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O economista americano Jeremy Rifkin é um dos pensadores mais influentes da actualidade. Professor da escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia, Rifkin é conselheiro da União Europeia e interlocutor frequente da chanceler alemã Angela Merkel.
Rifkin: “Os prédios também podem gerar
e armazenar energia. Isso já está a acontecer, não é uma utopia”, garante o autor
Há alguns anos, Rifkin tentou demonstrar que era viável colocar as diversas fontes de energia renovável no centro da matriz energética mundial. O assunto evoluiu e foi transformado no livro A Terceira Revolução Industrial. O autor acredita que todos os prédios — residenciais ou comerciais — podem ser transformados em pequenas fábricas de energia. “Se África adoptar esse modelo, pode ser a Arábia Saudita das energias renováveis e um dos líderes do século xxi”, diz Rifkin.
Quando estudamos História, vemos que as grandes revoluções económicas acontecem quando há uma convergência de transformações nas áreas de comunicações e de geração de energia. No século xix, saímos da prensa manual para a máquina a vapor e pudemos fazer impressões em massa a preços baixos. Isso possibilitou a criação de escolas na Europa e nas Américas e a educação da força de trabalho, o que conduziu à primeira revolução industrial. O telefone, o rádio, a televisão e o petróleo abriram caminho para uma sociedade de consumo de massa, a segunda revolução industrial. Agora temos de encontrar outras fontes de energia, porque alcançámos o pico mundial da produção de petróleo. Cada vez que o preço do barril chega a níveis como os de Julho de 2008, quando atingiu 147 dólares, os preços sobem e as pessoas travam o consumo. Isso acontece porque hoje quase tudo é feito à base de petróleo: telemóveis, fertilizantes, pesticidas, medicamentos, materiais de construção, energia eléctrica e combustíveis. A produção de petróleo cresce, é verdade. Mas a população aumenta ainda mais devido à expansão do número de consumidores com poder de compra nos países emergentes.
As últimas décadas foram marcadas por uma profunda mudança na área de comunicações, fruto do computador pessoal e da internet. Hoje, há 2,3 mil milhões de pessoas que enviam os seus próprios vídeos, fotos e textos para a rede. E o mais incrível é que fizemos isso em apenas 20 anos. A internet é colaborativa e nela o poder não é hierárquico. Ao mesmo tempo, estamos a evoluir no sentido de ter uma geração de energia disseminada, feita no nível do indivíduo. Essa é, quanto a mim, a grande transformação no domínio da energia.
Primeiro, é importante lembrar que há energias renováveis espalhadas por todo o mundo: solar, eólica, geotérmica, biomassa e ondas. Se as fontes renováveis estão em todo o lado, porque é que só as colhemos nalguns poucos pontos? Porque não converter os 191 milhões de prédios espalhados pelos países da União Europeia em “minifábricas verdes”, com painéis fotovoltaicos no tecto, geradores de energia eólica nas paredes e conversores de lixo em biomassa nas caves? Os prédios são os principais consumidores de energia eléctrica e de emissões de carbono.
Alguns prédios novos na Europa, como é o caso de um complexo de escritórios em Paris, já geram mais electricidade do que consomem. Quando esse modelo se disseminar, movimentará a economia francesa gerando milhões de empregos. A Alemanha, que é o motor económico da Europa, já converteu 1 milhão de prédios em fábricas parciais de energia. Esse processo criou 370 mil empregos directos. Hoje, cerca de 20% da sua matriz energética provêm de fontes renováveis. O objectivo é chegar aos 35% em 2020. O modelo perfeito ocorrerá quando for criada uma rede de distribuição que permita o partilha dessa energia. Mas não que ninguém duvide: a Europa já começou a terceira revolução industrial.
É aí que a revolução nas comunicações converge com a revolução na geração de energia. Já é possível digitalizar a rede de energia — que é unidireccional — e transformá-la numa rede bidireccional, para que leve energia ao utilizador final, mas também receba a energia produzida por ele. Quando milhões de prédios estiverem a gerar e a armazenar energia eléctrica — e hoje já há meios para isso —, poderão vender o que não produzirem em excesso a outras cidades ou países. A Alemanha já testou uma rede eléctrica inteligente em seis regiões. Outra novidade é que até 2015 todas as fabricantes de automóveis terão veículos eléctricos. No futuro, quando os prédios funcionarem como minifábricas de energia, os carros eléctricos poderão ser abastecidos num desses edifícios ou em qualquer rua, de qualquer cidade.
Não. Precisaremos sempre de petróleo para o que não temos substitutos, como, por exemplo, lubrificantes, alguns processos químicos, produtos farmacêuticos, materiais de construção ou fibras sintéticas. Não devemos é usar combustíveis fósseis para transporte e geração de energia eléctrica.
Todos os países produtores podem usar uma parte dos recursos do petróleo para criar um modelo energético baseado em electricidade verde. Caso contrário, estarão voltados para o século passado. África pode ser a Arábia Saudita das renováveis.
Discutir metas de redução de emissões de carbono parece uma punição. Temos de avançar para um novo paradigma económico. A procura da eficiência energética cria empregos e negócios em larga escala.
Trabalho com empresas e governos que ambicionam criar um novo modelo económico que seja viável, que nos liberte do carbono, que movimente a economia, que gere empregos. Daimler, GM, Toyota, Bosch, Siemens, Cisco, Philips e IBM são empresas utópicas? Elas já estão a fazer isso. Em breve teremos automóveis movidos a hidrogénio. Isso também é utopia?

Editora M. Books, 320 págs. Autor Jeremy Rifkin
O petróleo só deve ser usado para o que não tem substituto. A electricidade e o transporte devem ser abastecidos com fontes de energia renováveis.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.