Edição nº 26
 

Economia

Angola brilha 
em África

Clique para ampliar a imagem
De volta ao crescimento, mas... os perigos mantêm-se. Este é o título do relatório de Abril do FMI (World Economic Outlook) que faz um balanço das perspectivas da economia global (o último havia sido publicado em Setembro de 2011), que depois são actualizadas periodicamente. Neste documento, os analistas do FMI revelam estar mais optimistas do que no início do ano, quando redigiram a última actualização do relatório. Recorde-se que, nessa altura, os mercados estavam muito apreensivos com a crise da dívida externa na Europa, em particular com os novos sinais de alarme que vieram de Itália e de Espanha. Tais riscos foram mitigados com a nomeação de novos primeiros-ministros nos dois países e pela acção do Banco Central Europeu. Outra boa notícia para a Europa foi ter evitado, in extremis, o colapso eminente da Grécia. No outro lado do Atlântico, as notícias sobre a ligeira retoma nos Estados Unidos também contribuíram para o actual clima de optimismo moderado.

Mas os perigos, no entender do FMI, mantêm-se. Na altura em que a EXAME fechou esta edição, a França, segunda maior economia europeia, estava prestes a escolher o seu futuro Presidente. O candidato de esquerda François Hollande lidera as sondagens da segunda volta e a sua vitória implicará o fim da aliança “Merkozy” (acrónimo de Merkel + Sarkozy) responsável pelas severas políticas de austeridade que alastram pelo Velho Continente. Os Estados Unidos também terão eleições presidenciais em Novembro. Na China, a sucessão de Wen Jiabo está a revelar-se menos consensual do que se previa. Este é o ano em que a economia dos países ricos está a ser dominada pelos eventos políticos.

Clique para ampliar a imagem
Mas a mesma incerteza é vivida noutras latitudes. Na América Latina, as polémicas nacionalizações da Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, têm estado nas bocas do mundo. Em África, num ano em que grande parte dos países do continente vão ter eleições, ocorreram golpes de Estado no Mali e na Guiné-Bissau que colocaram em sobressalto a estabilidade política na região. O Médio Oriente continua a ser um epicentro de instabilidade (vejam-se as tensões no Irão e as recentes revoltas no Bahrain) que tem reflexos directos nas cotações do preço do petróleo.

Diz-se, muitas vezes, que hoje os governos navegam ao sabor dos mercados. Mas, na actual conjuntura, parece estar a suceder o inverso. São os acontecimentos políticos que estão a colocar os investidores cada vez mais nervosos.

África Subsariana em destaque

Clique para ampliar a imagem
Mas vamos aos números do relatório do FMI. Segundo as novas estimativas, o crescimento da economia global irá ficar nos 3,5%, em 2012. São duas décimas acima das previsões de Janeiro, embora abaixo dos 4% de 2011. Por blocos económicos as previsões do crescimento do PIB nos Estados Unidos subiram três pontos percentuais (2,1%). Confirma-se que a zona euro terá uma recessão de 0,3%. Nos países emergentes, a China é a campeã do crescimento (8,2%) seguida da Índia (6,9%), Rússia (4%) e Brasil (3%).

Do relatório anterior do FMI para o actual, a maioria dos países sofreu uma revisão das previsões em alta. A excepção mais flagrante é a Espanha que terá uma recessão mais profunda do que a estimada (– 1,8%), apenas um ponto percentual abaixo da Itália (que será de – 1,9%).

A África Subsariana irá crescer 5,5% em 2012 (+ 0,5% do que no ano passado),  mantendo-se como o bloco mais dinâmico do mundo a par da Ásia. A região parece ser uma das menos expostas à crise que veio dos países mais ricos. Essa “imunidade” explica-se, em grande medida, pela diversificação das exportações para os países emergentes. A título de exemplo, hoje a zona euro é o destino de apenas 20% das exportações dos países da África Subsariana (nos anos 90 esse valor era de 25%). Paralelamente, a subida do preço das commodities (matérias-primas), em particular o do petróleo, tem beneficiado os países exportadores de crude. Daí que a evolução positiva do PIB da região se deva, sobretudo, aos países exportadores de petróleo, cujo crescimento foi de 6,2% em 2011 e que este ano subirá para os 7,2%.

O crescimento do PIB angolano deve-se ao aumento da produção do petróleo e à subida do preço do crude
Entre esses países o destaque principal vai para Angola cujo PIB subirá 9,75% este ano, um crescimento impulsionado pelo aumento da produção de petróleo (há novos campos em actividade) e pela subida da cotação do ouro negro. Isto significa que, dos 18 países da África Subsariana, Angola terá o melhor desempenho em 2012. No continente é apenas ultrapassado pela Serra Leoa e pelo Níger (sendo o sétimo do mundo que mais cresce).

Recorde-se que nesta nova estimativa do FMI (crescimento do PIB de 9,75%) Angola perde 1,1 pontos percentuais face ao último relatório e fica abaixo da previsão oficial do Governo (12,8%), que consta do Orçamento Geral do Estado de 2012. Para o próximo ano, o FMI prevê que a economia angolana cresça 6,8%, depois de no ano passado se ter ficado pelos 3,4%.

Prioridade no combate à inflação

Clique para ampliar a imagem
O segundo lugar no pódio do crescimento da África Subsariana é ocupado pelo Gana que se estreou como produtor de petróleo em 2011 (no qual registou um crescimento do PIB de 13,6%). Este ano, a subida será de 8,8%, a segunda maior da região. O terceiro lugar vai para a Costa do Marfim. Depois da forte queda do PIB de 4,7% registada no ano passado, devido aos conflitos militares, o país terá um crescimento de 8,1%. O mesmo cenário positivo ocorre na Nigéria (subida de 7%, a quarta maior da região) embora se preveja um abrandamento do sector não petrolífero e uma política fiscal e monetária menos expansionista. Entre os crescimentos acima da média da região, de referir o desempenho de Moçambique que se mantém com um crescimento estável em torno dos 7% (7,1% em 2011, 6,7% em 2012 e 7,2% em 2012).

Pela negativa, o destaque vai para a África do Sul, que crescerá apenas 2,75% (menos 1% do que o valor estimado no relatório anterior do FMI) e será a economia menos dinâmica da África Subsariana. Também o Botsuana viu as previsões revistas em baixa para 3,25% devido, em grande parte, à quebra da procura mundial de diamantes.

O FMI sublinha no seu relatório que uma das prioridades para África é a contenção da inflação. A taxa em Angola mantém uma trajectória descendente, 13,5% em 2011, 11,1% previsto para este ano e 8,3% para 2013. Apesar dessa tendência de queda, a estimativa da inflação do FMI (11,1%) está acima da meta do Governo (10%) sendo a quinta mais alta da África Subsariana. Em qualquer dos casos — PIB e inflação —, Angola está no topo. Só que no segundo caso tal distinção seria dispensável.  


Por: Filipe Cardoso
 
Nome

E-Mail

Comentário


Enviar Comentário


 
 
Galeria
  • dolar
  • elvis
  • facebook
  • ipad
  • marcas
  • ruanda
Edição Impressa
Exame 37

O maior World Trade Center do mundo

Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares 
e poderá gerar negócios 
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.








 

 
 






 

Assinaturas

Medianova

Assine as publicações da Medianova e receba comodamente as várias edições em formato PDF no seu email