Tendências 2012
Enquanto o mundo está mergulhado numa tremenda crise económica e financeira, em África está a nascer um optimismo contagiante. A maioria das economias da África Subsariana passou praticamente imune à tempestade europeia e norte-americana, entrando em 2012 numa forma invejável quando comparadas com várias economias da zona euro.
Só na última década, o continente foi capaz de apresentar taxas de crescimento constantemente acima das verificadas pela média dos países mundiais e quase duas vezes maiores do que as registadas nos países desenvolvidos. Assim, a grande questão que se coloca à África Subsariana para 2012 é se a região conseguirá suster o forte crescimento económico num quadro de uma economia global estagnada. Os analistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) crêem que sim.
“Na maioria dos sete países da região exportadores de crude [onde se inclui Angola], os elevados níveis de produção de petróleo e gás deverão ser sustentados pela contínua forte procura, enquanto a actividade não petrolífera, particularmente o sector público, será impulsionado pelo ressurgimento das receitas dos hidrocarbonetos”, referem os técnicos do FMI no relatório de Setembro de 2011, frisando Angola como um exemplo desta realidade.
Marion Muhlberger, responsável do departamento de estudos do Deutsche Bank, antecipa que “a tendência de subida do preço das commodities e as novas descobertas de petróleo nalguns países, como o Gana, vão continuar a dar um forte alento à economia”. Com o mesmo optimismo está Paul Malpas, responsável do banco sueco Nordea, que destaca o processo de racionalização do sistema bancário nigeriano no ano passado, que permitiu deixar os bancos nigerianos numa situação mais confortável, “hoje estão bem capitalizados e com rácios financeiros capazes de deixar a maioria dos bancos europeus cheios de inveja”.
Em declarações exclusivas à EXAME, o especialista salienta o bom momento da África Oriental onde, segundo Malpas, “as cheias muito provavelmente não vão atacar uma segunda vez e uma época de colheitas normal vai facilitar uma forte recuperação da economia, com o PIB a crescer mais de 4%”.
Mas para os analistas a força motriz do crescimento africano virá sobretudo dos países da África Subsariana. Segundo o FMI, as economias destes países crescerão a um ritmo médio de 4,9%. Bob Diamond, presidente do Barclays, num artigo de opinião publicado na revista britânica The Economist, classifica a região abaixo do deserto do Sara como um espaço com “enorme potencial para ser libertado”, destacando a população que agrega, actualmente superior a 1000 milhões assim como a riqueza gerada anualmente: 1,7 biliões de dólares, ou seja, um valor superior ao PIB da Rússia e da Índia.
Contudo, é importante não esquecer o impacto que a desaceleração económica da Europa e dos Estados Unidos poderão ter no coração da economia africana. O FMI estima que o desaceleramento de 1% do crescimento mundial terá um efeito negativo entre 0,4% e 0,5% no crescimento dos países da África Subsariana. Todavia, Celeste Fauconnier e Nema Ramkhelawan-Bhana, analistas do banco sul-africano Rand Merchant Bank (RMB), salientam que “o impacto nas economias individualmente irá depender do seu grau de trocas comerciais e ligações financeiras com a Europa e os Estados Unidos”. Um problema que afecta Angola, dada a enorme dependência da economia nacional do sector petrolífero, que continua a ser responsável por mais de 95% das exportações. Como o abrandamento da actividade económica na Europa e nos Estados Unidos costuma ter implicações ao nível do preço do petróleo, pressionando-o em baixa, será natural que as contas públicas venham a ressentir-se.
Recorde-se que o principal comprador de petróleo angolano é a China, país que absorve mais de um terço das exportações nacionais. Em paralelo, Angola revela-se também como o maior parceiro comercial em África do governo de Pequim.
Significa então que a taxa de crescimento superior a 10% estimada por várias entidades internacionais para o PIB nacional não será afectada pela crise na Europa e nos Estados Unidos? Manuel Alves da Rocha, em artigo de opinião publicado no semanário Expansão, acredita que não. “Avizinha-se mais uma crise internacional, de extensão e profundidade mais graves do que as de 2008 e 2009. Claro que a variação do PIB não vai ser, seguramente, a que se encontra nos documentos oficiais, nem a que as projecções internacionais fazem referência. Certamente que durante o primeiro trimestre de 2012 todas as projeções do FMI, OCDE, Banco Mundial, EIU, BAD e outras instituições vão ser reajustadas em forte baixa”, conclui.
Na última edição da revista trimestral do FMI, Finance & Development, vários artigos de uma série de especialistas confirmavam a visão optimista para o continente. No entanto, eles referem que a desigualdade social e a pobreza são dramas sociais que persistem. Calestous Juma, professor da prestigiada universidade norte-americana de Harvard, considera que “o tradicional foco em erradicar a pobreza de África retirou a atenção das autoridades africanas e dos doadores internacionais sobre o modo de promover o desenvolvimento e de fomentar a educação técnica, o empreendedorismo e o comércio”, escreve o docente. Será por isso interessante observar como os futuros líderes africanos contornarão esta realidade num ano em que serão realizados 32 actos eleitorais e três referendos em África.
Destaque para as primeiras eleições legislativas e presidenciais no Egipto após a queda de Hosni Mubarak e para as eleições presidenciais em Madagáscar, em Junho, onde André Rajoelina tem estado no poder desde que tomou as rédeas do país há três anos por via de um golpe militar e ainda para a possibilidade do controverso Robert Mugabe, Presidente do Zimbabwe, marcar eleições e realizar um referendo sobre a implementação de uma nova Constituição.
Angola também será palco de ampla curiosidade política em 2012, com a realização das eleições agendadas para o terceiro trimestre. Este será também o ano da confirmação do regresso do crescimento a dois dígitos. Segundo o Orçamento Geral do Estado para 2012 (veja edição anterior da EXAME), o país deverá fechar o ano com um superavit de 2,7 milhões de dólares, cerca de 2,6% do PIB, que será conseguido num ambiente de crescimento real da economia de 12,8% e de uma taxa de inflação de 10%. Recorde-se ainda que para o período de 2012 a 2014 o FMI estima um crescimento anual médio da economia angolana em torno dos 8%.
Mas não é novidade para ninguém de que a folga nas contas públicas será, mais uma vez, potenciado pela evolução do preço do petróleo nos mercados internacionais, dada a forte concentração da economia em redor do “ouro negro”. Os especialistas argumentam que os esforços que têm vindo a ser feitos ao nível da diversificação da economia ainda não são suficientes para minguarem os efeitos adversos da volatilidade do preço do petróleo. A indústria diamantífera, por exemplo, que esteve suportada em 2011 pela recuperação significativa do preço dos diamantes, continua a ser uma chave para o crescimento do sector mineiro.
Os analistas do RMB salientam que apesar da abundância de depósitos aluviais e de kimberlite no país, “Angola apenas explora 40% do seu potencial total”. Alves da Rocha chama a atenção que é fundamental que se aproveite o “tempo de vacas gordas” da indústria petrolífera para se colocar em prática reformas estruturais noutros sectores e orientar a economia para gerar rendimentos de outras fontes. Conselho com todos concordam mas que tarda em concretizar-se.
África prepara-se para voltar a crescer mais do que a média mundial pelo 12.º ano consecutivo. Angola, segundo as estimativas do FMI, deverá crescer 11%. Apenas o Níger e a Serra Leoa superam esse valor. O Sudão deverá ser único país com uma taxa negativa.
A excessiva dependência
das exportações numa só
matéria-prima não é uma característica única de Angola.
A boa notícia é que, segundo as estimativas dos especialistas,
os preços das matérias-primas vão continuar
em alta até,
pelo menos,
2014.
A China é o principal comprador do petróleo angolano e absorve mais de um terço das exportações nacionais. como a ásia continuará a ter um crescimento forte é de esperar que suporte os preços
Se as perspectivas para
a economia africana são optimistas quando comparadas com os restantes blocos económicos, para Angola
o futuro também é animador. Todos os especialistas são unânimes em apontar um crescimento do PIB acima dos 10%, ao mesmo tempo que antecipam a possibilidade da taxa de inflação baixar para um dígito, pela primeira vez na história do país.
As estimativas dos vários bancos de investimento e entidades internacionais apontam para um crescimento de 10% da economia nacional em 2012, depois de em 2011 o PIB ter crescido apenas 3,6%. A principal força motriz deste crescimento será, novamente, a indústria petrolífera que depois de algumas contrariedades ao nível da produção registadas no ano passado deverá registar um crescimento robusto significativo. A dúvida está no comportamento do preço do crude, embora os especialistas continuem a prever uma tendência de subida.
Os especialistas consideram que os esforços que têm vindo a ser feitos ao nível da diversificação da economia ainda não suficientes para minguarem os efeitos adversos da volatilidade do preço do petróleo. Segundo as estimativas, o crude ainda é responsável por mais de 95% das exportações. A indústria diamantífera, que esteve suportada em 2011 pela recuperação significativa do preço dos diamantes, continua a ser uma chave para o crescimento do sector mineiro. Porém, os analistas do Rand Merchant Bank salientam que “Angola apenas explora 40% do seu potencial total”.
Finanças
públicas
O Orçamento Geral do Estado para 2012 prevê um superavit orçamental de 2,6% do PIB, que será garantido por via de uma produção petrolífera estimada de 6663 milhões de barris de crude. Na parte da despesa, destaque para o consumo do sector da edução e da saúde, que ficarão com mais 10% do que em 2011. Os especialistas salientam ainda que apesar da despesa do Estado poder subir significativamente em resultado das eleições, o aumento das receitas petrolíferas decerto irão evitar qualquer deterioração das finanças públicas que possa ocorrer.
Durante anos a subida dos preços da generalidade dos bens tem sido uma das grandes “dores de cabeça” da economia nacional. Contudo, desde o início do ano que a taxa de inflação tem revelado uma tendência de forte queda, passando de uma taxa homóloga de 15,31%, em Dezembro de 2010, para 11,44%, em Outubro de 2011. Os analistas não antecipam qualquer alteração na taxa de juro de referência do kwanza de 10,5%, pelo menos no primeiro trimestre, e antecipam que
a taxa média anual de inflação para 2012 fique ligeiramente acima da estimativa de 10% do Governo.
Com a economia mundial a abrandar e com a nacional em velocidade de cruzeiro, será natural assistir-se a uma volatilidade do kwanza ao longo do ano. Contudo, os especialistas antecipam que a tomada de medidas mais rigorosas e restritivas, por parte das autoridades no controlo do capital estrangeiro, deverá ajudar a preservar as participações do BNA em reservas internacionais mesmo que ocorram flutuações do preço do petróleo. Isso permitirá à autoridade monetária, prevêem os peritos, manter a moeda nacional estável, perto dos 92 kwansas por dólar.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.