Gestão 2.0
A recente cimeira RIO+20, passados 20 anos depois da histórica Cimeira da Terra, também no Rio de Janeiro, prova que os líderes mundiais não aprenderam as lições de Covey. Há duas décadas foi possível encontrar um consenso que conduziu à ratificação de vários documentos entre os quais o Protocolo de Quioto, aprovado por 194 países, que obrigou os signatários a cortarem as emissões de carbono em 5,2% de modo a minorar o problema do aquecimento global. No final do mês passado, a RIO+20 terminou de modo muito diferente — com um documento tímido, vago e pouco ambicioso (ironicamente intitulado “O Futuro Que Queremos”). O aparente desinteresse quanto à RIO+20 foi tal que os líderes das maiores economias mundiais não se dignaram a aparecer no evento (nem sequer para a fotografia e os sorrisos de grupo da praxe).
O que parece ter ficado claro é que agora a “urgência” é outra. A União Europeia realizou, na mesma altura, mais uma cimeira (já se perderam a conta) para “salvar o euro”. Obama, em ano de eleições, está preocupado com a economia americana (que não arranca) e o desemprego (que sobe). Os países emergentes, China, Índia, Brasil e Rússia (não abrangidos na primeira versão do Protocolo de Quioto) querem continuar a crescer e não estão dispostos a aceitar medidas que possam travar o processo de industrialização em curso. O mesmo se pode dizer de África. O berço das grandes reservas naturais do planeta está finalmente a diminuir o fosso que o separa dos continentes mais prósperos. Uma das razões é o boom da procura de combustíveis fósseis, precisamente aquilo que o planeta devia evitar nesta altura. “Os ricos criaram o problema, agora que sejam eles a resolvê-lo” parece ser o sentimento dominante.
Ou seja, por razões diferentes, os líderes dos 100 países que estiveram presentes na RIO+20 estão preocupados com as suas próprias “urgências”. Com isso, esquecem o que é realmente “importante”: o mundo caminha para um futuro insustentável. Os alertas da comunidade científica são irrefutáveis. Só que os políticos, cada vez mais incapazes de pensar a longo prazo, preferem ignorá-los. Como sair deste impasse? A proposta de transformar o actual Programa das Nações Unidas para o Ambiente numa agência, de facto, da ONU, poderia ser um primeiro passo interessante. Mas a ideia, defendida por tantas ONG, não passou. A “urgência” (mais uma vez) parece ter sido a grande inimiga da RIO+20. A ânsia de se tentar aprovar um acordo (qualquer que ele fosse) até ao fim da cimeira, fez com que o resultado fosse um documento insípido e inóquo e, por isso, imune a (qualquer que ele fosse) desacordo.
Merece referência uma outra notícia que publicamos nesta edição. O Governo, no âmbito do programa de fomento ao empreendedorismo, parece querer atacar de frente o problema do lixo em Luanda. A proposta é engenhosa. As equipas de recolha, às quais serão atribuídos kits sanitários, podem trocar lixo (em 25 pontos de recolha) por vales, convertíveis em dinheiro. A solução já foi testada com sucesso noutros países. Na cidade de Curitiba, no Brasil, foi-se mais longe: o lixo podia ser trocado por produtos agrícolas produzidos em hortas comunitárias (ou seja, duas vantagens num só programa). Será que essa medida, por si só, resolve este problema urgente? Claro que não. Faltam outros passos importantes. Disseminar caixotes e contentores de lixo pela cidade, tornar o processo de recolha mais regular e eficaz, criar mais aterros sanitários, apostar fortemente na educação ambiental, entre outros. Também se pode argumentar que o lixo é apenas um problema urgente, mas há outros igualmente importantes para o desenvolvimento sustentável e ambiental do país. Mas é “importante” lidar assim com o que é “urgente”: definindo pequenas metas e dando passos firmes e determinados para as resolver. Um a um e começando onde nos é mais próximo — no “nosso quintal”.
Por: Jaime FidalgoVai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.