Edição nº 27
 

Gestão

Os novos líderes

Publicado a 20-06-2012 15:03:00

Desorganizados, displicentes, fúteis, individualistas. É assim que os executivos mais  velhos — das gerações “baby-boomer” (nascidos entre 1945 e 1965) e “X” (nascidos entre os anos 60 e 80) — costumam caracterizar os líderes da nova “geração Facebook”. Devido à alta rotatividade dos jovens no mercado de trabalho, é comum eles reclamarem sobre o comportamento estranho e desleixado desta nova geração.


Musseque no Quénia: Alunos de MBA trabalham em projectos sociais para desenvolver novas competências e promover valores sustentáveis

Os receios sobre esses jovens (que hoje estão na faixa etária dos vinte e poucos anos) são, porém, desfeitos, ao folhear as páginas do livro Passion & Purpose: Stories from the Best and Brightest Young Business Leaders, publicado recentemente por John Coleman, Daniel Gulati e W. Oliver Segovia, um trio de licenciados pela Harvard Business School.

Com base em entrevistas com gestores seniores e alunos de MBA (master business administraton) das melhores universidades americanas, os autores oferecem uma nova perspectiva sobre como os jovens líderes irão desenhar o futuro, transformando os negócios e redefinindo a liderança em todo o mundo. O livro conclui que os novos líderes estão mais preparados do que os baby-boomers quando tinham a mesma idade. Com a banalização dos cursos de MBA e de pós-graduação, essa nova geração de líderes de negócios é a mais qualificada de toda a história. Em consequência, ela está a trazer um novo conjunto de valores para a mesa das administrações das empresas. Produzir de maneira consciente e sustentável, por exemplo, nunca foi tão importante. A mesma coisa pode ser dita sobre liderar de forma justa e ética.

Além da educação formal, eles têm forte inclinação a aprender com a prática, recolhendo experiências em diversos campos do conhecimento (mesmo aquelas que aparentemente não têm uma relação directa com a sua área de estudo). Nesse pormenor (experiências diversificadas) eles são bem mais vividos do que os seus pais. Para mais, durante a sua curta experiência de vida, eles puderam testemunhar eventos importantes da história, como a última crise financeira mundial. Logo, a oportunidade para aprender com erros (como os cometidos durante a crise), também enriquece as suas visões do mundo.

Se é verdade que líderes com este perfil nunca existiram antes, também é preciso notar que os desafios enfrentados agora por eles são outros. Como é que essa nova geração vai equilibrar desenvolvimento económico com sustentabilidade? Como promover inovações que nos permitam viver mais e lidar com o problema do envelhecimento populacional? Como oferecer aos habitantes do planeta um estilo de vida baseado no conforto material, diminuindo, ao mesmo tempo, o impacto ambiental?

Liderança sem fronteiras culturais

Uma coisa é certa: os jovens líderes terão um papel fundamental para ajudar organizações a navegar em mercados globais cada vez mais incertos e aproveitar novas oportunidades nas regiões do mundo mais dinâmicas. Entre muitas histórias, o livro conta o caso da americana Katie Laidlaw, uma jovem consultora da Boston Consulting Group. Como muitos jovens da sua geração, ao mesmo tempo que desenvolvia formas de liderança, Katie queria apoiar projectos que criassem riqueza de forma sustentável. Fez, por isso, um estágio de Verão na Tanzânia, num projecto desenvolvido pela Technoserve, organização americana sem fins lucrativos, dedicada à redução da pobreza. O livro apresenta outros exemplos semelhantes, como o projecto Carolina for Kibera, que recebe todos os anos estudantes de MBA para trabalhos voluntários num musseque de Nairobi, a capital do Quénia.

Ao longo de três meses, Katie recolheu dados sobre o mercado de frutas e vegetais junto dos produtores de pequenas localidades no interior da Tanzânia. Com base nessa sondagem, desenhou um bem-sucedido projecto de desenvolvimento social, económico e ambiental que mudou a vida das populações. “Essa experiência confirma a nossa tese. Os futuros líderes estão mais bem preparados para lidar com os problemas do amanhã”, resumem os autores. Katie é apenas um exemplo entre milhares de jovens que usam os seus talentos para provocar um impacto positivo na sociedade.

Há alguns argumentos que sustentam essa tese. Esta é a primeira geração de jovens que cresceu totalmente ligada, em contacto com as ideias dos lugares mais diversos. Jovens com Katie ganham experiência internacional cada vez mais cedo na sua carreira — aos vinte e poucos anos, já viajaram para diversos países e trabalharam no estrangeiro. Tal proximidade com o mundo dás-lhe maior bagagem para enfrentarem problemas de qualquer natureza. Para mais, as redes sociais como o LinkedIn ou o Facebook, permite-lhes contactar e trabalhar em equipa com pessoas de todos os cantos do mundo. Tudo isso ajuda a nova geração de líderes a transcender as fronteiras nacionais ou culturais e a criar ambientes de trabalho mais criativos e multidisciplinares. Afinal é o acesso a ideias diferentes que permite pensar diferente. E é isso que se espera de um grande líder: a capacidade de inovar.    

Passion & Purpose: Stories from the Best and Brightest Young Business Leaders

Editora Harvard Business Review Press, 340 págs. 
Autor John Coleman, Daniel Gulati, W.Oliver Segovia

Os novos líderes, devido à 
experiência que acumulam antes 
dos 30 anos, sabem unir pessoas e fazer 
com que colaborem para solucionar 
problemas cada vez mais complexos.



Por: Carlos da Costa
 

Comentários

  1. em
    2012-10-29 15:09:58
    Eu como jovem africana( Angolana) que sou tenho 26 anos de idade não tenho casa com salário que eu ganho não vejo maneira para obter uma, licenciada em contabilidade e finanças, uma casa de T2 fica-me a 200 mil dólar se não estou enganada!! muitas das vezes sem agua corrente e luz, se for para alugar pode ficar por 800 ate 1500 usd. onde e que eu vou tirar tempo capacidade para evoluir a minha mente e criar coisas grandiosa coisas que deixam a minha marca no mundo e do meu pais?? reparem que eu não estou cá a citar luxo nem ostentação, mais sim coisas básicas que parece que não mais faz muita diferença em nossas vidas, o que eu quero dizer e que a minha mente 1 vai preocupar-se, com o meu bem estar. uma casa para habitar, agua e luz alimentação em condições, educação, saúde saneamento básico Aprendi algo que eu vou levar para resto na minha vida o primeiro para um ser humano é o need`s depois e Wants(bem primário depois bem secundário)se não temos o bem primário e quase impossível conseguir evoluir a nossa mente para segunda dimensão,,isso é da mente da criação enovasao
  2. Izatta Nzogy Janotha
    2012-07-16 18:14:21
    ...Uma vez que os Governos Africanos andam "norte de java", será que as universidades ainda não viram estas oportunidades estratégicas de se assumirem de forma cientifica e técnica diante das suas congéneres americanas, europeias e asiáticas?
  3. Izatta Nzogy Janotha
    2012-07-16 18:13:53
    E como sempre me surge a seguinte pergunta: aonde estão os estudantes africanos? Conforme os relatos, os jovens ocidentais vêm para o continente berço aprender as origens da sociedade «pura», a fim de consolidarem as bases e «variantes» de funcionamento das suas sociedades, visando a se tornarem líderes das empresas de topo dos EUA, UK, etc...
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