Consumo
Nos anos 80 e 90 era praticamente impossível caminhar pelos quarteirões das principais cidades americanas sem avistar camisas de algodão, T-shirts ou bonés estampados com as três letras da Gap. A marca símbolo do estilo informal já vestiu desde estrelas de Hollywood em noite de Óscares (Sharon Stone) a ex-Presidentes (Bill Clinton).
Na era do boom da internet, nos anos 90, quando a moda da casual friday — os fa- tos e gravatas ficavam no armário à sexta-feira — invadiu os escritórios, nenhuma outra marca de roupa fez tanto sucesso.
Hoje, tudo isso (Sharon Stone, Bill Clinton, o casual friday e, sobretudo, o sucesso da Gap) é algo do passado. Desde 2000 que o valor de mercado da empresa, dona de outras marcas cool como a Banana Republic, Old Navy, Athleta e Piperlime, caiu de quase 45 mil milhões para menos de 10 mil milhões de dólares. Desde 2004, as vendas diminuíram 10% e, em 2010, ano em que o sector voltou a crescer, a sua facturação aumentou apenas 3,3%, um valor abaixo da média dos seus principais concorrentes. Numa das mais recentes apresentações a investidores, realizada em Nova Iorque, Glenn Murphy, presidente da Gap, fez um diagnóstico que dá a real dimensão dos seus problemas. “Estamos a perder quota nos Estados Unidos e precisamos de uma transformação significativa — primeiro, nos produtos, depois, nas lojas e, finalmente, na estratégia de marketing.” Em resumo, a Gap parece ter esgotado o seu poder de inovar.
Criada em 1969 como uma loja que vendia jeans Levi’s e discos em São Francisco, na Califórnia, a Gap teve, três anos depois, um sucesso instantâneo como marca de vestuário. Quando passou a ser cotada na Bolsa de valores, em 1976, conseguiu o capital que precisava para espalhar lojas por todos os Estados Unidos. A ascensão da empresa continuou até o início desta década, até que o seu modelo de negócio, até então vencedor, perdeu fôlego.

Murphy acredita que esse tipo de ponto de venda atrai mais clientes. Até 2013, 200 lojas tradicionais serão fechadas nos Estados Unidos e 60 outlets abertos. Ao mesmo tempo, a empresa tenta aumentar a importância das suas operações internacionais através das vendas directas pela internet.
A Gap tentou estreitar o “fosso” (gap, em inglês) de popularidade em 2007, quando contratou o designer Patrick Robinson, estilista com passagens brilhantes por marcas como a Giorgio Armani, Paco Rabanne e Anne Klein. Robinson reformulou a linha de jeans da marca, mas acabou por errar mais do que acertou. Em 14 dos 16 trimestres sob a sua gestão, as vendas caíram. Este ano, foi demitido. Entre os seus maiores pecados estaria a escolha das cores das últimas coleções. Apostou em tons pastel e discretos, enquanto os rivais conquistavam consumidores com cores vibrantes.
“Para voltar a comprar as acções da Gap, os investidores precisam ser convencidos de que ela está a expandir-se globalmente”, diz Brian Tunick, analista do banco J. P. Morgan. Segundo Tunick, já há provas de que isso possa estar a ocorrer. A Gap alargou as vendas on-line para 90 países e abriu as suas primeiras quatro lojas na China.
Mas ainda há muito a fazer, sobretudo no marketing. Em Fevereiro, o publicitário Seth Farbman, um veterano da agência Ogilvy, foi nomeado director global de marketing com a missão de explorar o poder dos formadores de opinião na internet. Há poucos meses, os seguidores da marca no Facebook foram convidados a contribuir com ideias para uma nova identidade. De todos os desafios, o maior é voltar a agradar aos jovens. Nos seus anos de ouro, a Gap atingia um público que ia dos 18 aos 45 anos. Hoje, ela deixou de ser vista como uma marca jovem. Sem reconquistar o charme, a Gap dificilmente conseguirá diminuir o gap (perdoem a insistência no trocadilho) que a separa dos consumidores.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.