Economia
Mas os perigos, no entender do FMI, mantêm-se. Na altura em que a EXAME fechou esta edição, a França, segunda maior economia europeia, estava prestes a escolher o seu futuro Presidente. O candidato de esquerda François Hollande lidera as sondagens da segunda volta e a sua vitória implicará o fim da aliança “Merkozy” (acrónimo de Merkel + Sarkozy) responsável pelas severas políticas de austeridade que alastram pelo Velho Continente. Os Estados Unidos também terão eleições presidenciais em Novembro. Na China, a sucessão de Wen Jiabo está a revelar-se menos consensual do que se previa. Este é o ano em que a economia dos países ricos está a ser dominada pelos eventos políticos.
Diz-se, muitas vezes, que hoje os governos navegam ao sabor dos mercados. Mas, na actual conjuntura, parece estar a suceder o inverso. São os acontecimentos políticos que estão a colocar os investidores cada vez mais nervosos.
Do relatório anterior do FMI para o actual, a maioria dos países sofreu uma revisão das previsões em alta. A excepção mais flagrante é a Espanha que terá uma recessão mais profunda do que a estimada (– 1,8%), apenas um ponto percentual abaixo da Itália (que será de – 1,9%).
A África Subsariana irá crescer 5,5% em 2012 (+ 0,5% do que no ano passado), mantendo-se como o bloco mais dinâmico do mundo a par da Ásia. A região parece ser uma das menos expostas à crise que veio dos países mais ricos. Essa “imunidade” explica-se, em grande medida, pela diversificação das exportações para os países emergentes. A título de exemplo, hoje a zona euro é o destino de apenas 20% das exportações dos países da África Subsariana (nos anos 90 esse valor era de 25%). Paralelamente, a subida do preço das commodities (matérias-primas), em particular o do petróleo, tem beneficiado os países exportadores de crude. Daí que a evolução positiva do PIB da região se deva, sobretudo, aos países exportadores de petróleo, cujo crescimento foi de 6,2% em 2011 e que este ano subirá para os 7,2%.
Recorde-se que nesta nova estimativa do FMI (crescimento do PIB de 9,75%) Angola perde 1,1 pontos percentuais face ao último relatório e fica abaixo da previsão oficial do Governo (12,8%), que consta do Orçamento Geral do Estado de 2012. Para o próximo ano, o FMI prevê que a economia angolana cresça 6,8%, depois de no ano passado se ter ficado pelos 3,4%.
Pela negativa, o destaque vai para a África do Sul, que crescerá apenas 2,75% (menos 1% do que o valor estimado no relatório anterior do FMI) e será a economia menos dinâmica da África Subsariana. Também o Botsuana viu as previsões revistas em baixa para 3,25% devido, em grande parte, à quebra da procura mundial de diamantes.
O FMI sublinha no seu relatório que uma das prioridades para África é a contenção da inflação. A taxa em Angola mantém uma trajectória descendente, 13,5% em 2011, 11,1% previsto para este ano e 8,3% para 2013. Apesar dessa tendência de queda, a estimativa da inflação do FMI (11,1%) está acima da meta do Governo (10%) sendo a quinta mais alta da África Subsariana. Em qualquer dos casos — PIB e inflação —, Angola está no topo. Só que no segundo caso tal distinção seria dispensável.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.