Decoração
A história da Graça Viterbo Interior Design tem imensa graça (o leitor que nos perdoe, mas o trocadilho é simplesmente irresistível). A marca nasceu na década de 70, por iniciativa de Graça Viterbo, uma visionária portuguesa do design. Numa altura em que a decoração de casas ainda não era considerada uma opção de carreira, Graça Viterbo abandonou o curso de Direito e ingressou no de Artes Decorativas, da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, em Lisboa, formação complementada com uma pós-graduação em Design de Interiores, na Inchbald School of Design, de Londres.Ao regressar ao seu país Graça Viterbo desenvolveu uma carreira de sucesso, premiada internacionalmente. Distinguiu-se na decoração de interiores para o sector residencial, em grandes projectos imobiliários e na restauração e hotelaria de luxo. Em Portugal, salientam-se as remodelações do Estoril Sol e do Albatroz, ambos em Cascais, ou dos projectos mais recentes no Palácio Quinta Patino, no Estoril, ou no Bela Vista Hotel & SPA, no Algarve, considerado pelo The New York Times com um dos 50 melhores locais de charme de 2012.
Porém, a grande aposta da marca é o serviço personalizado. “Não somos vendedores de móveis. Somos uma empresa de lifestyle design. Vemos o nosso ateliê como um hotel de seis estrelas onde os clientes se sentem mimados. Cada projecto conta uma história. Gostamos de criar ambientes únicos e exclusivos feitos à medida dos desejos do cliente”, justifica.
Estes, por sua vez, dividem-se entre os que vão regularmente à loja onde adquirem os produtos ou encomendam por catálogo (“desde os topos de gama como antiguidades, tecidos Hermès ou as almofadas Missoni, até às nossas marcas brancas com preços mais em conta”) até aqueles que solicitam projectos personalizados “chave na mão”. “Muitas vezes, o cliente vem à nossa loja para comprar um sofá e acabamos por mobilar a casa toda e apoiá-lo em todas as decisões de decoração”, diz Gracinha. Ela acrescenta, a sorrir (uma das suas imagens de marca), que muitas vezes são os homens que fazem a primeira sondagem na loja acabando, porém, por serem as mulheres a decidir. Outro dos pontos diferenciadores é, segundo ela, a exclusividade e, sobretudo, a confidencialidade e sigilo. “A maioria dos cliente não gosta de mostrar as suas casas. No final do projecto nem sequer nos deixam tirar fotografias para o nosso portefólio. Sinto que o cliente angolano é muito exigente, está muito bem informado e sabe o que quer”, resume.
Mas a actividade da marca em Angola não se resume aos particulares. Antes da abertura da loja a Viterbo Interior Design, em parceria com a Tecnoplano (a empresa daí resultante chama-se Integra Mais e inclui um sócio angolano), já havia vencido o concurso para a construção de 80 hotéis em todo o território nacional para a seguradora angolana AAA. O projecto a concluir em cinco anos já está em curso e abrange 60 hotéis de quatro estrelas (agrupados na insígnia iU, cuja primeira unidade será inaugurada ainda este ano) e 20 hotéis de cinco estrelas (que vão designar-se IKA e terão pelo menos uma unidade em cada capital de província). No que diz respeito à decoração, os hotéis oferecerão um mix entre o design moderno internacional e as referências à cultura angolana. “A inspiração nacional vai ser sentida na arte, nas esculturas (sobretudo em madeira), nas peças de artesanato e principalmente nas combinações de cores. Foi um trabalho que me obrigou a uma grande investigação e pesquisa no terreno. Um dos aspectos mais surpreendentes para mim foi as diferentes perspectivas da cor que existem em Angola. Foi um desafio muito estimulante”, justifica.
A este propósito, refira-se que a Viterbo criou há dois anos um escritório em Singapura que foi a sua porta de entrada para o sudoeste asiático. Um dos seus projectos mais emblemáticos foi a decoração de uma residência de 7 mil metros quadrados na Tailândia. “A cliente pesquisou na internet e gostou do nosso portefólio. As referências elogiosas que recebemos de revistas como a Condé Nast Traveler e o The New York Times e o facto de termos vencido prémios internacionais, deu-nos maior visibilidade.” Entre esses galardões destacam-se o Best Private House, atribuído pela Bloomberg, relativo ao Europe & África Properties Awards de 2010 e 2011 e o facto de Gracinha Viterbo ter sido nomeado para o Andrew Martin Award, considerado os Óscares do design de interiores. Recentemente, a Viterbo também criou um escritório no Rio de Janeiro, de forma a tirar partido do promissor mercado brasileiro. “Estamos nos locais por onde se movem os nossos cliente — Portugal, Angola, Brasil e sudoeste asiático”, diz Miguel Vieira da Rocha. Um factor que também ajudou a internacionalização da marca, acrescenta, é porque a Gracinha é fluente em quatro línguas: português, espanhol, francês e inglês.
Os grupos são no máximo de 15 pessoas e a maioria dos inscritos é mulheres. Dado o sucesso da primeira edição, o ciclo de palestras vai passar a ter um periodicidade trimestral. “Não são meras prelecções, mas, sim, trocas de experiências sobre decoração, que visam manter e aprofundar as relações entre as pessoas. Creio que o nosso negócio não tem apenas que ver com o design. A forma como decoramos uma casa, por exemplo, deve ser uma extensão da personalidade do cliente. Queremos ser uma marca de lifestyle e isso tem muito que ver com a psicologia e as relações humanas, porque é necessário criar empatia e confiança com as pessoas. Muitos dos clientes tornam-se também nossos amigos. A ligação prolonga-se para lá dos negócios”, afirma a decoradora.
Talvez por isso Gracinha confessa que acabou por desenvolver uma relação emocional com Angola. “Estamos a estudar a criação de uma fundação que apoie os mais desfavorecidos, em particular as crianças. Ela terá obviamente uma forte componente humanitária, mas o objectivo principal é auxiliar o desenvolvimento da criatividade e da expressão individual através da arte.”
Mãe de quatro filhos, Gracinha Viterbo ainda não detectou que algum deles queira seguir a herança familiar. Quem sabe não será em Angola que surgirá o próximo grande designer da marca.
Data da fundação: 1979
Escritórios: Portugal (sede em Cascais), Angola (Talatona), Brasil (Rio de Janeiro) e Singapura
Facturação: 5,3 milhões de dólares
Actividade em Angola:
Abriu loja com marca própria, em Outubro de 2010. Está envolvida no consórcio Integra Mais que venceu o concurso para a construção de 80 hotéis (60 de quatro estrelas e 20 de cinco estrelas) para a seguradora AAA.
Equipa em Angola: Dez pessoas
Internet: www.gviterbo.com
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.