Europa
No meio de uma crise sem precedentes, com um novo governo a assumir funções, o medo de que o dinheiro guardado no banco perdesse valor espalhou-se à velocidade da luz. Os aforradores correram às agências para levantar os depósitos, um movimento que, em poucos meses, conduziu ao fecho de vários bancos. O episódio refere-se a 1933, o ano da Grande Depressão nos Estados Unidos. O pânico foi fruto dos rumores de que Franklin Roosevelt, Presidente recém-eleito, pretendia depreciar o dólar.
Protesto em Barcelona: No primeiro trimestre, 100 mil milhões de euros
foram enviados
para fora do país
Quase 80 anos depois, esta história parece tragicamente actual. Hoje, é na Europa que os bancos vivem os seus piores dias desde 2008, o início da actual crise, a mais profunda desde a da década de 30. É lá que circulam notícias e boatos que já estão a dar início a uma corrida bancária, um dos eventos mais temidos por economistas e governos. Uma eventual falência em série dos bancos europeus pode ser o golpe de misericórdia para a moeda única, algo que espalharia o pânico pela economia mundial.
Na Grécia, crescem as dúvidas quanto à capacidade do país de se manter na zona euro. “Como analista, acho que o país não sairá do euro. Mas se tivesse dinheiro lá, certamente já o teria levantado”, diz James Rickards, autor do livro Currency Wars (“Guerras Cambiais”) e director do Tangent Capital Partners. Como afirmou Mervyn King, presidente do Banco Central inglês, “precipitar uma corrida bancária é irracional. Mas participar numa, não”.
Poucos dias antes o governo espanhol de Mariano Rajoy colocou os mercados em estado de choque com o pedido de resgate do sector bancário avaliado em 100 mil milhões de euros. Muitos temem que o montante seja insuficiente. Outros argumentam que o pedido de ajuda aos bancos é apenas o prelúdio de um resgate ao Estado (semelhante ao ocorrido na Irlanda, Grécia, Portugal e, ao que tudo indica, ao Chipre). “O governo está a socorrer os bancos e os bancos estão a socorrer o governo”, disse o Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, à agência Reuters. “É economia vudu”, ironizou.

Uma das saídas defendidas por Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, é a criação de um fundo de garantia de depósitos bancários para a zona euro (os mecanismos que hoje existem são nacionais). Outra opção é autorizar o Mecanismo Europeu de Estabilização (fundo permanente de resgate para os governos), a recapitalizar os bancos directamente. “A situação na Espanha e na Grécia está a colocar o sistema bancário europeu sob mais pressão do que estava o americano há cinco anos”, diz Alex Tsirigotis, analista do banco italiano Mediobanca. “Se a corrida bancária acontecer, o mercado interbancário vai parar, tal como sucedeu com na altura da falência do banco Lehman Brothers, em 2008”, recorda Cristiano Souza, economista do Santander. É um filme que ninguém quer ver repetido.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.