Automóveis
No documento enviado à Securities and Exchange Comission (órgão regulador das Bolsas norte-americanas), a fabricante de baterias para carros eléctricos A123 — que na altura (em 2009) estava prestes a realizar a sua oferta pública inicial (IPO) de acções —, apresentava estimativas muito animadoras para os anos seguintes.
Modelo Volt, da General Motors:
Recebeu prémios e muitos elogios, mas
não brilhou nas vendas
Com base em estudos de consultoras prestigiadas como a IHS Global Insight e AT Kearney, a A123 alertava os potenciais investidores que o número de modelos de carros com propulsão eléctrica deveria crescer de menos de 20 naquele ano, para cerca de 150 em 2014 e mais de 2200 em 2019.
Passados quase três anos, os especialistas continuam a ver um futuro radioso para os carros eléctricos, devido à obrigatoriedade da redução de emissões de poluentes estabelecida nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Mas esse futuro parece estar mais distante. O passado serviu como uma espécie de “choque de realidade” para o mercado de carros eléctricos. Os dois principais modelos produzidos em massa, o compacto totalmente eléctrico Leaf, da japonesa Nissan, e o híbrido movido a electricidade e gasolina Volt, da General Motors, venderam abaixo das expectativas das construtoras. Juntos, foram responsáveis por apenas 33 mil unidades, metade das vendas previstas para o ano passado. “O mercado demonstrou que ainda não está preparado para abraçar os carros verdes a qualquer custo”, diz John Gartner, director da consultora Pike Research, especializada em tecnologias verdes.
O estudo conclui que os potenciais clientes estariam dispostos a pagar até 20% mais por um carro que polui menos. Devido à baixa escala de produção e ao alto preço das matérias-primas para o fabrico de baterias, o preço de um carro eléctrico ainda é o dobro do de um modelo equivalente a gasolina. O Volt, por exemplo, custa 39 145 dólares nos Estados Unidos, enquanto o Chevrolet Cruze, de dimensão semelhante e motor de combustão interna, é vendido a partir de 16 720 dólares. A baixa autonomia dos carros eléctricos é outro inconveniente. O Nissan Leaf percorre apenas 160 quilómetros antes de precisar de uma recarga de bateria que demora até 10 horas. “O problema é que os automóveis convencionais também estão a ganhar eficiência. Isso desencoraja o consumidor a optar por um carro muito mais caro e com uma tecnologia pouco desenvolvida”, diz Timothy Denoyer, director da consultora Wolfe Trahan, especializada em transportes.

Num relatório recém-divulgado, a consultora McKinsey destacou as dúvidas em relação ao futuro dos carros eléctricos como um dos principais desafios a ser enfrentados pelas construtoras nos próximos anos. A McKinsey estima que os veículos convencionais continuarão a ser dominantes pelo menos até 2030 e que as vendas de carros híbridos ou puramente eléctricos podem representar um quarto do mercado total até 2020. O crescimento das vendas de eléctricos resultará, segundo a McKinsey, da pressão de países como os Estados Unidos, França e China que querem equipar as suas frotas de automóveis e de transportes públicos com veículos eléctricos. “A corrida ainda está no início. Mas não há dúvidas de que a electrificação da frota automóvel é a única alternativa viável para que os países ricos cumpram as metas de emissão de carbono na próxima década”, diz Russell Hensley, investigador da McKinsey. É nisso que as construtoras apostam. Mas parece claro que o carro eléctrico ainda terá de passar pelo mais difícil dos testes: o da realidade.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.