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A campanha Falsas Promessas, realizada pela DDB Moçambique para o Instituto Criança Nosso Futuro, conta com três peças e foi criada com a finalidade de incentivar a denúncia ao tráfico de pessoas, em especial de crianças. O conceito da campanha foi trabalhado através dos “sonhos” desenhados nas vendas que cobrem os olhos das personagens e sobre o princípio de alertar as pessoas para as eventuais propostas que venham a receber de pessoas estranhas. Para esse efeito, os criativos da DDB recorrerem à imagem de um estranho a levar pela mão uma criança após o ter iludido com a promessa de um lugar numa equipa de futebol, com a de uma carreira de modelo ou com o pagamento dos estudos no estrangeiro.
No FIPM deste ano, a lista de premiados inclui dez agências de publicidade de quatro nacionalidades diferentes (Angola, Maurícias, Moçambique e Portugal). As grandes vencedores foram as agências moçambicanas Golo e DDB, que arrecadaram 22 e 16 prémios, respectivamente, e a portuguesa MSTF Partners Lisboa, premiada com 14 galardões. Para esta última, a conquista de tantos prémios foi uma “surpresa”, mas, principalmente, uma alegria: “Estamos muito contentes de poder expor as novas Conchas na estante da agência em Lisboa onde já temos cerca de 130 prémios conquistados ao longo dos nossos oito anos de existência”, comenta Tomás Froes. A Concha mais especial foi um “grande prémio” (a maior distinção do festival) ganho na categoria de televisão com uma campanha para a Fundação Portuguesa de Cardiologia (imagem à direita) que sensibiliza as pessoas a banir os hábitos tabágicos em casa. “É um prémio que nos deixa muito contentes”, refere Froes.
Os outros dois “grandes prémios” foram ganhos pela equipa da DDB Moçambique, nas categorias de imprensa e de poster, com as campanhas sociais Scholl e Topless. “Os prémios servem sobretudo para motivar e, de certa forma, reforçar o espírito de equipa e premiar a liberdade que o cliente nos concede para sermos mais ousados”, refere Vasco Rocha, presidente da DDB Moçambique. No caso de Moçambique, o festival também parece servir para os vencedores “espicaçarem” a concorrência. Foi o que fez a DDB, que quatro dias após a entrega dos prémios felicitou, ironicamente, a sua arqui-rival de longa data pela internet: “Parabéns à Golo, a segunda agência mais bem premiada no festival da AMEP”, lê-se na conta de Facebook da DDB, acrescentando-se mais à frente que a “DDB Moçambique foi a agência do ano no Festival Internacional de Publicidade de Maputo”. A provocação faz algum sentido porque a DDB arrebatou os troféus mais importantes (dois grandes prémios e três de ouro). Mas a verdade é que se somarmos todas as categorias, a Golo até obteve um total de Conchas superior ao da DDB.
Os organizadores do FIPM consideram positivo esse entusiasmo das agências nacionais, mas foi igualmente importante ouvir o feedback positivo sobre o festival por parte das agências estrangeiras. “Trata-se de um sinal da crescente importância do festival, mas é também um foco de responsabilidade acrescida”, diz Mário Ferro. É que hoje o FIPM assume um papel de enorme relevância no que de melhor se faz no universo da publicidade e do marketing em língua portuguesa, dado que tanto o festival de publicidade de Luanda (em Angola), como o da Figueira da Foz (em Portugal), deixaram ser realizados. “Mesmo no contexto africano, o Loerie Awards Bordeaux, realizado todos os anos em Julho, na África do Sul, deverá ser o único com um destaque superior ao festival de Maputo”, diz o presidente do júri com orgulho.

No âmbito do Dia Mundial do Coração de 2011, a Fundação Portuguesa de Cardiologia lançou uma campanha de sensibilização para o mau hábito dos pais que fumam em casa. Os criativos da MSTF Partners Lisboa elaboraram um filme em que se visionava um conjunto de crianças alinhadas, em actividades banais e tipicamente quotidianas, dirigindo-se para a câmara para iniciarem um relato. Só que não se conseguiam ouvir, pois sobrepostas às vozes das crianças tinha-se vozes de adultos, e sobreposto à rotina da criança em casa, vislumbrava-se os hábitos tabágicos dos pais. O filme termina explicitando a mensagem principal: “Cada vez que fumar em casa, os seus filhos fumam também.”
Uma das limitações tem que ver com a própria dinâmica do sector. É que apesar do produto interno bruto (PIB) de Moçambique estar a crescer ao ritmo de 7% ao ano, nem toda a economia segue ao mesmo ritmo de expansão. Um desses casos é a indústria publicitária que, em 2011, enfrentou um dos piores anos da sua história. De acordo com Mário Ferro, muitos dos seus associados sofreram pela primeira vez uma quebra de facturação no ano passado (alguns deles registaram quedas na ordem dos 20%).
Thiago Fonseca, sócio e director criativo da agência Golo Publicidade, confirma que hoje o mercado está menos pujante do que no passado: “Depois de há quatro anos ter havido um boom no mercado publicitário em Moçambique, de lá para cá deu-se um desenvolvimento estranho do sector.” Nas contas da Golo essa realidade tem-se notado: além de ter mantido praticamente inalterado o número de pessoas a trabalhar na agência, a “facturação manteve-se mais ou menos fixa”, refere Thiago Fonseca, adiantando que isso só foi possível por a “Golo ter centrado a sua política na construção das marcas e em crescer com elas”.
Vasco Rocha, director-geral da DDB Moçambique, também concorda que o mercado publicitário está a atravessar um período complicado. “Começa a sentir-se uma retracção no mercado da comunicação. Talvez por termos uma forte componente de eventos, fez com o que o ano passado não fosse assim tão negativo”, confidencia o responsável da DDB Moçambique, há 11 anos no mercado e cuja estratégia de crescimento tem vindo a ser sustentada por uma aposta em outras áreas, nomeadamente a organização de eventos como o Moçambique Music Awards e o Moçambique Fashion Week (MFW). “.
Convém recordar que nas últimas duas décadas o governo concedeu mais de 100 alvarás de agências de comunicação. Agora chegou a hora de pagar a factura. Para os especialistas, é notório que muitos desses alvarás foram entregues a empresas com pouca noção sobre como funciona a indústria. E hoje, com o mercado publicitário em dificuldade e com as marcas e os consumidores a revelarem-se mais exigentes, será natural assistir-se ao fim de muitas destas empresas ou à fusão de outras.
Campeões do Festival: Os trabalhos das agências de publicidade nacionais Golo e DDB lideraram a última edição do Festival Internacional de Publicidade de Maputo, arrecadando 58% dos prémios
Thiago Fonseca não tem dúvidas de que o futuro aponta para o crescimento: “Acredito que vai haver outras faixas de publicidade, haverá mais anunciantes, anunciantes mais pequenos e regionais, sobretudo na área dos serviços, mas também mais marcas internacionais que começam a olhar para Moçambique como um mercado de oportunidades.” Mas, para tudo isso acontecer, será fulcral construir-se um sistema com uma base sólida. “A regulamentação da indústria é o caminho. Quer essa regulamentação seja feita pela AMEP ou pelo governo”, sentencia Thiago Fonseca, da Golo, membro fundador da AMEP.

Campanha Poster Topless - Agência DDB Moçambique
A
campanha Poster Topless foi realizada no decorrer da Moçambique Fashion
Week (MFW). A ideia dos criativos da DDB passou por promover a
consciencialização das muitas mulheres que não se autoexaminam por não
se sentirem ameaçadas pela doença. Para promover essa
consciencialização, a DDB recorreu a uma acção interactiva durante o
MFW, que passou por colocar uma mulher dentro de uma estrutura que
permitia ficar apenas com os seios de fora. Na parte exterior da caixa
estava expressa a mensagem “Toque para saber se é real.” Quando as
mulheres tocavam no seio da modelo percebiam que era real e recebiam um
flyer com a mensagem “O cancro de mama também é real”, e no verso
inzdicações de como proceder ao exame.
Polémicas à parte a verdade é que os moçambicanos adoram o duelo que tem sido protagonizado entre o think local (pense localmente), da Golo Publicidade, e o enemy of ordinary (inimigo do comum), da DDB Moçambique (a face mais visível dessa batalha está nas campanhas das duas operadoras de telecomunicações mais importantes: a Vodacom e a Mcel, respectivamente). Esperam também que outras agências importantes (como a Ogilvy Moçambique e os competidores mais recentes) continuem a agitar o mercado. Só que a criatividade e a originalidade dos publicitários devem respeitar a lei mais importante: a do bom senso. Como dizia o mestre Ogilvy, “nunca escrevas um anúncio que não gostarias que a tua família visse, porque se não mentes para a tua própria esposa, então não mintas para a minha”.

Cuca de ouro: A campanha que os angolanos conhecem. Foi desenvolvida
pela produtora portuguesa Ilusive Studios, também presente em Angola
Os temas sociais estiveram muito presentes no sétimo Festival Internacional de Publicidade de Maputo. Mário Ferro, presidente da AMEP e do júri do festival, nota que houve muitas campanhas a retratarem o tabagismo, a violência, a saúde e os acidentes de viação. No entanto, nota também que apesar disso a componente comercial (sobretudo para os sectores das telecomunicações, banca e retalho) estiveram bem representadas. A marca mais premiada deste ano foi a Vodacom, que em resultado do trabalho dos criativos da Golo, viu as suas peças serem galardoadas com oito prémios.
A concurso estiveram 224 trabalhos realizados por agências de publicidade de diferentes nacionalidades e foram entregues 65 prémios. “Não diria que tivemos mais candidaturas face ao ano passado, mas houve uma evolução notória: no primeiro ano tivemos oito agências, no ano passado vieram 26”, revela o responsável da AMEP.
Sem querer avançar com números, Mário Ferro revela que o
orçamento do festival foi garantido pelo apoio de cinco patrocinadores e
outros parceiros, pelas inscrições no festival e ainda pelas reservas
de jantar dos convidados. “É importante que o festival se faça todos os
anos, até porque isto é uma utopia”, revela Mário Ferro. “Uma utopia a
qual eu sou responsável porque fui eu que lancei este festival”, diz.

Mário Ferro: Presidente da AMEP, presidiu ao júri que galardoou 59 trabalhos e entregou 65 conchas
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.