Edição nº 27
 

Televisão

Orgulhosamente angolanas

Publicado a 21-06-2012 10:42:00

Bem-vindos ao vosso evento!” Foi com esta saudação que o grupo humorístico Os Tunezas subiu ao palco durante a gala de inauguração do programa “Feito em Angola”, um evento que decorreu no Centro de Congressos de Talatona e foi transmitido em directo pela TPA.

Manuel Vicente: “Marcas aderentes terão preferência em todas as compras do sector público”, garantiu o ministro da Coordenação Económica

Por uma vez, Os Tunezas não estavam a brincar. De facto, este programa de incentivo ao consumo de produtos nacionais que, em boa hora o Ministério da Economia resolveu lançar, pertence a todos os angolanos. A quem produz, porque terá à sua disposição uma valiosa arma de marketing. A quem consome, porque sabe que as suas decisões de compra podem ter um impacto directo na economia nacional. E a quem trabalha com marcas nacionais, porque sentirá decerto mais motivação em representar a “qualidade do que é nosso” (a frase de assinatura do programa que está patente no seu logótipo).

Programa incentiva os consumidores a preferir as marcas nacionais e os produtores a melhorar a qualidade

Claro que, logo a seguir, Os Tunezas “estragaram tudo”, falando de inovações tipicamente nacionais como o “código” da estrada dos candongueiros de Luanda e dos demais “bangões”. Noutro momento de humor, um grupo de teatro apresentou a cena de um anfitrião que queria impressionar o cunhado, dizendo que todos os produtos que tinha em casa haviam sido importados dos sítios mais incríveis do mundo (quando afinal eram nacionais). A cena parece caricata, mas infelizmente não é ficção. Daí a importância de “se valorizar o que é produzido em Angola”, um dos objectivos, aliás, do programa Feito em Angola, que foi enfatizado por Manuel Vicente, ministro de Estado e da Coordenação Económica, no seu discurso de abertura.  

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Licínio Contreras: "As empresas podem candidatar-se através do site"
O ministro enumerou outros objectivos do programa que, por um lado, pretende educar o consumidor angolano a preferir produtos nacionais e, por outro, incentivar as empresas angolanas a produzirem com qualidade. Deste modo, acrescentou o ministro, “estaremos a contribuir para a substituição das importações pela produção interna e para a diversificação da economia”. O empenhamento do Executivo passa também, como frisou, “pela preferência a conceder às empresas aderentes em todas as compras do sector público”.

A EXAME teve a oportunidade de falar com Licínio Contreiras, consultor do ministro e um dos principais “rostos” do programa, que adicionou outras vantagens. Além da mais óbvia, que é a utilização da logomarca (“que funcionará como um motivo de distinção e de prestígio junto dos consumidores”), o aderente terá acesso privilegiado aos conteúdos e à assessoria do INAPEM (Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas) e poderá participar em acções de networking como o “Dia Feito em Angola” e os prémios a criar.

Campanha de promoção já arrancou

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Abraão Gourgel: Ministro da Economia está convicto de que o programa chegará a mais de uma centena de marcas ainda este ano
O responsável esclareceu também que o Ministério da Economia irá investir fortemente na promoção do programa. Numa primeira fase, a campanha irá abranger a comunicação social (televisão, imprensa e rádio) e, numa segunda, será dirigida directamente aos consumidores (são exemplos os eventos em escolas e universidades ou a campanha de fidelização que dará prémios aos clientes que coleccionem o maior número de logótipos). Outro eixo fundamental da comunicação é o site (já activo) onde as empresas poderão preencher a ficha de adesão. Diga-se a este propósito que os consultores de marketing foram duas firmas nacionais: a Executive Center e a Isenta.

A adesão, porém, não tem só vantagens, mas também deveres. O primeiro, é o pagamento de uma quota anual (o custo varia em função da dimensão da empresa) e a submissão a processos de certificação e auditoria de qualidade (por parte do INADEC e IANORQ, por exemplo). O logótipo, por sua vez, também só é atribuído a empresas que preenchem alguns requisitos, caso da produção nacional e das obrigações fiscais e de segurança social estarem em regularizadas (veja caixa “O essencial 
sobre o programa”).


Os empresários aplaudiram a ideia. “O programa dá uma boleia à indústria nacional”, afirmou Bartolomeu Dias
O responsável confessou estar optimista quanto ao sucesso da iniciativa. “Ainda antes do lançamento oficial, já tínhamos 43 empresas que aderiram ao programa. Tudo marcas nacionais de prestígio” (a EXAME reparou durante a apresentação do vídeo de lançamento em logótipos como os da TAAG, Lactiangol, Avinova, BCI, Refriango e, claro, as do grupo Media Nova). Outro sinal importante da adesão foi o facto de, no átrio do Centro de Congressos, existirem pavilhões de outras marcas como a Flo-Tek, ENSA ou Green Power (todas já referidas nas páginas desta revista). No final da visita aos stands, o ministro da Economia, Abraão Gourgel, não escondeu à EXAME a sua satisfação. “Espero que até ao final do ano tenhamos mais de uma centena de empresas”, vaticinou.

Durante o concorrido evento, vários empresários nacionais manifestaram o seu agrado pela iniciativa. Bartolomeu Dias, disse que à EXAME que o “programa dará um forte impulso aos sector industrial. Ainda precisamos de mais ajudas mas reconhecemos que a ideia poderá dar uma boleia aos empresários nacionais”, disse sorrindo.

Mundo empresarial apoia a iniciativa

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José Zeferino: “Programa pode promover as exportações nacionais”
José Zeferino, presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), disse à imprensa no final do evento que “o programa é um objectivo que AIA já prosseguia e que o Executivo concretizou. Nós precisamos de ter algo que em qualquer parte do mundo quando se olha se diga, isto é feito em Angola. Todos temos de gostar do produto nacional, esta é uma referência que nós temos de dar ao consumidor. É a única forma de combatermos o desemprego, de aumentarmos a nossa riqueza distribuída por todos, para que tenhamos uma sociedade melhor, frisou.

Eurico Feliciano, da Refriango, também considerou o programa “uma oportunidade soberana de incentivo as empresas nacionais, sobretudo as que já estão com marca de exportação”. Deixou, porém, um recado. “Mas isto só se consegue concretizar se deixarmos de parte os complexos relativamente à qualidade das marcas angolanas e passarmos a consumi-las seja em que circunstância for”. Terminou, porém, com um lamento. “As marcas da Refriango competem anualmente em concursos internacionais e arrecadam prémios de qualidade, daí não entender como é que neste evento de lançamento, os sumos, refrigerantes e cervejas servidos no catering eram importados em vez de privilegiarmos o que de bom é feito em Angola.”

Felizmente o mesmo não sucedeu com os artistas que desfilaram no evento caso do grupo de dança Kilandukilu (na abertura) e dos músicos Afrikanita e Matias Damásio (no encerramento). Este último protagonizou o momento mais emotivo da noite quando entoou a música Angola País Novo (que já se tornou uma espécie de hino não oficial do país) que levou o público a acenar com os guardanapos brancos (um símbolo improvisado dos dez anos de paz). Foi, portanto, com grande orgulho nacional que o Feito em Angola foi apresentado. Oxalá assim permaneça. 


O essencial sobre o programa
O QUE É
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Programa de incentivo ao consumo de produtos nacionais.

BENEFíCIOS

- 
Utilização do logótipo 
nos produtos e materiais 
de comunicação.

- 

Acesso a materiais e à assessoria do INAPEM.

- 
Preferência de compras por entidades governamentais.

- 

Oportunidade de networking com outros afiliados

REQUISITOS

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- 
Ser empresa angolana 
ou com capital social, maioritariamente angolano (maioria simples), e com sede social em Angola.

- 
Ser uma micro, pequena, média ou grande empresa, certificada pelo INAPEM 
há, pelo menos, um ano 
no mercado.

- 
Ter situação regularizada com o fisco e a segurança social.

- 
Pagamento das quotas anuais.

ENCARGOS ANUAIS

- 
Microempresas (1) 
= 250 dólares

- 
Pequenas empresas (2) 
= 500 dólares

- 
Médias empresas (3) 
= 1500 dólares

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- 
Grandes empresas (4) 
= 2500 dólares

SITE

www.feitoemangola.gov.ao


(1) 
Facturação anual menor ou igual a 250 mil dólares.

(2) 
Facturação anual entre 250 mil a 3 milhões de dólares.

(3) 
Facturação anual entre 3 a 10 milhões de dólares.

(4) 
Facturação anual acima de 10 milhões de dólares.



Por: Jaime Fidalgo
 
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