Tendências 2012
Na sua segunda encarnação como líder da Apple, Steve Jobs, falecido em Outubro do ano passado, evitava ao máximo qualquer contacto pessoal com a imprensa. As raras excepções eram os lançamentos oficiais de produtos como o iPad ou as novas versões do iPhone, ocasiões sempre aguardadas com grande expectativa em todo o mundo e nas quais, à semelhança dos seus produtos, ele aparecia como uma estrela. A última aparição pública de Jobs não sucedeu num desses eventos. Mas nem por isso ela seria menos memorável. A sua apresentação derradeira aconteceu em Junho de 2011 durante uma reunião do conselho das autoridades de Cupertino, na Califórnia. Frente a uma plateia deslumbrada, Jobs revelou aquele que seria o seu último grande projeto — uma nova sede para a companhia fundada por ele há mais de três décadas, com o nome Apple Campus 2. O episódio, claro, foi marcado pela lendária imodéstia com que ele costumava falar das suas criações. Para Jobs, a nova sede seria uma tentativa de “construir o melhor edifício de escritórios do mundo”.
O novo campus, que tem sido chamado de Taj Mahal de Cupertino, é a todos os títulos uma obra grandiosa. O complexo será construído num terreno que foi comprado à HP em 2010 e possui o tamanho de mais de 50 campos de futebol. O edifício principal, em formato circular, lembra um donuts gigante (ou “uma nave espacial em Terra”, nas palavras de Jobs). Terá um diâmetro de quase 500 metros, mais do que a altura do Empire State Building. No total, serão mais de 250 mil metros quadrados de área distribuídos em quatro andares — praticamente a extensão do Pentágono, uma das maiores construções jamais erguidas pelo homem. Os funcionários terão ginásio próprio. Haverá um auditório anexo, com capacidade para 1000 pessoas, destinado às apresentações e lançamentos de produtos. Mais de 6 mil árvores serão plantadas nos arredores do edifício. E um gerador de energia a gás servirá de fonte de electricidade para o trabalho dos mais de 13 mil funcionários que irão ocupar o novo espaço.
Para a empresa, a construção do novo campus, com a inauguração prevista para 2015, é vista como uma emergência. A sede actual de Cupertino já não chega para abrigar os mais de 12 mil funcionários, que hoje se encontram noutros edifícios espalhados pela cidade. “A Apple está a crescer como se fosse uma erva daninha”, disse Jobs na sua última aparição. De facto, os anos recentes têm sido espectaculares para a companhia.
Com o lançamento do iPad, um sucesso mundial, a Apple criou praticamente do zero o lucrativo mercado de tablets, no qual possui uma quota mundial de mais de 70%. Com as novas versões do iPhone, consolidou também a posição no negócio dos smartphones, onde detém um terço do mercado. Os resultados para o ano fiscal de 2011 superaram as expectativas mais optimistas. A facturação atingiu 108 mil milhões de dólares — um crescimento de 70% em relação ao ano anterior. Em Agosto, a Apple chegou pela primeira vez à liderança do ranking das empresas mais valiosas do mundo, destronando a gigante do petróleo americana Exxon Mobil.
Porém, o maior projecto da história de Cupertino preocupa a vizinhança. Em Agosto, os representantes da comunidade reuniram-se pela primeira vez para discutir os impactos da obra. Nessa ocasião, surgiram sugestões e críticas de todos os tipos. Como é que vai ficar o trânsito na região? De que maneira as escolas serão afectadas? O que será feito com o material demolido? Houve até quem sugerisse a criação de uma quinta comunitária no local, para vender frutas dos pessegueiros e das cerejeiras que serão plantados no novo campus. Para que as obras possam começar, algo que sucederá no primeiro semestre de 2012, o projecto precisa de 13 tipos de licenças. Mas não será isso que vai tirar o sono à Apple que é a maior pagadora de impostos da cidade. “Não temos hipótese de lhes dizer que não”, já disse o governador de Cupertino, Gilbert Wong.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.