Edição nº 23
 

Futebol

Girabola recebe bola de Ouro

Rivaldo Vítor Borba Ferreira é um campeão. Há duas décadas que a nova estrela do Kabuscorp Sport Clube do Palanca encanta os adeptos do futebol de todo o mundo. Ídolo no Barcelona entre 1997 e 2002, e para muitos o melhor jogador do Campeonato do Mundo de Futebol de 2002 (realizado na Coreia do Sul e Japão), Rivaldo marcou uma geração inteira com os seus golos magistrais e jogadas cerebrais.

Hoje, com 39 anos de idade, Rivaldo já não é o mesmo atleta que em 1999 foi eleito pela FIFA como o melhor jogador de futebol do planeta e galardoado com a Bola de Ouro, que distingue o futebolista do ano a actuar na Europa pela revista francesa France Football. Mas o talento está lá. A magia do pé esquerdo do astro brasileiro continua a produzir obras de arte. Que o digam os adeptos do São Paulo que, no ano passado, o viram actuar 46 vezes e facturar em sete ocasiões. Rivaldo é a prova viva de que “quem corre por gosto não se cansa”. Mas será que chega?

Para muitos, a chegada do brasileiro ao Kabuscorp, o 11.º clube da sua longa carreira (sem contar com os emblemas em que jogava como júnior), foi apenas uma magistral operação de marketing. A verdade é que nunca a equipa de Bento Kamgamba, presidente do clube de Luanda vice-campeão do Girabola, conseguiria ter tanta atenção mediática como tem recebido nos últimos dias. De África à Ásia, da Europa ao Brasil, as páginas de jornais de todo o mundo falaram desta contratação surpreendente. Até o Wall Street Journal, publicação norte-americana de economia e finanças, dedicou-lhe um artigo na sua edição de 16 de Janeiro. O jornal interroga-se por que o veterano Rivaldo escolheu o Kabuscorp para terminar a sua carreira de futebolista profissional: um clube que tem origem em 1994 e que apenas chegou há Girabola em 2008. “Escolhi vir para cá porque gosto dos planos para o clube e porque é um país de língua portuguesa”, referiu Rivaldo, adiantando que “tentarei honrar a camisola do Kabuscorp”.

Petrodólares perdem para a religião

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Para muitos jogadores da craveira de Rivaldo, que durante anos encheram de magia e alegria os principais campos da Europa, o período da pré-reforma é utilizado para “queimar os últimos cartuchos” da fama, com o intuito de amealhar uma boa maquia para o resto da vida. É nesse sentido que muitos atletas viajam até à Rússia ou aos países do Médio Oriente para encerram a sua carreira como futebolistas profissionais a troco de petrodólares. Que o digam o camaronês Samuel Eto’o e o brasileiro Roberto Carlos, actualmente a jogarem no clube russo Anzhi Makhachkala a troco de verdadeiras fortunas. Eto’o, por exemplo, o melhor jogador africano do ano por quatro vezes, é hoje o jogador de futebol mais bem pago do mundo graças a um contrato de três anos com o clube do empresário russo Magomed Magomedov no valor de quase 30 milhões de dólares por mês, cerca do dobro do salário de Lionel Messi, o melhor jogador do mundo.

A tentação financeira bem poderia ser a razão pela qual Rivaldo decidiu juntar-se à equipa do Kabuscorp, treinada por Viktor Bondarenko. Mas não foi. Ao que tudo indica (não foram divulgados números), a decisão do brasileiro foi centrada unicamente na religião: “Deus já tinha preparado este meu tempo em Angola”, referiu Rivaldo na sua página no Twitter. “Há cinco meses, eu já tinha investido nesta terra sem imaginar que um dia poderia jogar aqui. Estamos a abrir uma igreja aqui: eu com o homem de Deus que é minha cobertura espiritual bispo Victor. Sei que é tempo do Senhor, e com certeza já tenho um amor muito grande por esta terra [Angola], por este povo.” Rivaldo adicionou ainda uma foto do seu terreno e frisou que a sua “vinda a Angola vai muito além do futebol. Estou muito feliz”.


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A saga angolana é mais uma reviravolta na carreira de Rivaldo, que apesar das suas conquistas — venceu vários campeonatos em três continentes diferentes, a Liga dos Campeões em 2003 pelo AC Milan e o Campeonato do Mundo de Futebol pelo Brasil em 2002 — viu o seu talento ser pouco reconhecido pelos adeptos. Pelé (de quem herdou a “número 10”) colocou-o numa lista dos 125 maiores jogadores de todos os tempos que enviou à FIFA. Mas há quem defenda que Rivaldo merecia estar entre os 20 melhores, dado que o Brasil “lhe deve” praticamente um campeonato do mundo e só Maradona, Leónidas e David Villa marcaram oito golos durante um mundial. Parte dessa injustiça pode ser justificada com a concorrência forte. Na altura em que jogava ao mais alto nível, os seus companheiros Ronaldo, o “Fenómeno”, e Ronaldinho, faziam vibrar os estádios. Eles eram estrelas dentro e fora de campo, com personalidades marcantes, ao contrário de Rivaldo que sempre foi mais reservado e discreto.


272 golos: Rivaldo soma cerca de 600 jogos oficiais e 272 golos marcados, o equivalente a  0,45 golos por partida, e largas centenas de assistências
Os anos de ouro de Rivaldo ocorreram na viragem do milénio, quando recebeu a Bola de Ouro de 1999 e foi eleito o melhor jogador do mundo desse ano. Porém, a partir de 2002, no último ano de contrato no Barcelona, a sua carreira começou a desenhar uma tendência de queda, com as lesões a deixarem o astro cada vez mais debilitado. Até que, subitamente, o esquerdino de “pernas arqueadas” (tal como o célebre Garrincha) desapareceu dos grandes palcos do futebol: passou quatro anos na Grécia, inicialmente no Olympiakos e depois no AEK de Atenas, seguiu posteriormente para o Bunyodkordo, do Uzebequistão, onde passou duas temporadas, e terminou este percurso, o ano passado, no São Paulo, no Brasil.

Poucos teriam previsto que Rivaldo continuasse a jogar para lá dos 30 anos, menos ainda se isso significasse, como acabou por se verificar, jogar em Tashkent ou em Luanda. Mas menos pessoas ainda poderiam sequer imaginar que a nova estrela do Kabuscorp pudesse mudar-se para o Uzebequistão e para Angola por razões tão amplamente diferenciadas: se a aventura por terras asiáticas foi tomada por razões monetárias, tal como Rivaldo admitiu; a aventura angolana parece ter sido assumida pela fé do jogador em Deus.

Falta apenas saber se dentro das quatro linhas o astro brasileiro continuará a encantar os adeptos. Mas uma coisa parece para já certa: Rivaldo não ficará na história da Girabola por ser o atleta mais velho ou mais bem pago do campeonato, mas, sim, por ser o primeiro campeão do mundo e o primeiro vencedor de uma Bola de Ouro a pisar os relvados angolanos. E por tudo isso já vale a pena comprar um bilhete para ir ao Estádio dos Coqueiros assistir a um jogo do Kabuscorp com Rivaldo a fazer arte com a bola nos pés.   

A decisão deveu-se 
à religião. Rivaldo 
já havia comprado 
um terreno em Angola para edificar a igreja

Perfil de um campeão

Ao longo dos últimos 20 anos como futebolista  profissional, Rivaldo conquistou tudo o que havia  para ganhar. No seu currículo, o astro brasileiro conta  com dez campeonatos nacionais, um campeonato do mundo, uma Liga dos Campeões, várias taças, uma Bola de Ouro e ainda o estatuto de melhor jogador do mundo pela FIFA em 1999. Rivaldo soma cerca de 600 jogos oficiais e 272 golos marcados ao serviço 
da selecção brasileira e de 11 clubes.

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Nome: Rivaldo Vítor Borba Ferreira

Idade: 39 anos
Nacionalidade: Brasileira
Altura: 1,86 m
Peso: 75 kg
Religião: Cristão
Estado civil: Casado e pai de cinco filhos
Twitter: 
@RIVALDOOFICIAL
Posição: 
Médio atacante
Pé preferido: Esquerdo
Número: 9
Clube: 
Kabuscorp

Por: Luís Leitão
 

Comentários

  1. Jefferson Borges de Paula Dias
    2012-11-20 02:20:43
    Rivaldo é o cara parabéns campeão Deus olha por ti contato jefferson.bpd@gmail
  2. Artur Pessoa de Oliveira Neto
    2012-03-04 16:46:21
    reportagem a altura do grande jogador e homen que é rivaldo,parabens
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