Habitação social
A Pérola Verde é uma cooperativa das Forças Armadas, sem fins lucrativos, fundada em 2009. Nasceu para responder ao desafio de construir casas a preços acessíveis para os militares no activo, ou os antigos combatentes, minorando assim as suas carências habitacionais. Porém, segundo esclarece o capitão Rodrigo Piedade, secretário-geral da cooperativa, “hoje as candidaturas à compra de casa são abertas a toda a população e não apenas aos militares”.
Casa-modelo no uíge: Área de 85 metros quadrados, com três quartos, dois WC, cozinha, sala de estar e área ajardinada
O processo é simples e pouco burocrático. Basta fazer a inscrição na Cooperativa Pérola Verde (custa 5 mil kwanzas), ter as quotas regularizadas (de 870 kwanzas), comprometer-se a respeitar o regulamento da cooperativa e candidatar-se à aquisição das casas que custam, no mínimo, 60 mil dólares. “Qualquer cidadão pode aderir ao projecto, desde que tenha um rendimento fixo mensal à volta dos 1000 dólares.” Não há necessidade de entrada inicial e o pagamento é feito através de prestações mensais. “Para um militar com um posto acima de segundo-sargento a prestação mensal é de 507 dólares com um prazo de dez anos”, exemplifica o capitão Rodrigo Piedade.

O projecto da Cooperativa Pérola Verde tem dois parceiros. Ao nível da gestão surge a Tamar, empresa angolana, nascida nos anos 80, que se dedica à consultoria e serviços. José Mendes, director técnico, esclarece que a Tamar começou a apoiar o projecto das casas sociais da cooperativa das Forças Armadas no ano passado, em particular no que diz respeito ao financiamento. “Nesta primeira fase, trata-se de um investimento de 30 milhões de dólares”, esclarece. Acrescenta que a Tamar está presente em 12 províncias, emprega 200 pessoas e tem representações no estrangeiro: África do Sul, Reino Unido, Estados Unidos e Vietname (país com o qual foi celebrado um acordo de cooperação para a construção civil).
Antes da entrada da Tamar, a Cooperativa Pérola Verde já trabalhava directamente, ao nível da construção, com a EFES, uma promotora e construtora imobiliária angolana com várias obras no país, em particular no Camama (o seu projecto mais emblemático é a nova cidade universitária). O objectivo da EFES, segundo a directora técnica Paula Silva Pinto, é o de construir, em média, 5 mil residências em cada província. O primeiro projecto a ser lançado foi no Huambo, no dia 4 de Dezembro do ano passado, onde já existem 106 casas edificadas em apenas três meses.

As três casas-modelo já construídas no local (uma delas acabada e já mobilada) foram inauguradas pelo general Lúcio Amaral, comandante do Exército e sócio-gerente da cooperativa. Na ocasião, o responsável referiu que o projecto enquadra-se no Programa Nacional de Urbanismo e Habitação e manifestou-se optimista quanto ao seu êxito. “A falta de habitação sempre constituiu uma preocupação para as Forças Armadas angolanas. Estou certo de que vamos conseguir minorar o défice habitacional do país e, em particular, entre os militares.”
O general Lúcio Amaral felicitou igualmente os felizes contemplados com as chaves das primeiras casas. Todos naturais do Uíge e com a ambição de “regressar à terra natal”, o trio composto pelo major Filipe Quitumina, 56 anos; o tenente-coronel Samuel Raul, 47 anos, e o major Alberto Carlos Matias, de 48 anos, não escondiam a sua satisfação. “Sejam os interlocutores do sucesso deste projecto junto dos restantes associados que, em breve, também receberão a sua casa. Sejam felizes”, concluiu um general avesso a discursos formais e que também dispensou o brinde com champanhe. É que, na mesma ocasião, estavam a decorrer exercícios militares na cidade do Uíge que exigiam a sua presença. Foi portanto uma cerimónia simples, curta e objectiva, ou não tivesse sido organizada por militares das Forças Armadas.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.