoso cartoonista angolano Lito Silva, que tem uma tiragem de 3 mil exemplares e já vai na 19.ª edição. A empresa também apoia o clube desportivo O Maculusso, nas suas modalidades de andebol e basquetebol feminino, junto dos escalões mais jovens (iniciados, juvenis e juniores). “Quatro atletas da selecção nacional de basquetebol e cinco do andebol feminino, que venceram recentemente as competições africanas, saíram do nosso centro de formação”, diz com indisfarçável orgulho. A Sistec é igualmente patrocinadora do clube desportivo Os Persistentes (que se distinguiu em modalidades como o ciclismo — várias vez campeões nacionais —, o ténis de mesa e o xadrez) e o clube desportivo Ara da Gabela (a cidade onde Rui dos Santos passou a infância).
Em sentido inverso, Rui dos Santos assegura que continua a investir bastante em investigação e desenvolvimento, acrescentando que a Sistec está registada no Centro Nacional de Tecnologias de Informação ao nível do desenvolvimento de software. Outra área que tem merecido especial atenção por parte do fundador é a actualização dos conteúdos no site da empresa e a participação nas redes sociais (na altura em que fechámos esta edição da EXAME, a Sistec tinha 1720 amigos no Facebook e diversos vídeos publicitários postados, muitos deles “históricos”, no YouTube).
Só que a internet e as redes sociais também têm um reverso da medalha. Ao pesquisarmos a Sistec no Google deparámos com um blogue onde são postadas acusações graves sobre a empresa e o seu fundador, tais como o favorecimento em concursos públicos e a sobrefacturação. Rui dos Santos não se furtou a comentar o assunto.
“São alegações que remontam a 1992, feitas por um antigo funcionário que nos ameaçou que divulgaria esse tipo de notícias caso não lhe pagássemos uma determinada quantia. Como não cedemos à chantagem, essas alegações, que são completamente falsas, foram publicadas no jornal Folha 8. Na altura, publicámos um esclarecimento no jornal que, infelizmente, não teve o mesmo destaque da primeira notícia. Agora, estranhamente, regressaram essas histórias que remontam a 1992, tendo como pano de fundo a apresentação do Orçamento Geral do Estado deste ano. Não se percebe a relação. Até falam em dividendos de 200 milhões de dólares, um valor superior à nossa facturação actual. Como são notícias tão fantasiosas, desta vez nem nos demos ao trabalho de lhes dar importância”, esclarece.Rui dos Santos admite, no entanto, que o sector público é o principal cliente da Sistec (aliás isso é visível no site onde surgem como maiores clientes a Angop, TPA, BAI, BNA, BPC, RNA, Sonangol, Casa Militar, Governo Provincial de Luanda ou os Ministérios do Comercio, da Defesa ou do Interior). “Isso não é estranho. Eu não tenho percentagens exactas, mas diria que cerca de 80% dos negócios em Angola, fora da alimentação e bebidas, ainda passam, directa ou indirectamente, pelo Estado. O crescimento da nossa economia ainda está muito dependente do Estado que é o grande comprador.” O fundador acrescenta que o caso desse funcionário é uma excepção dado que todos os trabalhadores “vestem a camisola”. “Muitos deles estão aqui desde a fundação”, justifica.
“Devo ter apenas 20% do capital da Sistec. O resto foi distribuído aos empregados”
Um último indicador, revelado por Rui dos Santos, faz prova da enorme evolução da empresa desde a sua fundação. “Em 1991, quando começámos tínhamos um valor patrimonial de 1,2 milhões de dólares. Hoje, deverá valer 120 milhões.” Como se vê, aos 20 anos, a “mais velha” Sistec, parece estar em plena forma.
Rui dos Santos, 56 anos, pai de dois filhos (uma é médica, o outro trabalha com o pai na Sistec) nasceu no Huambo, mas foi viver para a Gabela com menos de 1 ano. Cresceu no mato, nas fazendas de café. Começou a trabalhar aos 14 anos na “câmara escura” de uma empresa de fotografia. Aos 16 anos foi moço de recados e, depois, assistente de um contabilista. Partiu para Luanda em 1972, quando tinha 17 anos. A par dos estudos de Contabilidade (concluídos no Instituto Comercial de Luanda), vendia enciclopédias porta a porta e, mais tarde, reproduções de quadros célebres. Ao que parece tinha jeito para o negócio. “Com apenas 11 meses de trabalho, recebi o prémio de vendedor do ano, em 1973. Recordo-me bem do momento porque foi a primeira vez que bebi um copo de vinho. Nessa altura eram esse trabalho extra que me pagava as contas”, explica.
Terminado o curso, tornou-se controller de um grande grupo agrícola do qual saiu pouco tempo depois. “Incompatibilizei-me com o meu chefe que queria reescrever as regras da contabilidade”. Em 1975, tornou-se auditor júnior da Price Waterhouse, mas a empresa fechou após a independência. O mesmo sucedeu no emprego seguinte como controller da multinacional farmacêutica Abbott. “O negócio corria muito bem, apesar da sangria de quadros. Éramos 11 ficámos cinco. Cheguei a fazer um curso de delegado de propaganda médica. A Abbott passou de 20.º para 3.º nas receitas de medicamentos. Ainda assim os americanos fecharam a empresa porque receavam que Angola se tornasse comunista.”
Seguiu-se o mesmo cargo na Plessey, empresa que instalou o sistema nacional de micro-ondas e cerca de metade das comunicações públicas de Angola. Só que, desta vez, foi ele que abandonou a empresa. “Despedi-me por razões salariais. Não me quiseram dar um ordenado igual ao dos expatriados”, recorda. Foi por se lembrar do episódio que ainda hoje, na Sistec, não faz distinções entre nacionais e expatriados. “Todos ganham o mesmo de acordo com a função.”
Na altura, Rui Santos, apesar de viver num país em guerra, trabalhava intensamente. Ao fim do dia, ainda fazia uma “perninha” nas firmas de vendas de enciclopédias e de quadros onde iniciou a carreira. À noite era contabilista em part-time (fechava a cada noite, as contas de cinco empresas). Quando se viu no desemprego, concluiu que o melhor seria criar um negócio próprio. Juntou-se aos sócios Botelho e Sousa e Vitorino Guedes e lançou-se na aventura de constituir a primeira empresa privada num regime de economia planificada. “Nesse tempo não havia alvarás comerciais. Mas o ministro do Comércio da altura aceitou o desafio”, recorda.
Assim nasceu a Protécnica, em 1981, na altura conhecida como a rainha das fotocopias. “Ainda hoje se for ao Lobito e perguntar onde se tiram cópias vão dizer-lhe para ir à Protécnica.” É que a firma terminou em 1991, dez anos depois da fundação, tendo sido separada em três: Sistec (informática); Tecnoserve (telecomunicações e repografia) e a Angotécnica (representante da japonesa Mitsubichi).

Corredor de fundo: “Ainda vou à São Silvestre. Mas agora eu só quero chegar ao fim”, confessa
A diversificação da Sistec para o desporto também tem que ver com o fundador. Ele é fundista, desde criança, e tem presença assídua na corrida de São Silvestre de Luanda. Continua a correr à noite e aos fins-de-semana e frequenta com assiduidade o ginásio da empresa. “Tenho sempre a mochila de treino pronta, ao lado da minha secretária, caso me apeteça fazer desporto”, confessa. Tal como se costuma dizer: “Quem corre por gosto não cansa.”
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