Edição nº 21
 

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Audiências elevadas, poucos anunciantes

Publicado a 02-11-2011 15:06:00
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No dia 12 de Outubro foram apresentados ao público, no Hotel Alvalade, em Luanda, os resultados do estudo “All Media & Products Study” (AMPS) 2011 que se realiza desde 2007. Este ano a Markest Angola realizou 3590 entrevistas em Luanda, cujo trabalho de campo ocorreu de Maio a Agosto do ano passado, com um universo representativo da população angolana. Há a somar mais 1850 entrevistas dirigidas exclusivamente às classes sociais de maiores rendimentos (ABC). Filipa Oliveira, directora-geral da Markest Angola, explica esta necessidade. “Alguns produtos, dirigidos a classes mais elevadas, não obtêm um número de respostas significativo no painel representativo da população angolana. Por isso sentimos a necessidade de obter um maior número de respostas junto das classes mais elevadas.” É esse o caso, por exemplo, de sectores como a banca ou os automóveis, por exemplo, ou de meios mais segmentados (como a revista EXAME).

Logo a abrir a apresentação do AMPS ficámos a conhecer alguns indicadores importantes sobre o perfil dos residentes em Luanda, com mais de 15 anos: 17% têm acesso à internet e 31% têm conta bancária. Percebemos também que são ávidos consumidores de media: 97% costumam ver televisão, 80% costumam ouvir rádio e 67% costumam ler, pelo menos, um jornal ou uma revista. Esse valor cresce para 92,6% na classe social A e para 90,6% na classe B (os consumidores com maior poder de compra). Para mais, cerca de 50% dos inquiridos pela Markest Angola, costumam acreditar nos anúncios e 71,3% gostam de experimentar produtos novos.

Ou seja, tudo boas notícias para as empresas que investem nos media. Apesar deste cenário de sonho para os anunciantes a evolução do investimento publicitário na imprensa em 2010 não foi brilhante. O valor total, a preços de tabela, ascende a 46,15 milhões de dólares, um crescimento de 8% face ao ano anterior. “O crescimento da publicidade na imprensa foi superior ao da economia. Ainda assim, se considerarmos que estamos a partir de um ponto baixo, poderíamos esperar uma subida maior”, diz Filipa Oliveira. Para mais, acrescenta, “todos os anos aparecem novos títulos, que absorvem parte do crescimento. Isso significa que o investimento, nalguns meios já existentes, praticamente não cresceu” (felizmente não foi o caso da EXAME).

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No primeiro semestre de 2011, verifica-se que os maiores anunciantes pertencem às telecomunicações e bancos (Unitel, TV Cabo e BIC ocupam as três primeiras posições) num top 10, onde as marcas nacionais dominam os nove primeiros lugares. No que diz respeito aos meios a liderança na captação de publicidade, pertence ao Jornal de Angola, seguido do Jornal dos Desportos. Em terceiro surgem os semanários: o económico Expansão, a revista Caras e o generalista O País (a revista Vida, que faz parte integrante do jornal, é contabilizada à parte, caso contrário, ascenderia ao segundo lugar). No que diz respeito a audiências o Jornal de Angola e o Jornal dos Desportos repetem os dois primeiros lugares, seguidos dos semanários mais sensacionalistas Folha 8 e Angolense e o desportivo A Bola (infelizmente não temos a diferenciação por classes sociais, o que decerto traria resultados diferentes).

No que diz respeito à televisão o predomínio dos anunciantes das telecomunicações é ainda mais evidente (Unitel, Movicel e Zap nos três primeiros lugares). Segue-se a marca de refrigerantes Blue e o banco BPC. Mais uma vez verifica-se o domínio das marcas nacionais (sete entre as dez primeiras). “Para um país que importa tantos produtos é estranho as marcas internacionais, nomeadamente as do grande consumo, investirem tão pouco no mercado angolano”, salienta Filipa Oliveira. Nas audiências os canais nacionais estão nos três primeiros lugares (TPA 2, TPA1 e TV Zimbo, por esta ordem). Os brasileiros TV Record e Globo Internacional fecham o top 5. A Markest apurou ainda que o Jornal Nacional (TPA1) e o Tchilar (TPA2) são os programas preferidos dos angolanos. Não surpreende, por isso, que o “rosto das notícias” da TPA, Ernesto Bartolomeu, seja também o apresentador mais votado. Em segundo está Pedro Nzagi, um fenómeno de popularidade com o Hora Quente. Benvindo Magalhães, do Tchilar, é o terceiro (se considerássemos apenas o voto dos jovens, entre os 15 e os 19 anos, a percentagem de votos duplicava).

Estação que desperta audiências

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A Marktest também mediu as audiências na rádio, top liderado pela Rádio Luanda (RNA). A surpresa está na vice-liderança da Rádio Despertar, seguida da Rádio Cazenga, Rádio 5, Rádio Escola e Rádio Ecclésia. A Ndjango, da Rádio Despertar, é o programa favorito, seguido do Bombástico, da Rádio Mais (estação que nem sequer figurava nas seis primeiras do top) e do Balumuca, da Rádio Luanda.

Uma das inovações da apresentação da Marktest deste ano esteve na definição de três grandes tendências da publicitário nacional. A primeira, no caso da imprensa, são as campanhas com recurso a celebridades, nomeadamente os cantores (a este propósito, os preferidos dos inquiridos no estudo foram, por esta ordem, Anselmo Ralph, Yola Semedo, Pérola e Yola Araújo). A segunda tendência, relativa à televisão, refere-se aos anúncios com uma componente humorística. A terceira, para os outdoors, é relativa à utilização de formatos diferentes (caso dos tapumes publicitários que cobrem os edifícios em obras).

Embora não o tivesse feito durante a apresentação, Filipa Oliveira, num artigo de opinião publicado na revista Economia & Mercado, abordou mais uma tendência. A da polémica associada ao anúncio “Saca Fácil”, da cerveja Sagres, criticado por alguns sectores da sociedade por se tratar de uma alegada degradação da imagem da mulher angolana.

Curiosamente, em Moçambique, também está a decorrer um debate semelhante, com uma campanha demasiado “ousada” da cerveja Laurentina. Filipa Oliveira considera que a “fronteira entre a ética e a moral versus a criatividade e o humor, é uma linha ténue, pelo que deve prevalecer o bom senso. Afinal a nossa Miss Universo, também desfilou em biquíni”, remata. Eis uma bela imagem, para ilustrar uma tendência bem menos elegante, com que, também nós, rematamos este artigo.










Por: Filipe Cardoso
 
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