Estados Unidos
O mercado financeiro é a maior fábrica de metáforas já produzida pela humanidade. Os optimistas, segundo o jargão de Wall Street, são os “touros”; os pessimistas são os “ursos”; há os investidores “abutres”, o “efeito borboleta”, etc. É assim que os investidores estão a reagir ao mais recente capítulo do drama grego. Na Europa. Na Ásia. Em África. Em qualquer mercado, os investidores assistem horrorizados a um cenário que dificilmente deixará de ser trágico. Há, porém, uma excepção. Na Bolsa americana, a mais importante do mundo, ninguém parece muito preocupado com os helénicos. A resistência do mercado americano tem sido impressionante. Desde Outubro do ano passado, os principais índices da Bolsa acumulam subidas de 25%, em média.
Nos resto do mundo sucede o contrário. Desde os picos históricos de 2007, as maiores praças financeiras caíram em desgraça. Na Europa, a queda média foi de 52%; no Japão e na China, de 60%. Mas nos Estados Unidos a queda não passou dos 16%. De lá para cá, vale a pena recordar, o Lehman Brothers e a AIG faliram, a recessão do imobiliário contagiou o resto da economia, a zona do euro esteve ameaçada de colapso (para muitos, ainda está).

Em dois dias, as acções do Facebook perderam 18% do valor. Os motivos para o fiasco pós-estreia foram muitos — a começar por problemas na infra-estrutura de tecnologia da Nasdaq. O sistema travou devido ao número de transacções simultâneas e cancelou várias ordens de compra. Havia, ainda, razões nebulosas. Na segunda-feira, 21 de Maio, a agência de notícias Reuters acusou as três instituições financeiras, escolhidas para coordenar a oferta pública inicial, de ter revisto em baixa (e em segredo) as previsões sobre a facturação do Facebook. O motivo foi a desaceleração das receitas da publicidade no primeiro trimestre, apesar de o número de utilizadores do Facebook continuar a crescer. É que mais clientes aumentam os custos com a infra-estrutura de servidores da empresa. Por outras palavras, menos receitas e mais custos.
A “marcha atrás” dos investidores em relação à abertura de capital mais badalada dos últimos anos despertou a atenção de quem acompanha a Bolsa americana mais de perto. Há indícios de que a cautela dos investidores se tornou generalizada. Seis das 20 acções das grandes empresas com melhor desempenho nos Estados Unidos e no Canadá são de sectores conhecidos como “defensivos” — que não sofrem tanto se ocorre uma crise, caso das eléctricas, por exemplo. Há diversos motivos para isso. As eleições vêm aí e os líderes republicanos e democratas no Congresso já ameaçam repetir a crise da negociação do tecto da dívida americana em 2012. A recuperação económica não é garantida. E há, finalmente, o risco de que a situação na Europa vá de mal a pior. E não é preciso ser um especialista em metáforas para saber o que vem depois da calmaria.
Por: Bruno FerrariO célebre projecto sediado no Waku Kungo “renasceu” em Outubro de 2012 e já é o maior produtor de ovos