Edição nº 23
 

Tendências 2012

Internet: Emergentes 2.0

Publicado a 16-02-2012 13:05:00

Para o mercado americano de internet, o mais importante do mundo, 2011 terminou com intranquilidade e expectativa: o Yahoo!, um dos símbolos da primeira fase da Web, está à venda. Não é a primeira vez que isso acontece. Mas há factos novos, em especial no que diz respeito aos candidatos à compra da empresa.


lan House na china: Há mais chineses conectados na rede do que habitantes nos Estados Unidos

Entre eles estão interessados óbvios, como a Microsoft, que teve uma oferta recusada em 2008 (ah, se os accionistas pudessem prever o futuro). Mas há outro que está a causar especial furor nos mercados. Trata-se do grupo chinês Alibaba, gigante do comércio electrónico asiático e uma das empresas de internet que mais crescem em todo o mundo. Em 2005, o Yahoo! comprou 40% do Alibaba por 1000 milhões de dólares. Agora, o Alibaba quer recomprar essa participação, e assumir o controlo do Yahoo! Com a operação, estimada em 25 mil milhões de dólares, os chineses poderão ser donos do portal mais popular dos Estados Unidos, que inclui 300 milhões de contas de e-mail. A eventual compra do Yahoo! pelos chineses é um evento singular. Mesmo que não venha a concretizar-se, o facto já está a ser interpretado como símbolo de uma nova fase para a Web: a vez dos emergentes.

Até há pouco tempo, os Estados Unidos eram o país com o maior número de cidadãos conectados. Nas últimas décadas, as empresas de Silicon Valley, em São Francisco, tais como Google e Facebook, foram responsáveis por fundar as bases da nova economia digital. Porém, como sucedeu noutros sectores, a vez dos emergentes parece ter chegado também à internet. Não faltam indícios desse fenómeno. Existem hoje mais chineses conectados na rede do que pessoas a viver nos Estados Unidos. Nos últimos anos, o comércio electrónico no Brasil cresceu duas vezes mais rápido do que a média americana. A Índia é, desde há muito, uma capital mundial do software. E por fim, vem da Rússia, e não dos Estados Unidos, o fundo Digital Sky Technologies, aquele que mais lucrou com as redes sociais, que representam o último grande fenómeno da internet.

Com óbvia inspiração em ideias de negócios de Silicon Valley, países como China, Índia, Brasil e Argentina produziram nos últimos anos uma série de êxitos locais. Um desses casos é o Baidu, serviço chinês de buscas on-line que, em 2011, foi eleito pela revista americana Fortune como a empresa de tecnologia que mais cresce no mundo. Há outros exemplos. No mesmo ranking, o Mercado Livre, plataforma de comércio electrónico com sede na Argentina, mas que tem no Brasil o seu principal mercado, ficou em quarto lugar. Porém, a grande novidade, nesses novos tempos da Web, é que os emergentes têm-se mostrado capazes de criar não apenas cópias de sites de sucesso, mas também novas ideias e modelos de negócios.

O Badoo, rede de relacionamentos lançada, em 2006, pelo russo Andrey Andreev, é um exemplo. Ao misturar recursos de redes sociais, como o Facebook e sites de relacionamentos, o Badoo criou um género inédito na Web: uma rede que propõe encontros casuais entre pessoas que não se conhecem. Com presença em mais de 180 países, o site tem hoje 130 milhões de utilizadores tornando-se uma das maiores e mais lucrativas redes sociais da internet.

Nesta nova era, é natural que os investidores procurem encontrar não apenas o próximo Facebook, mas também o próximo Baidu ou Badoo. Na prática, isso já acontece. Pela primeira vez, há dinheiro em abundância a voar para empresas de internet localizadas fora de Silicon Valley. Desde 2005, estima-se que mais de 6 mil startups na Ásia tenham recebido investimento. Em 2010, cerca de 38 mil milhões de dólares foram investidos em jovens empresas de tecnologia da China e da Índia, que ficam atrás apenas dos Estados Unidos no ranking de países que mais receberam investimentos de capital de risco Aposta semelhante começou agora a surgir no Brasil. Nos dois últimos anos, várias empresas de internet brasileiras receberam investimentos de alguns dos maiores fundos de capital de risco do mundo, como Accel Partners e Benchmark. Sinais dos novos tempos. Sinais da era emergentes 2.0.


Por: André Faust
 
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