Transparência
Dizem que é mais fácil acabar com o cancro do que com a corrupção, uma vez que não existe cura para a ganância dos homens. Mas isso não significa que a humanidade se deva resignar perante a corrupção. Uma maneira eficaz de a combater consiste em estudá-la, medi-la, compará-la — e finalmente publicá-la. É o que faz a Transparência Internacional (TI), uma ONG com sede em Berlim. Fundada,, em 1993 pelo alemão Peter Eigen, um ex-director do Banco Mundial, a TI opera em 70 países.
O activista anna hazare: Milhões de indianos apoiam a sua cruzada anticorrupção
Num dos seus estudos recentes, a TI investigou o grau de corrupção em 28 países. O foco foi o universo empresarial: quantas empresas aceitam pagar “gasosas” para fazer negócios no exterior. Não foi propriamente uma surpresa ver quem está no topo da listagem: as empresas russas. Com o colapso do comunismo, no final da década de 80, a Rússia transformou-se num local “muito pouco transparente”. Funcionários saídos da KGB, a temida polícia secreta soviética, amealharam fortunas em tempo recorde nomeadamente com o surto de privatizações.
Também não chegou a provocar perplexidade quem surge em segundo lugar: os chineses. Com a liberalização da economia nas últimas décadas, da qual resultou uma exótica mistura entre comunismo e capitalismo, a China tem visto crescer substancialmente o seu número de milionários. Essa é a boa notícia. A má é que muitas vezes o dinheiro provém de expedientes menos recomendáveis. Um recente editorial de um jornal chinês ligado ao governo disse que o combate à corrupção é uma das prioridades do país. Enriquecer, sim, mas não a qualquer preço. O que se passa hoje na China está espelhado na revista de negócios chinesa Hurun (veja EXAME n.º 21), que publica anualmente a lista dos mais ricos do país. Alguns dos milionários citados nos anos anteriores saíram, com rapidez, do topo da lista para a cadeia.
“Isso literalmente significa: você tem chá ou água? Mas na verdade o que o funcionário está a dizer é: ‘Tem aí algum dinheiro para apressarmos as coisas?’”
Esse “arredondamento do salário” pode ir, feitas as conversões, de 3 dólares para garantir um bilhete de comboio a 600 dólares para os pais colocarem os filhos numa boa escola. Perante a banalização das corrupção há um site que se tornou um fenómeno de popularidade na Índia. O nome é autoexplicativo: www.ipaidabribe.com (“pagueisuborno.com”, em português). Diariamente os indianos colocam histórias sobre funcionários públicos corruptos. Os indignados esperam que, ao partilhar as experiências, possam acelerar uma mudança cultural que erradique os subornos. Mas não vai ser fácil. O caso indiano é tão complexo que, recentemente, o braço-direito de Hazare foi acusado de desviar parte do dinheiro doado para o combate à corrupção.

Refira-se, por fim, que a TI também publica anualmente um índice que avalia a percepção de corrupção em cada país. Na última edição, relativa a 2011, Angola manteve o 168.º lugar entre 182 países. Há dois factores atenuantes: a “nota” subiu uma décima e o número de países analisados aumentou (eram 178). Mas não deixa de ser um desempenho modesto.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.