Empreendedorismo
OROAPEN (Programa de Apoio ao Pequeno Negócio) também designado por Meu Negócio, Minha Vida, dirigido a microempreendedores já está em marcha. O Governo promete investir no programa 213,4 milhões de dólares este ano, dos quais 25,2 milhões são para custos de gestão e os restantes 188, 18 milhões para um fundo de microcrédito que, se propõe atingir 100 mil beneficiários (o Ministério da Economia assume que cada agregado familiar tem, em média, cinco pessoas, daí também se falar em 500 mil potenciais beneficiários).
Os empréstimos têm um valor máximo de 6,79 mil dólares a uma taxa de juro de 2% (uma redução brutal face às taxas médias do mercado que, segundo o Ministério da Economia, rondam os 19%). O período do empréstimo é de 60 meses, havendo um ano de carência de capital. Outra grande vantagem é que, ao contrário do que sucede nos empréstimos bancários tradicionais, não há necessidade de se apresentar garantias reais (o Estado proporciona aos bancos o “aval moral”). O empreendedor terá, se necessário, acesso à formação gratuita por parte do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP) estando também assegurado o apoio na fase posterior de aplicação e gestão do projecto.

Se for julgado necessário, terá acesso a uma formação básica de um dia sobre criação de negócios. Depois de recolher o empréstimo (e o kit, de que falaremos a seguir) o empreendedor está considerado apto a iniciar o negócio, podendo contar com o apoio posterior das referidas “unidades técnicas municipais”. A boa notícia é que todos esses passos poderão ser efectuados, segundo o Ministério da Economia, em apenas 11 dias úteis, a custo zero.
A má notícia (pelo menos para alguns) é que o financiamento é dado em kits e não em dinheiro. Para perceber melhor esta nuance a EXAME falou com o coordenador do PROAPEN, Pedro Yala. Ficámos a saber que a compra dos kits é assegurada pelo Governo, mediante as informações veiculadas pelas autoridades municipais sobre as profissões mais procuradas (veja listagem do kits previstos por profissão). Dito por outras palavras, o Governo assegurará a distribuição aos empreendedores de um pacote de equipamentos necessários ao seu negócio específico. Tais equipamentos, ou já foram adquiridos pelas autoridades municipais (nesse caso basta ir levantá-los) ou o próprio empreendedor poderá fazê-lo, submetendo uma factura pró-forma ao banco que depois pagará directamente ao fornecedor (e enviará a nota de entrega ao cliente para este proceder ao levantamento). Prevê-se que 5% do valor do empréstimo possam ser realizados em dinheiro para fundo de maneio.
A adesão, segundo confidenciou Pedro Yala, “tem sido maior do que se esperava”. Até ao momento da realização da entrevista com a EXAME (fim de Junho), os BUE estavam a registar uma média de 700 visitas por dia. “Cerca de 8 mil pessoas já fizeram a primeira entrevista (também chamada “entrevista de filtro”), havendo cerca de 3 mil processos de constituição de empresas em curso e mais de 100 projectos já financiados.” O responsável crê que a meta dos 100 mil beneficiários será facilmente atingida, à medida que mais BUE forem abertos ao longo do território nacional.
De referir que já foram inaugurados 13 balcões: cinco em Luanda (dois em Viana, um em Cacuaco, Belas e Cazenga); três em Benguela/Lobito, um no Huambo, Lubango (Huíla), Luena (Moxico), Cabinda e Bengo. O objectivo para este ano é chegar aos 22 grandes balcões (incluindo os de pequena dimensão, serão 161 no total) nas 18 províncias. Porém, tal como sucede com o programa Angola Investe (veja artigo anterior) a rede de pontos de contacto onde se pode obter informações é bastante mais alargada, dado que inclui as 12 delegações do INAPEM, as 164 unidades técnicas municipais, os 250 centros do INEFOP, as 500 agências dos bancos aderentes e as delegações das finanças e GUE (Guiché Único da Empresa).

Apesar do entusiasmo que o Meu Negócio, Minha Vida está a gerar em todo o país, o responsável lamenta que alguns empreendedores se dirijam aos BUE pelas razões erradas. “Alguns querem dinheiro sem terem uma ideia concreta do negócio que pretendem criar. Outros não tinham percebido que o financiamento terá de ser reembolsado e as prestações, tipicamente, podem chegar aos 12 mil a 13 mil kwanzas por mês. É preciso acreditar no negócio.” Mesmo com essas razões, responsável acredita nas virtudes do programa. “As taxas de juro de 2% são imbatíveis. Alguns empréstimos através das soluções tradicionais de microcrédito chegam a ter taxas de 30% e prazos de reembolso muito mais curtos.”
As vantagens para o país são também inegáveis. “Permite aumentar o acesso à banca e à formalização da economia. Nem todas as pessoas que se dirigem aos BUE querem obter crédito. Muitos empreendedores, sobretudo nas províncias, estão a aproveitar a oportunidade para legalizar o seu negócio. Agora já não precisam de vir a Luanda”, defende. Por fim, Pedro Yala acredita que o programa terá um efeito multiplicador na economia. “Com a compra de kits estamos a dinamizar o comércio local. Estamos também a criar postos de trabalho. Quem cria um negócio acaba por recrutar outras pessoas para a sua empresa. O papel do INEFOP também é muito importante. Muitos desempregados já estão a receber propostas. Outros fazem a formação e criam os seus próprios negócios. O programa vai contribuir para a descentralização da economia e para a redução do desemprego”, conclui.
Programa de apoio ao pequeno negócio (PROAPEN). É uma das iniciativas de acção do programa Angola Investe, dirigida especificamente aos microempreendedores.
Criação de emprego Município é considerado a unidade principal do processo de desenvolvimento.
Combate à fome e àpobreza Aplicação rápida no terreno, com uma abrangência nacional.
Formalização da economia Processo simples e desburocratizado.
213,4 milhões de dólares (dos quais 188,8 milhões serão para um fundo de microcrédito).
Valor máximo: 6,79 mil dólares.
Taxa de juro anual: 2% (não necessita de garantias reais).
Período do empréstimo: 60 meses.
Carência de capital: 12 meses.
Beneficiários previstos: 100 mil até 2012 (serão 500 mil se assumirmos que cada agregado familiar tem, em média, cinco pessoas).
Vantagens associadas: Inclui o acesso à formação gratuita do INEFOP e o apoio à implementação e acompanhamento do negócio.
Profissões previstas: Cabeleireiro; canalizador; chaparia e pintura; cozinheiro; electricista baixa tensão; engraxador; lavagem de carros; mecânico auto; pastelaria; pedreiro; recauchutagem de pneus; serralheiro; transporte motorizado de mercadorias; transporte motorizado de pessoas.
(*) São pacotes de equipamentos básicos para cada profissão cedidos pelo Estado.
Deve dirigir-se a um BUE para realizar a entrevista prévia. Depois basta preencher um formulário tipificado e abrir uma conta bancária. O processo será gerido pelos bancos BPC e BCI e a gestão operacional do programa cabe às autoridades municipais. O prazo de constituição da nova empresa é de apenas 11 dias e o custo é gratuito.
O objectivo é criar 161 balcões em todo o país este ano. Dos 22 de grande dimensão previstos, abriram (até Junho) nas seguintes províncias: Luanda (5), Benguela (3), Huambo (1), Huíla (1), Moxico (1), Bengo (1), Cabinda (1).
O célebre projecto sediado no Waku Kungo “renasceu” em Outubro de 2012 e já é o maior produtor de ovos