Edição nº 21
 

Desporto

Um ringue de 1000 milhões 
de dólares

Publicado a 03-11-2011 10:58:00

Três minutos e meio de luta culminaram com um poderoso pontapé no queixo do pobre adversário. Foi assim que o lutador brasileiro Anderson Silva, de 35 anos, se tornou uma celebridade do mundo desportivo na madrugada de 6 de Fevereiro. Na arena do Casino Mandala Bay, em Las Vegas, Anderson venceu por KO o compatriota Vitor Belfort no que alguns especialistas já chamaram “a luta do século” do Ultimate Fighting Championship (UFC), o maior campeonato de artes marciais mistas do mundo.


Anderson silva vence belfort, num combate em las vegas: Nesse mês o duelo foi o assunto 
mais comentado do Twitter

Clique para ampliar a imagemO “duelo no octógono” (como é conhecido o ringue usado nas lutas da modalidade) foi visto ao vivo, através do pay-per-view, por mais de 800 mil pessoas, a somar às 11 mil presentes na arena, gerando uma receita de bilheteira de 3,6 milhões de dólares. Outrora considerado um desporto de nicho, o UFC tornou-se uma moda — durante dez dias esteve na lista dos assuntos mais comentados do Twitter, à frente dos sangrentos protestos no Egipto ou o popular Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano. Tal popularidade reflecte-se no valor da marca. Adquirida por dois irmãos americanos, em 2001, por 2 milhões de dólares, hoje o UFC vale 1000 milhões, segundo a revista Forbes.

Criado no Brasil na década de 50 pelos lutadores de jiu-jitsu da família Gracie, o MMA (Mixed Martial Arts) só ganhou notoriedade há dez anos. Quando compraram o UFC, os irmãos Frank e Lorenzo Fertitta adaptaram as regras para que o desporto pudesse ser transmitido na televisão. O primeiro passo foi estabelecer uma série de 32 regras para um combate onde antes “valia tudo”. A principal delas determinou um tempo limite para a luta — três rounds de 5 minutos (antes, os confrontos decorriam até ao KO). Ao ser “suavizada”, a modalidade, antes proibida em 45 dos 50 estados americanos, passou a ser autorizada em 44 — e atraiu patrocinadores como a Bud Light e a Harley-David­son.


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hollyfield versus tyson , em 1997: hoje o boxe perdeu espaço para o Mixed  Martial Arts
Desde que passou para as mãos dos irmãos Fertitta, o UFC cresce 10% ao ano. Em 2010, facturou 400 milhões de dólares, um crescimento de 20% face ao ano anterior. Cerca de 80% vêm de direitos de transmissão por pay-per-view. “O UFC é o nosso grande patrocínio internacional na área desportiva depois do automobilismo”, diz Matt Schmidt, director de marketing da Harley-Davidson nos Estados Unidos.  

Um dos maiores desafios foi criar uma base de fãs. Devido à sua agressividade, o UFC chegou a ser apelidado pelo senador John McCain como “luta de galos humana”. Em 2005, os Fertitta tiveram uma ideia: investir 10 milhões de dólares no lançamento de um reality show capaz de atrair jovens que gostassem de lutas. A iniciativa — baptizada de The Ultimate Fighter — premiaria o vencedor com uma vaga no UFC. O sucesso do programa foi imediato e deu origem a bonecos, jogos de computador, roupas e material desportivo.  Embora ainda esteja longe do glamour do boxe nos seus tempos áureos — a clássica luta entre Mike Tyson e Evander Hollyfield, nos anos 90, rendeu 18 milhões de dólares só em bilheteira —, o Ultimate Figh­ting já começa a despontar como um dos principais eventos desportivos do mundo.”






Por: João Werner Grando
 
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