Filantropia
A francesa Esther Duflo nunca se interessou pela tecnologia, não gosta de falar de negócios e dedicou a sua carreira à universidade. Ainda assim, ela encontrou mais afinidades do que diferenças na sua primeira conversa com o empresário Bill Gates, criador da Microsoft e o segundo homem mais rico do mundo, em 2009. Foi um breve encontro, após uma palestra realizada por ela na Califórnia, sobre o seu trabalho à frente do Poverty Lab, laboratório de estudos de combate à pobreza ligado ao Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ela contou como criou, a partir do zero, uma rede de dezenas de investigadores que vão ao terreno descobrir estatisticamente quais são os investimentos sociais que funcionam.
Isso era tudo o que Gates — que já dedicou mais de 20 mil milhões de dólares a esse tipo de causas — queria ouvir. Através da Fundação Bill e Melinda Gates, o empresário tornou-se um dos maiores investidores do que é hoje a maior rede global de investigação sobre o assunto, com 65 académicos em 52 países.
Aos 39 anos, Duflo tornou-se uma conselheira cada vez mais requisitada não apenas por Bill Gates, mas por dezenas de investidores e organizações pelo mundo. “O laboratório produz evidências científicas que ajudam a tornar o esforço de combate à pobreza mais eficiente”, afirmou Gates recentemente no seu blogue.
Por trás da cada “evidência científica” está uma abordagem nada convencional de investigação académica, até há pouco tempo vista pela maioria dos economistas como cara de mais para ser adoptada em larga escala. O centro
Após se licenciar em Economia, pela École Normale Supérieure, em Paris, em 1994, Duflo mudou-se para os Estados Unidos para obter o doutoramento, pelo MIT. Foi nessa altura que conheceu o indiano Banerjee. Os dois amadureceram a ideia de iniciar a aventura de deixar o campus, nos arredores de Boston, para visitar cidades onde grande parte dos habitantes vive com menos de 1 dólar por dia. Eles não foram os primeiros. Nos anos 90, o economista Michael Kremer, também do MIT, realizou um teste no Quénia, no qual demonstrou que a distribuição gratuita de livros didácticos em escolas rurais não havia melhorado a nota dos alunos. “O mérito de Duflo foi ter multiplicado o método em grande escala”, diz Kremer, professor de Economia de Harvard.
Desde então, a equipa de investigadores coordenada por Duflo e Banerjee já analisou 335 projectos em todos os continentes e o seu orçamento cresceu mais de 30 vezes (hoje é de 10 milhões de dólares). Em 2010, a investigadora recebeu a sua distinção académica mais importante, a medalha John Bates Clark, concedida a economistas promissores com menos de 40 anos e que é considerada uma espécie de passaporte para o Prémio Nobel.

Origem: Nasceu em Paris, França
Idade: 39 anos
Cargo: Directora do Poverty Lab, laboratório de estudos contra a pobreza do Massachusetts Institute of Technology (MIT), criado em 2003. É professora de Economia na mesma instituição.
Trajectória académica: Formou-se em economia, pela École Normale Supérieure, em Paris, em 1994. Doutorada em Economia, pelo MIT em 1999. Recebeu a medalha John Bates Clark em 2010, concedida a economistas promissores com menos de 40 anos. A distinção é considerada um passo para o Prémio Nobel.
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