Edição nº 28
 

Consumo

É o fim 
do reino 
dos PC?

A história é conhecida: no mundo da tecnologia, o novo mata o velho. Essa pode ser a trajectória do computador pessoal (PC), uma “caixa” com um pequeno ecrã monocromático, alimentada por disquetes flexíveis, que “matou” a máquina de escrever. Nas últimas três décadas o PC mudou a forma como trabalhamos, como guardamos a nossa memória pessoal e como nos relacionamos. Hoje, é uma máquina moderna ligada à internet por redes Wi-Fi.

Novo hábito: Donos de tablets passam mais tempo nos aplicativos do que a navegar na internet

Em 2010, Steve Jobs, fundador da Apple, falecido um ano e meio depois, lançou o iPad. O tablet, tal como o iPhone de 2007, tinha um ecrã sensível ao toque, tecnologia que se tornou, para usar um termo do momento, “viral”. Os números indicam que os tablets, que hoje fazem parte do portefólio dos grandes fabricantes de computadores, ultrapassaram os cenários mais optimistas. Fica a pergunta: chegou a vez do próprio PC se tornar uma peça de museu?

Um estudo recente da Gartner, revela que os PC deixarão de estar no centro da nossa vida digital em 2014
Para já, os tablets são a maior ameaça ao reinado dos PC nos últimos 30 anos. No ano passado, foram vendidos 60 milhões de unidades, 14% do somatório de PC e tablets. No primeiro trimestre deste ano, foram vendidos 17,4 milhões, 120% mais do que no mesmo período de 2011. Segundo a consultora americana Gartner, as vendas chegarão aos 335 milhões em 2015. “Nos Estados Unidos e na Europa, os consumidores estão a usar o dinheiro que seria destinado a um novo PC na compra de um tablet”, diz Angela McIntyre, directora da Gartner. Na Europa, houve uma retração de 14% no mercado de PC, em 2011. Nos Estados Unidos, a queda foi de 6%. Daí que os fabricantes vejam os países emergentes como a salvação para os computadores.

Apenas a um toque de distância

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As razões para o sucesso dos tablets vão além do preço mais acessível e da portabilidade. O tablet é o símbolo de uma mudança na forma como as pessoas usam a tecnologia. Os utilizadores enviam e-mails e interagem nas redes sociais num ecrã fino e leve, que pode ser levado para qualquer lugar. Isso é possível por causa dos aplicativos que facilitam o acesso a contas bancárias ou sites de notícias e que até podem medir a pressão arterial. Ao todo, já foram feitos mais de 40 mil milhões de downloads de aplicativos nas duas lojas mais populares, a iTunes Store, da Apple, e a Play, do Google. Um estudo divulgado pela Flurry mostra que hoje os donos de tablets passam, em média, 94 minutos por dia nos seus aplicativos e 76 minutos a navegar na internet. Em 2010, a internet consumia apenas 64 minutos, e os aplicativos, 43. A computação em nuvem (cloud computing) também ameaçam os PC. Já existem discos virtuais que guardam milhares de gigabytes de dados. Um estudo recente da Gartner afirma que, em 2014, os PC deixarão de ser o centro da nossa vida digital — as pessoas estarão mais preocupadas com a qualidade dos serviços on-line do que com os aparelhos. Talvez por isso a Apple acabou de lançar o portátil com a mais alta definição de ecrã de sempre. A tecnologia “retina display”, já testada no iPhone 4 e no novo iPad, agora chegou ao MacBook Pro.

É uma resposta à banalização dos tablets que nas grandes feiras de tecnologia já aparecem acoplados a televisões e automóveis. Hoje, o novo é assim. Nem Jobs, certamente, previa uma mudança tão rápida.


Por: Bruno Ferrari
 
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