Martini
A Martini é uma das bebidas mais famosas do mundo. Parte dessa popularidade deve-se aos filmes do James Bond, onde o espião 007 pede os martini batidos (num shaker) em vez de apenas misturados (shaken, not stirred, em inglês, frase que se tornou um ícone da história do cinema) ou do não menos famoso Martini Man (o latino cool, de óculos escuros, que enlouquecia as beldades quando passava as mãos sensualmente pelos lábios). A marca de vermute, de origem italiana (hoje faz parte do grupo Bacardi Martini), é distribuída exclusivamente pela Intramuros, em Angola, há mais de uma década.
“A sorte é uma atitude”: Adaptação local da campanha global juntou
Freddy Costa e Vanessa Fonseca. Ilustra o glamour e o lado cosmopolita
de Luanda
Nos últimos anos, segundo Márcio Ferreira, responsável do grupo para os mercados da África Ocidental, tem crescido à volta dos 30%. Os bons resultados devem-se, em grande parte, na aposta em campanhas de publicidade produzidas especificamente para Angola (uma inovação mundial), nas quais o modelo Freddy Costa é o embaixador da marca. “O grupo está habituado a comunicar de forma global. Não foi fácil convencê-los a comunicar em português, com um rosto local. Tivemos de construir um caso sobre as especificidades do mercado angolano que tivemos de defender na sede global para o marketing em Londres. Demorámos mais de seis meses para obter a aprovação”, recorda.

Márcio Ferreira crê que valeu a pena apostar na comunicação local. “Nos últimos dois anos, o grupo Bacardi Martini duplicou o volume de negócios em Angola. O mercado é especial. Quando se activam as marcas, os resultados surgem rapidamente”, garante. Para ilustrar essa diferença o responsável socorre-se da sua experiência à frente de 17 países da África Ocidental. “Angola é o segundo maior, com uma quota de 25%, logo a seguir à Nigéria com 30%. Só que este país é muito mais populoso. Angola é um dos maiores do mundo no consumo per capita”, argumenta. Outra diferença é o peso do mercado informal que, apesar de ainda representar 50% das vendas, tem vindo a perder influência. “Noutros países africanos, o mercado paralelo é maior.” Em sentido inverso está a distribuição formal, que continua a crescer devido ao surgimento das grandes superfícies (as vendas distribuem-se equitativamente entre os supermercados e o canal dos hotéis, restaurantes, bares e discotecas).
Em termos de volume o grupo passou de 22 mil caixas, em 2010, para as 30 mil, em 2011. Este ano, espera chegar às 40 mil caixas (nesse caso ultrapassará a Nigéria, hoje com 35 mil). Os grandes desafios para o futuro são vencer a sazonalidade (40% das vendas são feitas entre Outubro e Dezembro) e expandir a rede de distribuição para as províncias. “A Intramuros tem feito um excelente trabalho. Mas Luanda ainda contribui com 90% da facturação. Logo temos boas oportunidades de crescimento”, resume.
No que diz respeito às marcas, a Martini, dirigida ao mercado de massas, é a mais expressiva (vale 60% da facturação do grupo). Uma das novidades para este ano é o lançamento de novas versões para clientes sofisticados, caso da Martini Royal (mistura de martini bianco, ou rossato, com espumante), ou do Sparkling Rosé, bebida “frisante” com um grande mercado na Nigéria (em Angola só existe o espumante Asti, vendido a preços mais acessíveis).
A segunda bebida mais representativa é o vodca Eristoff, um dos mais vendidos em todo o mundo (disponível nas versões normal e black). A marca, que ostenta um lobo no logótipo, está ligada ao culto da noite e da música electrónica. “Por isso, patrocinámos a vinda a Angola do sul-africano Black Coffee, considerado um melhores DJ do momento.” Mas, neste segmento, a nova “estrela” da companhia é o Grey Goose, um vodca premium, produzido na região francesa do conhaque, que está a conquistar as celebridades no mundo (um dos seus trunfos é o patrocínio à Elton John Aids Foundation). O lançamento em Angola ocorreu a dia 30 de Junho, no Chill Out, com a presença dos DJ Dennis Ferrer e Henry Josh.
Deixámos para o fim outra marca emblemática: o rum Bacardi, responsável por 10% das vendas do grupo em Angola e que é a percurssora de cocktails lendários como a cuba libre, mojito, daiquiri ou piña colada. “O problema é que ainda não existe uma cultura de cocktails em Angola. Mas é um segmento que está a crescer nos bares e restaurantes. Temos patrocinado acções de certificação de barmans que estão a ter um impacto positivo”, justifica. Infelizmente também não existe um “Bacardi Man” (os spots da marca, que ostenta um morcego no logótipo, são baseados na dança sensual e nos ritmos de salsa). Porque não repetir a receita e dar protagonismo a um casal Bacardi?

Assim nascia a sua primeira destilaria em Santiago do Chile, numa cave repleta de morcegos que inspiraram o logótipo da marca Bacardi. No final do século, o filho mais velho, Emílio Bacardi, foi forçado ao exílio por ter combatido pelo Exército “rebelde” (contra Espanha) durante a luta pela independência (as mulheres da família fugiram para a Jamaica). Após a ocupação americana da ilha, Emílio regressou e tornou-se governador de Santiago. Foi nessa altura que nasceram os cocktails cuba libre e daiquiri (feitos à base de rum) e que a Bacardi iniciou a expansão internacional (sob a liderança do seu cunhado Don Enrique).
Um facto curioso é que devido à “lei seca” o rum cubano só conquistou os Estados Unidos em 1944. Outra ironia da história é que a família Bacardi apoiou, na fase inicial, os revolucionários de Fidel Castro. Mais tarde, protagonizou uma feroz oposição (diz-se que em conluio com a CIA) quando a ala pró-soviética de Che Guevara ascendeu ao comando da revolta. Em 1960, deu-se o inevitável: os bens da Bacardi foram confiscados. Felizmente (graças à visão dos fundadores) já haviam sido construídas fábricas em países como Porto Rico ou México (hoje a sede do grupo é nas ilhas Bermudas). A ironia suprema é que ainda hoje não se vende Bacardi em Cuba (apesar da publicidade apelar a esse património histórico). O mais vendido é o Havana Club, marca que também foi nacionalizada pelo governo e que hoje, em parceria com o grupo francês Pernod Ricard, é comercializada em todo o mundo (excepto nos Estados Unidos).
Entretanto, o grupo Bacardi foi diversificando. Em 1933, fundiu-se com a italiana Martini & Rossi, produtora do vermute Martini e de vários espumantes e vinhos gaseificados. Em 1998, adquiriu o uísque Dewar’s (uma das marcas mais antigas da Escócia) e o gin Bombay Shapphire (ambos à rival Diageo). Em 2002, seguiu-se a compra da marca de tequila Cazadores, em 2004, do vodca francês Grey Goose e, dois anos depois, do neo-zelandês 42 Below
Também fazem parte do grupo outras marcas conhecidas como os licores Drambuie e Amarretto, o vodca Eristoff e uma vasta gama de conhaques. No total, são mais de 200 marcas que compõe um grupo que factura mais de 6 mil milhões de dólares, emprega 6 mil pessoas e tem 27 fábricas em 16 países. É liderado por Facundo Bacardi, 42 anos, nascido nos Estados Unidos, bisneto (e homónimo) do fundador.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.