Edição nº 28
 

Egipto

Uma nova Primavera...

Publicado a 19-07-2012 11:32:00

Num ano que tem sido marcado por diversas emoções fortes, infelizmente nem sempre positivas, o bom senso imperou no Egipto. Os analistas chegaram a temer o pior devido ao arrastamento do prazo de divulgação dos resultados das eleições presidenciais, no qual os dois oponentes se reclamavam vitoriosos.


Mohammed Morsi: Vitória eleitoral foi aclamada por 10 mil pessoas na já célebre Praça Tahir

A ameaça de uma nova guerra civil resultou do apoio explicito dos militares a uma das candidaturas (a de Ahmed Shafiq, o último primeiro-ministro do consulado de Mubarak). Tal como se esperava, a vitória acabou por sorrir ao representante da Irmandade Muçulmana, embora por uma margem reduzida (51,8% dos votos). Confirmada a eleição de Mohammed Morsi o mundo interroga-se sobre quem é e o que defende o novo Presidente do Egipto.

No plano pessoal, Mohammed Morsi faz 61 anos em Agosto, é casado e pai de quatro filhos. Tem uma licenciatura e mestrado em Engenharia, pela Universidade do Cairo, e um doutoramento, pela Universidade da Califórnia (Estados Unidos, país onde, nos anos 80, chegou a participar na construção de um dos vaivéns espaciais da NASA). Iniciou a sua carreira política como membro da Comissão de resistência contra o sionismo na província de Sharquia, no Norte do Egipto, onde nasceu (mais tarde foi um dos fundadores da comissão egípcia da causa). Aderiu à irmandade em 1992, numa altura em que era um movimento clandestino. Foi deputado de 2000 a 2005 como candidato independente. Um dos seus momentos altos foi a acusação pública ao governo do Egipto pela tragédia ferroviária de 2002, da qual resultaram 400 mortos. Lutou activamente contra a corrupção e o estado de emergência que vigorava no país. Curiosamente, Morsi chegou à presidência através do Partido da Liberdade e da Justiça como candidato suplente de Khairat-al-Shatir. Este, por sua vez, acabou por ser afastado da corrida devido aos seus antecedentes criminais ligados aos grupos extremistas.

Entre as promessas eleitorais do novo Presidente está a ambição de duplicar as verbas sociais, de aumentar os empregos (700 mil é o objectivo) e de reduzir os impostos nos próximos quatro anos (uma equação aritmeticamente difícil de atingir). Propõe-se também eliminar a descriminação contra as mulheres e restabelecer a liberdade de imprensa. Inteligentemente, nunca falou sobre o Islão durante a campanha eleitoral e mal foi empossado afirmou querer respeitar os acordos internacionais — incluindo os acordos de paz com Israel. No entanto, um dos seus primeiros gestos políticos foi a vontade de aprofundar as relações diplomáticas e comerciais com o Irão. Sobre os militares disse apenas que deveriam estar subordinados ao poder político. E será que eles vão nisso?

 
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