Software
A convocatória para uma reunião urgente chegou. A reunião vai começar logo depois do almoço. Ao entrar na sala, a luz está apagada e um slide de PowerPoint já desponta na parede. O apresentador, num tom monocórdio, repete exactamente o que está escrito em cada imagem.
Mathias Poehm:
Para o especialista suíço o quadro tradicional em papel
é mais eficaz do que os slides apresentados em computador
Má notícia: pelo menos 50 diapositivos serão mostrados na próxima hora. Os minutos passam e o grande desafio é manter-se minimamente atento. O cérebro vai perdendo a capacidade de analisar gráficos e números. Os olhos começam a pesar e, se o seu chefe estiver na sala, você já entrou numa zona perigosa. A menos, claro, que o seu chefe também já esteja no quinto sono.
Atire a primeira pedra quem nunca passou por uma experiência semelhante. Se fosse um programa de televisão, o PowerPoint, o software de apresentações da Microsoft, seria tão popular como as telenovelas brasileiras em Angola, mas tão sonolento como um documentário russo. Instalado em 750 milhões de computadores em todo o mundo, o PowerPoint, companheiro inseparável dos executivos, acaba de completar 25 anos de vida. Para comemorar, o americano Robert Gaskins, criador do software, lançou um livro sobre ele. “O PowerPoint foi pensado para fazer transparências (usadas nos antigos retroprojectores)”, diz Gaskins, que vendeu a invenção à Microsoft em 1987 pelo equivalente, hoje, a 28 milhões de dólares. “Agora os jovens usam o programa sem ter ideia do que seja uma transparência.”
Apesar do inegável sucesso, o software também tem detractores. Crítico da sua utilização exagerada, Matthias Poehm, especialista suíço em oratória e autor do livro Powerpoint Fallacy, criou o insólito Partido AntiPowerPoint. Registado oficialmente e com quase 60 mil apoiantes, o grupo não ambiciona disputar eleições. A sua missão “política”, afirma Poehm, não é defender o fim do PowerPoint, mas fazer um alerta contra o excesso de apresentações, muitas delas sem “pés nem cabeça”. “Queremos lembrar às pessoas que existem outras formas de atrair a atenção das pessoas durante as reuniões”, disse no vídeo oficial que lançou o partido no ano passado. Segundo ele, o flipchart — quadro de papel — aumenta a eficiência das apresentações na maior parte dos casos.

Os fãs do PowerPoint contrapõe que o problema não é a ferramenta em si, mas a forma como é usada. Quem não sabe explorar os recursos do PowerPoint, sustentam esses defensores, provavelmente repetirá os mesmos erros com as outras ferramentas de apresentação que surgiram no mercado. É o caso do Air Presenter, software criado pela inglesa So touch. O Air Presenter mistura recursos do Kinect, sensor de movimentos da Microsoft, com as tradicionais ferramentas do PowerPoint. Há também quem tenha optado por abolir o uso de slides, como o software on-line Prezi. Nesse caso, as apresentações podem ser montadas em forma de árvore genealógica.
Independentemente do software que se utilize, as apresentações bem planeadas e bem executadas podem fazer “milagres” pelas pessoas menos carismáticas. Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, é um bom exemplo. Durante a sua digressão pelo mundo para alertar sobre os perigos do aquecimento global, ele percebeu que precisava de ajuda. Contratou uma empresa especializada em apresentações, que usava o Keynote, o programa da Apple similar ao PowerPoint. O resultado foi tão surpreendente que as suas palestras foram adaptadas para o filme, Uma Verdade Inconveniente, vencedor do Óscar de Melhor Documentário em 2007. Graças a essa repercussão, Gore acabou por receber o Prémio Nobel da Paz nesse ano. Em vez de dar sono, as apresentações de Al Gore ajudaram o público a acordar. Por: Luiza DalmazoO célebre projecto sediado no Waku Kungo “renasceu” em Outubro de 2012 e já é o maior produtor de ovos