
As grandes cadeias internacionais de retalho têm agora os olhos postos nas economias emergentes, particularmente, em África. O relatório anual de 2012 produzido pela Global Powers of Retailing é inequívoco: “ O ambiente económico global em 2012 será difícil, mas as perspectivas para o comércio retalhista são boas, especialmente nos países emergentes.” O exemplo do posicionamento da norte-americana Wal-Mart no mercado global em especial em África é, alias, reflexo dessa estratégia. Atesta-o a recente aquisição pela gigante norte-americana, da sul-africana Massmart.
Com operações em mais de 16 países do mundo, a insígnia Wal-Mart possui sob o seu “guarda-chuva” cerca de 9 mil lojas e um universo de 2.1 milhões de trabalhadores. A sua receita bruta, em 2011, cifrou-se em mais de 400 mil milhões de dólares, posicionando-a como a empresa com maior receita do mundo, à frente de gigantes como as petroliferas Exxon Mobil Corp., Shell e British Petroleum, ou ainda a hidroeléctrica chinesa State Grid Corp e a Toyota Motor Corp..
Os investimentos de grandes retalhistas globais tais como a Auchan, francesa, a Woolworths, australiana, a britânica Tesco e mesmo a brasileira Pão de Açúcar não passam despercebidos. O ano passado, à sombra da globalização, 40 das grandes cadeias internacionais abriram cerca de 90 novas unidades no mercado do retalho, em 57 países.
No relatório de 2012 da Global Powers of Retailing adianta-se que apesar da crise global, a rentabilidade das 250 maiores empresas de distribuição do mundo melhorou, registando-se um incremento da margem média de lucro de 3,8%, ou seja, acima dos 3,1% registados em 2009.
O sucesso das grandes insígnias de distribuição mundiais ombreia com a atomização e com o êxito de tesouraria de pequenas, médias e grandes empresas de distribuição nacionais e locais, agora ancoradas todas em modelos de negócios ultradinâmicos assentes em vectores tais como pontos de venda, televendas e vendas através de redes sociais.
Em Angola, o crescimento e a expansão das empresas de distribuição grossista e/ou retalhista, públicas e privadas , não pode ser dissociado do fim do conflito armado e dos acordos de paz de 2002.
O gigantesco programa de reabilitação rodoviária, que se seguiu à cessação das hostilidades e à consequente maior circulação de pessoas e bens, está obviamente por detrás do exponencial crescimento da actividade de distribuição formal e informal de bens. Se novas oportunidades e desafios no sector se abrem às insígnias locais associadas ou não a interesses estrangeiros, as mesmas também se abrem às grandes insígnias globais. Vários exemplos são, aliás, referidos nesta edição da Exame. Para lá de estratégias tais como investir em activos, como armazéns e frotas de distribuição, um dos segredos para o sucesso deste negócio na área alimentar será certamente o recurso a boa produção nacional em detrimento dos bens importados.
Esta démarche constituiria certamente um ganho para o país e para os operadores. Os artigos importados ainda representam mais de 60% do consumo de bens alimentares e a quase totalidade dos outros bens de consumo. E apenas uma minoria da população angolana possui rendimento disponível para a sua regular aquisição. Tanto quanto noutros sectores, as verdadeiras batalhas na área da distribuição ainda estão para vir. E entre os factores a ter em conta estarão certamente o aprimoramento da rede logística voltada para os índices de satisfação dos consumidores.
Por: João Van Dunem