Televisão
Bem-vindos ao vosso evento!” Foi com esta saudação que o grupo humorístico Os Tunezas subiu ao palco durante a gala de inauguração do programa “Feito em Angola”, um evento que decorreu no Centro de Congressos de Talatona e foi transmitido em directo pela TPA.
Manuel Vicente: “Marcas aderentes terão preferência em todas as compras do sector público”, garantiu o ministro da Coordenação Económica
Por uma vez, Os Tunezas não estavam a brincar. De facto, este programa de incentivo ao consumo de produtos nacionais que, em boa hora o Ministério da Economia resolveu lançar, pertence a todos os angolanos. A quem produz, porque terá à sua disposição uma valiosa arma de marketing. A quem consome, porque sabe que as suas decisões de compra podem ter um impacto directo na economia nacional. E a quem trabalha com marcas nacionais, porque sentirá decerto mais motivação em representar a “qualidade do que é nosso” (a frase de assinatura do programa que está patente no seu logótipo).
Programa incentiva os consumidores a preferir as marcas nacionais e os produtores a melhorar a qualidade

A EXAME teve a oportunidade de falar com Licínio Contreiras, consultor do ministro e um dos principais “rostos” do programa, que adicionou outras vantagens. Além da mais óbvia, que é a utilização da logomarca (“que funcionará como um motivo de distinção e de prestígio junto dos consumidores”), o aderente terá acesso privilegiado aos conteúdos e à assessoria do INAPEM (Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas) e poderá participar em acções de networking como o “Dia Feito em Angola” e os prémios a criar.

A adesão, porém, não tem só vantagens, mas também deveres. O primeiro, é o pagamento de uma quota anual (o custo varia em função da dimensão da empresa) e a submissão a processos de certificação e auditoria de qualidade (por parte do INADEC e IANORQ, por exemplo). O logótipo, por sua vez, também só é atribuído a empresas que preenchem alguns requisitos, caso da produção nacional e das obrigações fiscais e de segurança social estarem em regularizadas (veja caixa “O essencial sobre o programa”).
Durante o concorrido evento, vários empresários nacionais manifestaram o seu agrado pela iniciativa. Bartolomeu Dias, disse que à EXAME que o “programa dará um forte impulso aos sector industrial. Ainda precisamos de mais ajudas mas reconhecemos que a ideia poderá dar uma boleia aos empresários nacionais”, disse sorrindo.

Eurico Feliciano, da Refriango, também considerou o programa “uma oportunidade soberana de incentivo as empresas nacionais, sobretudo as que já estão com marca de exportação”. Deixou, porém, um recado. “Mas isto só se consegue concretizar se deixarmos de parte os complexos relativamente à qualidade das marcas angolanas e passarmos a consumi-las seja em que circunstância for”. Terminou, porém, com um lamento. “As marcas da Refriango competem anualmente em concursos internacionais e arrecadam prémios de qualidade, daí não entender como é que neste evento de lançamento, os sumos, refrigerantes e cervejas servidos no catering eram importados em vez de privilegiarmos o que de bom é feito em Angola.”
Felizmente o mesmo não sucedeu com os artistas que desfilaram no evento caso do grupo de dança Kilandukilu (na abertura) e dos músicos Afrikanita e Matias Damásio (no encerramento). Este último protagonizou o momento mais emotivo da noite quando entoou a música Angola País Novo (que já se tornou uma espécie de hino não oficial do país) que levou o público a acenar com os guardanapos brancos (um símbolo improvisado dos dez anos de paz). Foi, portanto, com grande orgulho nacional que o Feito em Angola foi apresentado. Oxalá assim permaneça.
Programa de incentivo ao consumo de produtos nacionais.
BENEFíCIOS
- Utilização do logótipo nos produtos e materiais de comunicação.
- Acesso a materiais e à assessoria do INAPEM.
- Preferência de compras por entidades governamentais.
- Oportunidade de networking com outros afiliados
- Ser uma micro, pequena, média ou grande empresa, certificada pelo INAPEM há, pelo menos, um ano no mercado.
- Ter situação regularizada com o fisco e a segurança social.
- Pagamento das quotas anuais.
- Microempresas (1) = 250 dólares
- Pequenas empresas (2) = 500 dólares
- Médias empresas (3) = 1500 dólares
- Grandes empresas (4) = 2500 dólares
www.feitoemangola.gov.ao
(1)
Facturação anual menor ou igual a 250 mil dólares.
(2) Facturação anual entre 250 mil a 3 milhões de dólares.
(3) Facturação anual entre 3 a 10 milhões de dólares.
(4) Facturação anual acima de 10 milhões de dólares.
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