Rio+20
A Rio + 20, Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, encerrou às 22 horas do dia 22 de Junho com a aprovação do documento “O futuro que queremos”. O certame pretendeu discutir os rumos que a humanidade irá tomar para gerar desenvolvimento económico com bem-estar e inclusão social, respeitando os limites físicos de um planeta em risco.
NAÇÃO KAYAPO : A desflorestação da Amazónia e os direitos dos povos indigenas estiveram em destaque
A diplomacia brasileira, anfitriã e principal interessada na conclusão do documento final, acelerou as negociações para obter o difícil consenso entre os 193 países participantes. O relatório alude aos dois temas centrais da conferência: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional necessária para dar sequência a este objectivo. No entanto, as 49 páginas e os 283 capítulos do texto final aprovado decepcionaram não só a sociedade civil, como as diversas delegações que qualificaram o documento como “pouco ousado e impreciso”. As três principais críticas foram a falta de compromissos financeiros; da definição das responsabilidades directas a serem assumidas pelos governos; e da determinação dos prazos para o cumprimento dessas metas.
Para os líderes sociais, a palavra mais repetida era “frustração”. O consenso geral foi o de que se optou por suprimir os pontos mais polémicos. Várias individualidades reagiram publicamente na imprensa internacional, caso de Sharan Burrow, da International Trade Union Confederation, Marcelo Furtado, representante do Greenpeace Brasil, e Carlos Rittl, do WFF Brasil.
Eventos paralelos: unidos pela fé por um planeta mais sustentável
Este último declarou ao Diário Estado de São Paulo “A distância entre o que eles discursam e o que eles fazem na prática é gigantesca. Eles falam em urgência, mas o documento, na prática, não contém nada disso. A urgência não existe, e a ciência não foi ouvida.”
Do outro lado, os representantes do governo brasileiro rebateram as críticas da sociedade civil e comemoraram o a conclusão do documento. A presidente Dilma afirmou a este propósito que “a Rio+20 foi um marco e representou um grande avanço. Foi uma conferência pelo multilateralismo”. A chefe do Estado argumentou ainda que os pontos expressos no relatório “não retrocedem às conquistas da Rio 92, pelo contrário, avançam muito”.

A ministra do Ambiente brasileira, Isabela Teixeira, também lamentou a pouca clareza do texto sobre as obrigações dos países desenvolvidos quanto aos novos padrões de consumo. A responsável acrescentou que “não se foi a fundo na questão dos oceanos, nem no direito reprodutivo das mulheres”. Ainda assim, ela considerou o resultado da Rio +20 como “algo promissor para o desenvolvimento sustentável”.
Mas todos são unânimes num ponto: o sucesso da Rio+20 esteve (mais uma vez) na acção e as propostas dos movimentos civis. Iniciativas paralelas como a Cúpula dos Povos, que teve como palco a bela vista do Aterro do Flamengo, recebeu mais de 80 mil participantes entre os dias 15 e 23 de Junho. Também a exposição “Humanidades” conseguiu aderir 140 mil pessoas no Forte de Copacabana. Ambas conseguiram demonstrar a força política da sociedade civil organizada.
Composta por cerca de 70 membros, a delegação angolana foi chefiada pelo vice-presidente Fernando da Piedade dos Santos. No seu discurso que proferiu na cúpula dos chefes do Estado, defendeu a criação de uma agência especializada do ambiente na ONU, com poderes de execução e autonomia superiores ao do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Fernando da Piedade falou dos investimentos que o país tem feito para a promoção do desenvolvimento sustentável e destacou a elaboração de uma legislação específica que está a permitir uma melhor gestão ambiental e conservação dos recursos naturais. Como exemplos práticos, o vice-presidente enfatizou a diversificação da agricultura e da indústria, construção civil e energias renováveis e ainda os projectos transfronteiriços na floresta de Maiombe, com a República Democrática do Congo, Congo e Gabão e do projecto Okavango-Zambeze, que junta países da (SADC). “São medidas estruturantes que facilitam a integração regional, gerando inclusão social das comunidades e preservando o ambiente”, afirmou.
Fernando da Piedade dos Santos: Vice-presidente chefiou delegação angolana de 70 membros

Na opinião do director do centro de documentação e informação do Ministério do Ambiente, Arsénio Machado, “o documento final não foi conclusivo, pois há muitos interesses envolvidos na decisão dos países”. Ainda assim, disse estar optimista com a cooperação Sul-Sul entre África Austral, Brasil e Índia. “Apesar do impasse, o evento serviu para a tomada de consciência da urgência em agir”. Porém, segundo os críticos esse foi mesmo o problema: faltou urgência para agir.

Tema principal da conferência, os especialistas acreditam que aí está o elo entre o uso nacional dos recursos e o combate à pobreza. O texto afirma que cada país pode encontrar as suas próprias medidas para a aplicação deste conceito. Ou seja, apesar de existirem directrizes, não há regras rígidas. O tema, no entanto, acentua a divisão entre países ricos e pobres. Estes vêem a economia verde como uma ameaça ao seu desenvolvimento. Daí terem cunhado a expressão “capitalismo ambiental”
Ponto que gerou frustrações, pois pretendia traçar as próximas metas da ONU para o desenvolvimento, num conceito que deveria incluir o ambiente. Os ODS pretendia ser a “sequela” dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio que terminam em 2015. Mas as suas propostas não foram sequer definidas. A solução foi a do costume: adiar a decisão para 2013 para que os ODS possam ser cumpridos até 2018.
Um novo índice de crescimento de países (além do PIB – produto interno bruto, e do IDH – índice de desenvolvimento humano) foi lançado durante a Rio+20. O objectivo é contabilizar os lucros versus os danos ambientais e de incentivar acções sustentáveis pelos governos dos 20 países mais desenvolvidos, que juntos representam três quartos da população mundial.
Aguardava-se que a Rio+20 definisse como seria a retirada gradual dos subsídios para os combustíveis, para que todos os países pudessem reduzir as emissões de dióxido de carbono em pelo menos 6% e que fossem encorajadas energias alternativas. Mas o assunto, claro, também não avançou como se pretendia.
O fundo de desenvolvimento sustentável acordado entre os países desenvolvidos, de 30 mil milhões de dólares, não foi incluído no texto. Espera-se que um relatório avalie quanto dinheiro é necessário de modo a ficar pronto até 2014. Mas o acordo menciona a transferência desejável de 0,7% do PIB dos países ricos para os pobres.
PNUMA O relatório propõe o fortalecimento do Programa das Nações Unidas Para o Ambiente, mas os Estados Unidos opõem-se a este papel reforçado. A esmagadora maioria das ONG queria que o PNUMA fosse transformado numa agência com autonomia para decidir questões ambientais. Mas isso não aconteceu.
Janez Potocnik: O comissário da União Europeia foi o político mais inconformado da cimeira
O texto propõe regulamentar a exploração do capital marinho, para o uso sustentável da sua biodiversidade. O novo instrumento denominado “Convenção da ONU sobre os direitos do mar” também aplicará medidas de combate e mitigação da poluição marinha.
O célebre projecto sediado no Waku Kungo “renasceu” em Outubro de 2012 e já é o maior produtor de ovos