Sustentabilidade
Em 1972, os investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) produziram o relatório “Limites ao Crescimento” para o Clube de Roma, grupo que reúne alguns dos mais brilhantes estudiosos de diferentes áreas para discutir o futuro do planeta. Segundo as conclusões catastróficas do MIT, o mundo caminhava rapidamente para a escassez de matérias-primas, o que exigiria uma forte redução da produção de bens industriais e, eventualmente, iria diminuir a riqueza das nações.
Jorgen Randers: Um dos autores do relatório “Limites ao Crescimento” do MIT
Nessa altura, muitas pessoas encontraram semelhanças entre o trabalho do MIT e as ideias do pensador inglês Thomas Malthus, que, no século xviii, afirmava que o planeta seria incapaz de alimentar a sua população crescente. Como hoje todos sabemos, nem Malthus nem o MIT acertaram. Os progressos tecnológicos nos sectores agrícola e industrial permitiram que a oferta de alimentos e de produtos manufacturados continuasse em alta, apesar da expansão da população. E a tese rapidamente caiu no esquecimento.
Passados 40 anos, uma nova leva de economistas volta a debruçar-se sobre os limites do crescimento, outra vez, com previsões pessimistas. A culpa agora é o aquecimento global. Nas palavras de Paul Gilding, professor do Programa de Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, autor do recém-lançado livro The Great Disruption (A grande ruptura), nós já passámos os limites físicos do planeta. Inventar uma nova tecnologia para aumentar a produtividade da agricultura, como sucedeu no passado, não resolve. Na visão de Gilding, o mundo entrou, no fim da década passada, num momento de ruptura que se acentuará nas próximas décadas.
Outra figura emblemática deste grupo é Jorgen Randers, professor de Estratégia Climática, na Escola de Negócios Norueguesa, em Oslo, e um dos investigadores que produziram, em 1972, o relatório “Limites do Crescimento”. O economista lançou recentemente o livro 2052, onde faz projecções para o mundo nos próximos 40 anos. O seu diagnóstico é que o fosso de rendimentos e de consumo entre os países mais ricos e os mais pobres deverá diminuir (veja infografia). Já o uso de energia deve aumentar cerca de 50%. Devido às emissões crescentes de carbono, Randers projecta que o mundo atingirá, na segunda metade deste século, o que ele chama de “colapso climático”, causado pelo aumento da temperatura da Terra em 2 graus face ao período pré-industrial. Randers errou no passado. Será que vai acertar desta vez?

“A economia global está construída sobre uma premissa única: a de que somos motivados a trabalhar e a gerar riqueza para comprar mais coisas, porque isso vai melhorar a nossa qualidade de vida. Mas chegámos ao ponto em que mais dinheiro e mais posses, conquistados à custa de mais stresse, não nos deixam mais felizes”, diz Gilding. Essa lógica até pode fazer sentido para a parcela rica da humanidade. E para os 1,3 mil milhões de pessoas que ainda vivem com menos de 1,25 dólar por dia?

Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.