Edição nº 26
 

Automóveis

Angolauto acelera para Benguela

Publicado a 19-05-2012 9:03:00

A Angolauto iniciou a sua actividade em 1993. A empresa é 100% angolana, tem quatro sócios que são administradores, dos quais Paulo Breda Marques é o actual presidente. A sua principal marca é a japonesa Suzuki (cuja concessão partilha com a Lusolanda), que representa cerca de 80% da facturação.

PAULO BREDA MARQUES: Investimento na expansão da rede nos próximos dois anos vai ascender a 20 milhões de dólares e gerar 100 novos empregos

Também fazem parte do portefólio a sueca Scania, a brasileira Randon, a japonesa TCM e a americana AcDelco. Em 2011, a firma conquistou a concessão da marca Chevrolet (que partilha com a Vauco) criando a empresa independente Angomotors. Juntas, elas são a terceira do sector em número de automóveis vendidos. A facturação combinada é de 80 milhões de dólares, empregando 230 trabalhadores.


O novo espaço inclui um show-room, uma oficina e um armazém de peças com 300 metros quadrados
As empresas têm três pontos de venda em Luanda, incluindo uma oficina com 24 mil metros quadrados e um show-room de 2500 metros quadrados no coração da cidade (perto da Sagrada Família). No início deste ano, a Angolauto/Angomotors deu início a um plano de expansão da rede. A primeira inauguração deu-se no passado mês de Março em Benguela, num investimento de 2 milhões de dólares e gerou 25 postos de trabalho. O espaço inclui um show-room, uma oficina que presta serviços de assistência pós-venda e um armazém de peças e acessórios com 300 metros quadrados. A inauguração do novo espaço foi um acontecimento numa cidade ávida de assistência automóvel de qualidade. O evento, que inclui espectáculos de danças tradicionais angolanas e a actuação de um grupo musical cubano, ocorreu no pavilhão da oficina que albergou cerca de 300 pessoas, entre as quais se destacavam o director provincial dos transportes, José Valongo, e o bispo emérito da diocese de Benguela, D. Óscar Braga.

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Corta fita: Pelo governador provincial dos Transportes, José Valongo
“Instalámos projectores de luz apontados para o céu que geraram uma enorme curiosidade entre os habitantes de Benguela”, afirmou à EXAME, o director de marketing João Tomás. O responsável acrescenta que a entrada em Benguela deveu-se ao facto de ser a segunda maior cidade do país e de poder servir outras como o Lobito ou o Huambo. “Outra vantagem é haver poucos concorrentes e serviços de pós-venda de qualidade em Benguela”, reforça.

Os consumidores parecem ter premiado essa aposta. “No primeiro dia em que abrimos a oficina, a 16 de Abril, houve um enorme afluxo de pedidos. Hoje, estamos a receber cerca de quatro a cinco viaturas por dia”, refere. Recorde-se que a oficina tem uma capacidade para fazer a manutenção de 200 viaturas, mas o objectivo, para já, é chegar às 150 unidades. Uma das vantagens é que o armazém tem sempre em stock as peças mais solicitadas. “Se, porventura, a peça não existe, os clientes não têm de vir a Luanda comprá-la. Em três ou quatro dias asseguramos a reposição das peças.” Na área das vendas, a meta é chegar a uma média mensal de 50 veículos.

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Mas esta foi apenas a primeira etapa de uma expansão na qual as firmas, segundo afirmou o presidente Paulo Breda Marques, “tencionam investir 20 milhões de dólares e gerar 100 novos postos de trabalho, nos próximos dois anos”. A próxima abertura irá ocorrer no quarto trimestre deste ano em Viana, num espaço de 85 mil metros quadrados, que inclui um stand de vendas e um parque automóvel (mais tarde pode incluir oficina quando a actual exceder a capacidade). Seguir-se-á a Catumbela, no terceiro trimestre de 2013, numa área de 100 mil metros quadrados. Esta irá dedicar-se à comercialização e pós-vendas de veículos pesados da marca Scania e incluirá igualmente um parque de automóveis. Por fim, será a vez da abertura em Cacuaco (provavelmente só em 2014) numa área de 40 mil metros quadrados.

Mercado recuperou no ano passado...

Embora a área do pós-venda comece a ganhar cada vez mais importância (representa cerca de 18% da facturação), as vendas de veículos ainda são o negócio mais importante da Angolauto/Angomotors. No ano passado, segundo os dados da Acetro, a Suzuki e a Chevrolet, foram, respectivamente, a segunda e a quarta marca mais vendidas em Angola. A japonesa consegui colocar dois modelos entre os sucessos comerciais de 2011

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Vista exterior do stand: Objectivo é vender 50 unidades por mês
(o Celerio em segundo lugar, com 1465 unidades; e o Jimny em quinto, com 1080), a marca americana adicionou outros dois (o New Spark, em  sétimo, e o Spark Lite, em oitavo). O facto de se tratarem de veículos pequenos parece traduzir uma tendência do mercado. “Está a surgir uma nova classe média em Angola, pelo que se vendem mais carros utilitários familiares, tais como o Spark e o Sail”, exemplifica João Tomás. Outra mudança está no facto de o mercado dos clientes empresariais estar a perder quota para o dos particulares. Estes, em regra, pagam os automóveis em dinheiro vivo (apenas 7% usam financiamento bancário). “Alguns clientes, como medo de depois gastarem o dinheiro, vão deixando pequenas somas no stand até perfazer o valor do automóvel”, revela.

 Recorde-se que 2011 foi um bom ano para o sector que cresceu 32% (total de 23 390 unidades vendidas), regressando praticamente aos valores de 2008 e 2009 a que seguiu a queda em 2010. O crescimento das vendas dos veículos ligeiros de passageiros (que representam 72% do mercado) subiu ainda um pouco mais (38%). A Angolauto, cuja principal marca é a Suzuki, cresceu apenas 8,2% devido, segundo João Tomás, “aos problemas de produção das marcas japonesas após o tsunami que, nalguns meses, chegaram a entrar em ruptura de stock”. Para 2012, os objectivos são superar  a marca dos 1631 vendidos em 2011 (acima da Lusolanda que vendeu 1594 veículos da marca nipónica) e chegar às 2200 unidades. Já a Augolauto, que representa a Chevrolet, teve uma estreia auspiciosa em 2011 com vendas de 1083 unidades (a somar às 1736 vendidas pela Vauco).

...e vai no bom caminho este ano

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INAUGURAÇÃO: Danças tradicionais foram vistas por 300 pessoas
No que diz respeito ao primeiro trimestre de 2012, as estatísticas da Acetro revelam que as vendas da Suzuki atingiram as 438 unidades, um valor ligeiramente superior aos 416 registados no período homologo do ano anterior. Já a Chevrolet teve uma subida mais expressiva com 312 unidades vendidas no primeiro trimestre (foram 205 em igual período de 2011). As vendas da Scania, por seu turno, triplicaram (embora estejamos a falar de apenas 12 unidades).

João Tomás acredita que 2012 será um bom ano para o mercado e para as marcas que representa. Para isso, as duas empresas terão de continuar a investir em marketing (o orçamento anual ronda os 300 mil a 350 mil dólares para cada uma). Além da publicidade tradicional (televisão, imprensa e outdoors) o responsável está a dar prioridade aos eventos. “Queremos estar presentes com promotores próprios, o que permite o contacto directo com o cliente.” São exemplos desse esforço a presença do Congresso Internacional da Ordem dos Médicos, realizado em Março, e na Feira Internacional de Benguela, que ocorrerá este mês. “Vamos ter um dos maiores pavilhões da feira com 600 metros quadrados”, revela. Mais uma prova de que a Angolauto/Angomotors escolheu a cidade das acácias como a primeira etapa de uma corrida à expansão da sua rede que talvez um dia lhe assegure a pole position na distribuição nacional de automóveis.

Angolauto/ Angomotors

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Fundação: 1993 (Angolauto) e 2011 (Angomotors)

Presidente: Paulo Breda Marques

Facturação: 80 milhões de dólares (60 milhões da Angolauto e 20 milhões da Angomotors) em 2011.

Vendas de automóveis: 2743 (1631 Suzuki; 29 Scania 
e 1083 Chevrolet) em 2011.

Trabalhadores: 240 (210 Angolauto e 30 Angomotors)

Marcas Angolauto: Suzuki (automóveis ligeiros, motos e motores marítimos); Scania (camiões e autocarros); Randon (semi-reboques); TCM (empilhadoras, porta contentores) e Acdelco (peças, acessórios, baterias).

Marcas Angomotors: Chevrolet

Rede Actual: Luanda (uma oficina e dois stands 
de venda); Benguela (1 oficina e um stand)

Rede Futura: Viana (quarto trimestre de 2012); Catumbela (terceiro trimestre de 2013) e Cacuaco (2014).


Por: Jaime FIdalgo
 

Comentários

  1. Arnaldo Correia
    2013-03-21 12:16:25
    Parabéns Paulo Breda Marques um abraço para si e toda a equipa da Angolauto a partir de Benguela
  2. Moises Antonio Paulo
    2012-06-15 00:56:09
    É de louvar e agradecer muito a Dues em primeiro lugar,2 pela força e coragem de ter acreiditado no q'conserne o projeto em menos de três anos crescer de tal maneira,porque até já vimos com os nossos olhos que existem pessoas com dom e dotes para uma grande qualidade e experiência no mundo do negócio
  3. MARCO SUOMI
    2012-05-29 08:42:28
    Parabéns Paulo Breda Marques e equipa! Um abraço a partir da Finlândia
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