Futebol
Rivaldo Vítor Borba Ferreira é um campeão. Há duas décadas que a nova estrela do Kabuscorp Sport Clube do Palanca encanta os adeptos do futebol de todo o mundo. Ídolo no Barcelona entre 1997 e 2002, e para muitos o melhor jogador do Campeonato do Mundo de Futebol de 2002 (realizado na Coreia do Sul e Japão), Rivaldo marcou uma geração inteira com os seus golos magistrais e jogadas cerebrais.
Hoje, com 39 anos de idade, Rivaldo já não é o mesmo atleta que em 1999 foi eleito pela FIFA como o melhor jogador de futebol do planeta e galardoado com a Bola de Ouro, que distingue o futebolista do ano a actuar na Europa pela revista francesa France Football. Mas o talento está lá. A magia do pé esquerdo do astro brasileiro continua a produzir obras de arte. Que o digam os adeptos do São Paulo que, no ano passado, o viram actuar 46 vezes e facturar em sete ocasiões. Rivaldo é a prova viva de que “quem corre por gosto não se cansa”. Mas será que chega?
Para muitos, a chegada do brasileiro ao Kabuscorp, o 11.º clube da sua longa carreira (sem contar com os emblemas em que jogava como júnior), foi apenas uma magistral operação de marketing. A verdade é que nunca a equipa de Bento Kamgamba, presidente do clube de Luanda vice-campeão do Girabola, conseguiria ter tanta atenção mediática como tem recebido nos últimos dias. De África à Ásia, da Europa ao Brasil, as páginas de jornais de todo o mundo falaram desta contratação surpreendente. Até o Wall Street Journal, publicação norte-americana de economia e finanças, dedicou-lhe um artigo na sua edição de 16 de Janeiro. O jornal interroga-se por que o veterano Rivaldo escolheu o Kabuscorp para terminar a sua carreira de futebolista profissional: um clube que tem origem em 1994 e que apenas chegou há Girabola em 2008. “Escolhi vir para cá porque gosto dos planos para o clube e porque é um país de língua portuguesa”, referiu Rivaldo, adiantando que “tentarei honrar a camisola do Kabuscorp”.
A tentação financeira bem poderia ser a razão pela qual Rivaldo decidiu juntar-se à equipa do Kabuscorp, treinada por Viktor Bondarenko. Mas não foi. Ao que tudo indica (não foram divulgados números), a decisão do brasileiro foi centrada unicamente na religião: “Deus já tinha preparado este meu tempo em Angola”, referiu Rivaldo na sua página no Twitter. “Há cinco meses, eu já tinha investido nesta terra sem imaginar que um dia poderia jogar aqui. Estamos a abrir uma igreja aqui: eu com o homem de Deus que é minha cobertura espiritual bispo Victor. Sei que é tempo do Senhor, e com certeza já tenho um amor muito grande por esta terra [Angola], por este povo.” Rivaldo adicionou ainda uma foto do seu terreno e frisou que a sua “vinda a Angola vai muito além do futebol. Estou muito feliz”.
Poucos teriam previsto que Rivaldo continuasse a jogar para lá dos 30 anos, menos ainda se isso significasse, como acabou por se verificar, jogar em Tashkent ou em Luanda. Mas menos pessoas ainda poderiam sequer imaginar que a nova estrela do Kabuscorp pudesse mudar-se para o Uzebequistão e para Angola por razões tão amplamente diferenciadas: se a aventura por terras asiáticas foi tomada por razões monetárias, tal como Rivaldo admitiu; a aventura angolana parece ter sido assumida pela fé do jogador em Deus.
Falta apenas saber se dentro das quatro linhas o astro brasileiro continuará a encantar os adeptos. Mas uma coisa parece para já certa: Rivaldo não ficará na história da Girabola por ser o atleta mais velho ou mais bem pago do campeonato, mas, sim, por ser o primeiro campeão do mundo e o primeiro vencedor de uma Bola de Ouro a pisar os relvados angolanos. E por tudo isso já vale a pena comprar um bilhete para ir ao Estádio dos Coqueiros assistir a um jogo do Kabuscorp com Rivaldo a fazer arte com a bola nos pés.
A decisão deveu-se à religião. Rivaldo já havia comprado um terreno em Angola para edificar a igreja
Ao longo dos últimos 20 anos como futebolista profissional, Rivaldo conquistou tudo o que havia para ganhar. No seu currículo, o astro brasileiro conta com dez campeonatos nacionais, um campeonato do mundo, uma Liga dos Campeões, várias taças, uma Bola de Ouro e ainda o estatuto de melhor jogador do mundo pela FIFA em 1999. Rivaldo soma cerca de 600 jogos oficiais e 272 golos marcados ao serviço da selecção brasileira e de 11 clubes.

Nome: Rivaldo Vítor Borba Ferreira
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.