Edição nº 24
 

Habitação social

Operação 
Pérola Verde

A Pérola Verde é uma cooperativa das Forças Armadas, sem fins lucrativos, fundada em 2009. Nasceu para responder ao desafio de construir casas a preços acessíveis para os militares no activo, ou os antigos combatentes, minorando assim as suas carências habitacionais. Porém, segundo esclarece o capitão Rodrigo Piedade, secretário-geral da cooperativa, “hoje as candidaturas à compra de casa são abertas a toda a população e não apenas aos militares”.

Casa-modelo no uíge: Área de 85 metros quadrados, com três quartos, dois WC, cozinha, sala de estar e área ajardinada

O processo é simples e pouco burocrático. Basta fazer a inscrição na Cooperativa Pérola Verde (custa 5 mil kwanzas), ter as quotas regularizadas (de 870 kwanzas), comprometer-se a respeitar o regulamento da cooperativa e candidatar-se à aquisição das casas que custam, no mínimo, 60 mil dólares. “Qualquer cidadão pode aderir ao projecto, desde que tenha um rendimento fixo mensal à volta dos 1000 dólares.” Não há necessidade de entrada inicial e o pagamento é feito através de prestações mensais. “Para um militar com um posto acima de segundo-sargento a prestação mensal é de 507 dólares com um prazo de dez anos”, exemplifica o capitão Rodrigo Piedade.

As casas custam 
60 mil dólares. São pagas em prestações de 507 dólares por mês durante dez anos
Existem dois tipos de tipologias ao preço de 60 mil dólares: de 85 metros quadrados e de 100 metros quadrados. Trata-se, em qualquer dos casos, de um T3 com três quartos (um deles é suite), com uma sala de 25 metros quadrados, duas casas de banho, cozinha e uma área ajardinada. Tais residências, dirigidas a clientes de menores rendimentos, correspondem a 50% das 500 mil habitações a edificar. Os restantes 30% (T4) destinam-se a clientes de rendimentos médios e custam 150 mil dólares e outros 20% (T5) são para clientes mais abastados ao preço de 250 mil dólares. O projecto inclui infra-estruturas comuns de lazer, tais como parques infantis, campos desportivos, posto médico, rede eléctrica, saneamento e água potável.

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Primeiros moradores: Major Alberto Matias, tenente-coronel Samuel Raul e major Quitumina receberam as chaves
Os trabalhos estão mais avançados nas províncias do Huambo, Kwanza-Norte, do Cuando Cubango e do Uíge, onde já foram apresentadas as casas-modelo. O objectivo, em cada uma destas províncias, é chegar às 16 mil residências. Para já, na primeira fase do projecto, serão erguidas 5 mil casas, nos próximos dois anos. Mas a meta, até 2017, é chegar às 500 mil em todo o país.

O projecto da Cooperativa Pérola Verde tem dois parceiros. Ao nível da gestão surge a Tamar, empresa angolana, nascida nos anos 80, que se dedica à consultoria e serviços. José Mendes, director técnico, esclarece que a Tamar começou a apoiar o projecto das casas sociais da cooperativa das Forças Armadas no ano passado, em particular no que diz respeito ao financiamento. “Nesta primeira fase, trata-se de um investimento de 30 milhões de dólares”, esclarece. Acrescenta que a Tamar está presente em 12 províncias, emprega 200 pessoas e tem representações no estrangeiro: África do Sul, Reino Unido, Estados Unidos e Vietname (país com o qual foi celebrado um acordo de cooperação para a construção civil).

Objectivo é minorar défice habitacional

Antes da entrada da Tamar, a Cooperativa Pérola Verde já trabalhava directamente, ao nível da construção, com a EFES, uma promotora e construtora imobiliária angolana com várias obras no país, em particular no Camama (o seu projecto mais emblemático é a nova cidade universitária). O objectivo da EFES, segundo a directora técnica Paula Silva Pinto, é o de construir, em média, 5 mil residências em cada província. O primeiro projecto a ser lançado foi no Huambo, no dia 4 de Dezembro do ano passado, onde já existem 106 casas edificadas em apenas três meses.

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Parceiros de projecto: General Lúcio Amaral escuta as explicações da arquitecta Paula Silva Pinto, da EFES, sob o olhar atento de José Mendes, director técnico da Tamar (ao centro) e do capitão Rodrigo Piedade, secretário-geral da Pérola Verde (à direita)
A EXAME esteve presente no lançamento do projecto no Uíge. Trata-se de um terreno de 50 hectares, com espaço para 300 habitações. Cada lote tem cerca de 450 metros quadrados e as casas ocupam 85 metros quadrados com três quartos, dois WC, cozinha e sala de estar. Além da qualidade arquitectónica das residências e dos acabamentos, um dos seus trunfos é a área ajardinada no exterior. Paula Silva Pinto salienta o facto de se tratarem de espaços integrados, com escola, posto médico, creche, campo para desportos, comércio e espaços verdes. Tais facilidades serão desenvolvidas em articulação com os governos provinciais e parceiros privados.

As três casas-modelo já construídas no local (uma delas acabada e já mobilada) foram inauguradas pelo general Lúcio Amaral, comandante do Exército e sócio-gerente da cooperativa. Na ocasião, o responsável referiu que o projecto enquadra-se no Programa Nacional de Urbanismo e Habitação e manifestou-se optimista quanto ao seu êxito. “A falta de habitação sempre constituiu uma preocupação para as Forças Armadas angolanas. Estou certo de que vamos conseguir minorar o défice habitacional do país e, em particular, entre os militares.”

O general Lúcio Amaral felicitou igualmente os felizes contemplados com as chaves das primeiras casas. Todos naturais do Uíge e com a ambição de “regressar à terra natal”, o trio composto pelo major Filipe Quitumina, 56 anos; o tenente-coronel Samuel Raul, 47 anos, e o major Alberto Carlos Matias, de 48 anos, não escondiam a sua satisfação. “Sejam os interlocutores do sucesso deste projecto junto dos restantes associados que, em breve, também receberão a sua casa. Sejam felizes”, concluiu um general avesso a discursos formais e que também dispensou o brinde com champanhe. É que, na mesma ocasião, estavam a decorrer exercícios militares na cidade do Uíge que exigiam a sua presença. Foi portanto uma cerimónia simples, curta e objectiva, ou não tivesse sido organizada por militares das Forças Armadas.  





Por: Jaime Fidalgo
 

Comentários

  1. Edson
    2012-10-29 11:31:32
    Fui visitar o projecto em companhia de outros associados e gostamos muito de ver as casas modelo. A promessa foi de que até novembro de 2012 teriamos as casas prontas, embora ache que será dificil cumprir-se o prazo pelo nivel das obras (também sou técnico de construção civil e conheço muito destas coisas, só não sabemos ainda como será a política de pagamento, já que alguns de nós temos salários baixos e quem serão os primeiros contemplados. Oxalá não haja favoritismos na hora do sorteio ou distribuição como de resto já é uma prática conhecida entre nós, ainda mais porque não sou militar
  2. Mohâmede Gaspar
    2012-04-11 13:24:35
    Estamos perante a um grande projeto mas o nome tudo diz project o governo devia criar politicas habitacionais de modo a favorecer todas as classes sócias que a no nosso pais partindo do principio que ainda existe pessoas a ganharem menos de 100 usd donos de casa...
  3. Paulo Bunga Niengue
    2012-04-11 11:54:05
    é muito bom que projectos como estes acontecem para melhorar a vidas dos efectivos das FAA e também da população angolana, mas seria bom que seja implementado também em Luanda. Estou interresado
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