Marketing
Num mundo em que os apelos ao consumo estão por todo o lado, das redes sociais aos outdoors, será possível viver sem comprar um único produto de marca? Esse foi o desafio a que se lançou o dinamarquês Martin Lindstrom, especialista em marketing, eleito pela revista Time como um dos homens mais influentes do mundo e que já trabalhou com empresas como a McDonald’s, Procter & Gamble e Microsoft.
Whole Foods: Apela
à nostalgia dos tempos em que só se comprava
na mercearia do bairro
Não foi fácil. Ao pequeno-almoço, comia apenas maças em vez cereais. Na higiene pessoal usava os produtos dos hotéis. Após seis meses de esforço, Lindstrom perdeu a bagagem quando regressava do Chipre. O destino era Milão, cidade à qual chegou sem objectos pessoais.
Na Meca das marcas, Martin Lindstrom desistiu. Ironicamente foi derrotado por truques que ele próprio ajudou a criar. Resolveu vingar-se escrevendo o livro Brandwashed: Tricks Companies Use to Manipulate Our Minds and Persuade Us to Buy (“Truques que as empresas usam para manipular a nossa mente e nos persuadir a comprar”, numa tradução livre).
O autor reúne informações de bastidores recolhidas ao longo de décadas em algumas das maiores empresas do mundo. O resultado é um livro revelador, que mostra como empresas como a Unilever, Walmart e Apple fazem o que o autor chama de brandwash — trocadilho para se referir a uma “lavagem cerebral de marcas”.
Já se tentou explicar várias vezes o que leva as pessoas a comprar. Há quem tente justificar os hábitos de consumo por aspectos culturais. Lindstrom foi mais longe e recorre à teoria da evolução de Darwin. O autor acredita que para entender o impulso consumista é preciso viajar ao cérebro humano. Segundo a sua tese, exposta no livro anterior, Buyology, as empresas usam técnicas de “neuromarketing” — a mistura do marketing com a neurociência — para aproximar os consumidores dos produtos de que realmente precisam, mas também para fazê-los comprar o que não necessitam.
Brandwashed: Tricks Companies Use to Manipulate Our Minds and Persuade Us to Buy
Editora: Crown Business, 304 págs.
Autor: Martin Lindstrom
As empresas sabem mais do que nunca o que nos inspira, amedronta, acalma ou seduz. E elas utilizam esse conhecimento nos persuadir a comprar.
Mas as empresas não são as únicas a interagir com os consumidores. Há que considerar a pressão exercida pelos amigos e parentes. É o chamado efeito “passa palavra), expresso por recomendações pessoais ou, na versão mais moderna, um like (gosto) no Facebook. Nos Estados Unidos, a Apple chegou a recrutar adolescentes para serem seus representantes nas escolas, oferecendo iPod em troca de ajuda para levar os colegas aos eventos da marca. “Enquanto as empresas usam meios mais rebuscados para nos iludir, nós também fazemos lavagem cerebral uns aos outros”, conclui Lindstrom.
Exemplos das estratégias usadas
pelas empresas para, subtilmente, persuadir o consumidor a comprar
Allianz • A seguradora usa crianças nos seus anúncios publicitários para despertar sentimentos de culpa e de medo do futuro. O objectivo é induzir os pais a comprar seguros de vida.
Red Bull • De forma a atingir os consumidores quando eles estão mais susceptíveis a adquirir novos hábitos, a marca de bebidas energéticas distribui os produtos em discotecas e eventos desportivos com adrenalina.
Whole Foods • Para estabelecer uma ligação com a memória do consumidor — “no meu tempo é que era bom” —, a rede americana de supermercados organiza as suas lojas como se fossem mercearias rústicas de bairro.
A Apple recrutou adolescentes carismáticos para representar a sua marca nas escolas. Eles usam o seu poder de persuasão para convencer os colegas a usarem produtos da marca.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.